DAN - Artigos em revistas nacionais
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- Perfil nutricional de produtos panados ultraprocessados congelados disponíveis no mercado português em 2025Publication . Brazão, Roberto; Fernandes, Paulo; Dias, Maria da GraçaOs produtos panados ultraprocessados congelados, nomeadamente as barrinhas de peixe e os nuggets de frango, têm vindo a ganhar popularidade em Portugal, particularmente entre as famílias com crianças, devido à sua conveniência, praticidade, aceitação organolética e, também, apelo visual. No entanto, o seu ultraprocessamento, que envolve métodos de produção industriais e a utilização regular de ingredientes como farinhas refinadas, intensificadores de sabor, corantes e conservantes artificiais, levanta algumas preocupações do ponto de vista nutricional e de saúde. Adicionalmente, as suas características nutricionais, sobretudo no que se refere ao valor energético e aos teores de lípidos, ácidos gordos saturados e de sal, que tendem a afastá-los de um padrão alimentar saudável, têm suscitado uma crescente apreensão, principalmente quando consumidos com regularidade pelos mais jovens, devido aos potenciais riscos para a saúde a longo prazo. Neste contexto, procedeu-se à avaliação do perfil nutricional dos alimentos panados ultraprocessados congelados disponíveis no mercado português. Para o efeito, foi recolhida a informação da respetiva composição nutricional de 72 alimentos, a qual foi comparada com os correspondentes valores de referência da Estratégia Integrada para Promoção da Alimentação Saudável (EIPAS) e do Descodificador de Rótulos da Direção-Geral da Saúde (DGS), bem como, com os valores-limite da legislação nacional relativa às restrições aplicáveis à publicidade alimentar dirigida a menores de 16 anos. A totalidade (n=72) dos produtos avaliados não estava de acordo com os valores de referência da Estratégia Integrada para a Promoção da Alimentação Saudável, devido ao excessivo teor de sal. Globalmente, além de apresentarem um elevado valor energético médio (219 kcal/100 g), de acordo com o descodificador de rótulos da DGS, mais de 98% dos alimentos apresentavam teores médios ou altos de lípidos e de sal e 36,1% exibiam teores médios de ácidos gordos saturados, com um particular contributo dos produtos panados à base de carne. Relativamente aos valores-limite referentes às restrições aplicáveis à publicidade alimentar dirigida a menores de 16 anos, verificou-se que 100% dos produtos panados ultraprocessados congelados à base de carne (n=30) estavam acima, enquanto que nos produtos panados à base de peixe (n=42) essa não concordância com os valores definidos foi substancialmente inferior (16,7%; n=7). Com esta avaliação pretende-se contribuir para o reforço do conhecimento e promoção de escolhas alimentares mais saudáveis, bem como fornecer evidência que possa apoiar a tomada de decisão e a implementação de políticas públicas de saúde relacionadas com a alimentação.
- Características nutricionais e saudabilidade global de alimentos processados de base vegetal: análise do mercado português em 2025Publication . Brazão, Roberto; Fernandes, Paulo; Dias, Maria da GraçaA crescente procura por produtos alimentares mais saudáveis e sustentáveis, registada a nível global, tem contribuído para o aumento da oferta de alimentos processados de base vegetal, que servem de alternativas aos produtos de origem animal. Apesar dos benefícios para a saúde de uma dieta à base de produtos vegetais, estes alimentos apresentam, por vezes, limitações nutricionais e a sua disponibilização na forma processada e ultraprocessada pode apresentar formulações e características nutricionais inadequadas a um padrão alimentar saudável. Neste âmbito, procurando avaliar as características nutricionais e a saudabilidade geral de alimentos processados de base vegetal disponíveis no mercado português, procedeu-se à recolha e à comparação de dados da respetiva composição nutricional com os valores de referência da Estratégia Integrada para Promoção da Alimentação Saudável (EIPAS) e do descodificador de rótulos da Direção-Geral da Saúde (DGS). Paralelamente, fez-se a comparação com os valores nutricionais de produtos análogos de origem animal do mercado nacional. Foram avaliados 452 produtos de base vegetal e 958 análogos de origem animal, distribuídos por 9 categorias alimentares. Observou-se que 92,9% dos produtos de base vegetal não estavam de acordo com os valores de referência da EIPAS, quando avaliados conjuntamente os teores de açúcares e de sal, comparativamente a 87,2% dos produtos de origem animal. Os alimentos processados de base vegetal apresentaram frequentemente teores médios de energia, hidratos de carbono, fibra e sal superiores aos observados nos análogos de origem animal, mas níveis mais baixos de ácidos gordos saturados, açúcares e proteínas. De acordo com o descodificador de rótulos da DGS, 17,7%, 18,1% e 29,0% das alternativas de base vegetal no mercado português apresentaram teores altos de lípidos, ácidos gordos saturados e sal, respetivamente. Os resultados deste estudo destacam uma grande variabilidade em vários parâmetros nutricionais, tanto entre como dentro das categorias de alimentos, e evidenciam que nem todos os alimentos de base vegetal apresentam um perfil nutricional equilibrado, apesar de serem frequentemente percecionados como mais saudáveis. Neste contexto, reforça-se a necessidade de implementar ações concretas de saúde pública e iniciativas de sensibilização dos consumidores em relação a este tipo de alimentos, incluindo medidas de reformulação de produtos, de rotulagem, de tributação de produtos não saudáveis, de potenciais restrições ao marketing, bem como de promoção da literacia alimentar dos consumidores.
- Potencial toxigénico de Bacillus cereus e Escherichia coli em estirpes isoladas em larvas de mosca soldado negro alimentadas com resíduos alimentaresPublication . Oliveira, Joana; Pires, Ana Margarida; Murta, Daniel; Assunção, RicardoA urgente transição para sistemas agroalimentares mais sustentáveis exige, a diferentes níveis, soluções inovadoras para enfrentar desafios como o desperdício alimentar. As larvas de mosca soldado negro (BSFL) têm emergido como uma estratégia para a valorização de resíduos alimentares, convertendo-os em proteína para a alimentação humana e animal. No entanto, a utilização destes substratos pode identificar preocupações de segurança microbiológica, nomeadamente associadas a bactérias toxigénicas. Neste estudo foi utilizada a técnica de PCR para avaliar a presença de genes codificadores de toxinas de Escherichia coli (stx1 e stx2) e Bacillus cereus (cytK, nheA, hblD) isoladas de matrizes associadas ao processo de bioconversão por BSFL, em contexto industrial. As larvas foram criadas em dois substratos: resíduos alimentares (teste) e dieta Gainesville (controlo). E. coli foi isolada em substrato e larvas, mas não na farinha de BSFL; stx1 foi detetado apenas num isolado de larvas teste e stx2 não foi detetado. B. cereus foi isolado em substrato e farinha de BSFL, apresentando todos os isolados pelo menos um gene de enterotoxina, sendo cytK o mais prevalente. Apesar da deteção destes genes, os resultados evidenciam o potencial das BSFL como abordagem segura e sustentável para valorização de resíduos alimentares, numa perspetiva One Health.
- Valorização do desperdício do melão: uma abordagem sustentávelPublication . Silva, Mafalda A.; Albuquerque, Tânia Gonçalves; Oliveira, M. Beatriz P. P.; Alves, Rita C.; Costa, Helena SoaresO desperdício alimentar é um dos maiores desafios globais, com impactos negativos na sustentabilidade ambiental, segurança alimentar e economia. Frutos como o melão (Cucumis melo L.) são frequentemente rejeitados com base em critérios comerciais que privilegiam o aspeto visual. Esta rejeição pós-colheita, traduz-se em perdas significativas ao longo da cadeia agroalimentar. A valorização destes frutos surge como uma estratégia promissora para mitigar o desperdício, diversificar produtos e promover práticas mais sustentáveis. A incorporação dos subprodutos do melão, como cascas e sementes, em formulações alimentares, nomeadamente sob a forma de farinhas funcionais, contribui para o desenvolvimento de alimentos com um perfil nutricional melhorado. Esta abordagem está alinhada com os princípios da economia circular, incentivando a inovação na indústria alimentar e a redução do impacto ambiental.
- Abordagem da obesidade infantil através do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 – Saúde e Bem-Estar : a contribuição do Centro Colaborativo da OMS para Nutrição e Obesidade InfantilPublication . Rito, Ana; Gaspar, Marta; Alvito, Paula; Bento, Alexandra; Santos, Cristina AbreuA obesidade infantil constitui um dos maiores desafios de saúde pública do século XXI e representa uma ameaça significativa para o cumprimento do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 3 (ODS 3) – Saúde e Bem-Estar, definido pela Agenda 2030 das Nações Unidas. Este artigo analisa criticamente a relação entre a obesidade infantil e o ODS3, com especial enfoque no papel desempenhado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), enquanto Centro Colaborativo da Organização Mundial da Saúde (OMS) para Nutrição e Obesidade Infantil (CCOMS). Foi realizada uma revisão da literatura científica publicada entre 2020 e 2025, tendo sido identificadas 379 publicações das quais 19 artigos científicos sujeitos a arbitragem por pares foram incluídos na análise final. Seis estudos forneceram evidência direta sobre a relação entre obesidade infantil e o ODS 3, com particular ênfase na meta 3.4, evidenciando a obesidade infantil como fator determinante nas doenças não transmissíveis sublinhando a relevância de dados epidemiológicos e reforçando a necessidade de estratégias intersetoriais e prevenção e promoção da saúde. Os resultados destacaram ainda a escassez de literatura abrangente que articule soluções sustentáveis para a obesidade infantil em consonância com as metas do ODS 3. O CCOMS enquanto centro de vigilância nutricional infantil (com destaque para o estudo “Childhood Obesity Surveillance Initiative” (COSI) da OMS Europa), pelo seu apoio técnico e ação multissetorial e participação ativa na investigação e inovação científica, tem vindo a reforçar substancialmente o progresso em direção às metas do ODS 3. Em Portugal, os dados recentes do COSI revelam prevalências preocupantes de excesso de peso (31,9%) e obesidade (13,5%) em crianças, confirmando a urgência de medidas eficazes. Conclui-se que enfrentar a obesidade infantil é crucial para reduzir desigualdades em saúde e avançar no cumprimento do ODS 3, exigindo colaboração internacional e nacional, políticas públicas integradas e intervenções baseadas em evidência científica.
- Avaliação da exposição a cádmio, arsénio e chumbo no primeiro Estudo da Dieta Total harmonizado em PortugalPublication . Vasco, Elsa; Dias, Maria Graça; Oliveira, LuísaEste estudo avaliou a exposição crónica da população portuguesa adulta (18--74 anos) ao arsénio inorgânico (iAs), cádmio (Cd) e chumbo (Pb) através da alimentação, usando a metodologia harmonizada dos Estudos de Dieta Total (TDS). Os dados de consumo alimentar foram combinados com dados de ocorrência dos contaminantes em 164 amostras de alimentos, representativas da dieta da população, preparadas “como consumidas” e analisadas por espectrometria de massa com plasma indutivo acoplado (ICP-MS). Os resultados indicaram que a exposição média ao iAs (0,28 μg/kg de peso corporal/dia) e os valores de P95 para iAs, Cd e Pb não permitem excluir riscos para a saúde, como cancro, efeitos cardiovasculares, nefrotoxicidade e disfunções renais. Os grupos de alimentos “pratos compostos”, “cereais e derivados” e “peixes, marisco, anfíbios, répteis e invertebrados” foram as principais fontes de exposição, sendo o pão a única fonte comum aos três contaminantes. Recomenda-se a continuidade do TDS nacional com o refinamento dos procedimentos analíticos, incluindo a redução dos limites de deteção e a análise de especiação do arsénio, assim como a utilização de dados de consumo obtidos por duas vezes, com questionários às 24 horas anteriores, a fim de orientar de forma mais eficaz as estratégias de gestão de risco em saúde pública.
- Fontes alternativas de proteína: consumo de insetos e a promoção de sistemas alimentares sustentáveisPublication . Oliveira, Joana; Murta, Daniel; Trindade, Alexandre; Assunção, RicardoA crescente pressão exercida sobre os sistemas alimentares globais e os impactos ambientais da produção pecuária impulsionaram a procura por fontes de proteína alternativas sustentáveis. Os insetos comestíveis surgem como uma alternativa promissora, com elevado valor nutricional e reduzido impacto ambiental. Este estudo analisa a literatura disponível sobre a utilização de insetos como fonte de proteína para consumo humano. Espécies como Tenebrio molitor (tenébrio) e Acheta domesticus (grilo doméstico) apresentam elevada quantidade de proteína, lípidos, vitaminas, minerais e fibra, podendo substituir, parcialmente, as proteínas convencionais. A produção de insetos requer menos água e terra e gera menores emissões de gases de efeito estufa do que a produção pecuária convencional, e a sua capacidade de valorizar subprodutos agroalimentares contribui para a economia circular. Contudo, a bioacumulação de contaminantes e a repulsa cultural por parte dos consumidores constituem barreiras à adoção generalizada do consumo de insetos, exigindo boas práticas de produção e estratégias para aumentar a aceitação por parte do consumidor. Os insetos representam, assim, uma fonte proteica sustentável e eficiente, capaz de diversificar a alimentação e reduzir a pressão sobre os recursos naturais, consolidando o seu papel em sistemas alimentares resilientes e sustentáveis, alinhados com o conceito de Uma Só Saúde.
- Avaliação da concentração de iodo urinário em crianças em idade escolar (6 aos 12 anos) em Cabo VerdePublication . Delgado, Inês; Ventura, Marta; Rego, Andreia; Copeto, Sandra; Ribeiro, Ailton; Lima, Maria da Luz Mendonça; Spencer, Irina Monteiro; Trigueiros, Dulcineia; Coelho, InêsO Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e o Instituto Nacional de Saúde Pública de Cabo Verde (INSP) estabeleceram um protocolo de colaboração para realizarem a avaliação e monitorização do iodo urinário em crianças de Cabo Verde. Assim, o INSP selecionou crianças das nove ilhas habitadas (Santo Antão, São Vicente, São Nicolau, Sal, Boa Vista, Maio, Santiago, Fogo e Brava) e realizou a recolha de amostras de urina de 24 horas de 541 crianças dos 6 aos 12 anos, que posteriormente foram enviadas para o INSA para determinação do teor de iodo por espectrometria de massa com plasma indutivo acoplado (ICP-MS). Os resultados revelaram uma mediana de 155 μg/L nas iodúrias da população em estudo e um aporte de iodo considerado adequado para apenas 36 % das crianças. É necessária especial atenção para a existência de muitos casos de excesso de iodo nas ilhas de Santo Antão, São Nicolau e Sal e casos de deficiência nas ilhas de São Vicente, Boa Vista e Fogo. Este estudo revelou a importância da monitorização da implementação de políticas públicas direcionadas para a correção de situações consideradas inadequadas para uma vida mais saudável em termos da ingestão de iodo.
- Acrilamida em cereais e derivados: validação do método analítico e resultados preliminaresPublication . Copeto, Sandra; Jesus, Susana; Delgado, Inês; Coelho, InêsA reação de Maillard, responsável pela cor, sabor e aroma dos alimentos, também produz substâncias nocivas, como a acrilamida (AA). Esta amida insaturada forma-se quando alimentos ricos em hidratos de carbono, como pão, batatas e café, são cozinhados a temperaturas elevadas e humidade baixa. A União Europeia classificou a AA como carcinogénica (Categoria 1B), mutagénica (Categoria 1B) e tóxica para a reprodução (Categoria 2). O presente estudo visa validar um método para determinar AA em cereais e derivados e investigar a sua presença em diferentes variedades desses produtos. Utilizou-se a cromatografia líquida de ultra eficiência acoplada a um detetor de massa (UPLC-MS/MS) com ionização por electrospray positiva (ESI+ ) para detetar e quantificar a AA. O desempenho do método foi validado utilizando testes de avaliação externa da qualidade internacionais como testes de proficiência (FAPAS) e material de referência certificado (ERM-BD272). Avaliaram-se parâmetros como linearidade, limite de deteção (LD), limite de quantificação (LQ), precisão, exatidão e incerteza. Os LD e LQ foram de 0,40 µg/L e 1,22 µg/L, respetivamente, em conformidade com o Regulamento (UE) 2017/2158. A curva de calibração mostrou linearidade (R2 > 0,995). O método apresentou boas taxas de recuperação (92%-105%) e de precisão (desvio padrão relativo (RSD) ≤ 13%), participação satisfatória em ensaios de comparação interlaboratorial (ECI) (Z-score: 0,69 para Crispbread e -0,93 para Biscuit), assim como bons resultados para o ERM-BD272, demonstrando que o método é adequado para a determinação de AA em cereais e derivados. O método foi aplicado a cereais e derivados existentes no mercado, incluindo bolacha Maria, pão de trigo, flocos de milho e bolachas para bebé, todos recolhidos em Lisboa, Portugal. Os resultados de AA das amostras avaliadas, expressos em µg/kg, encontram-se abaixo dos valores legislados pelo Regulamento (EU) 2017/2158. Embora os níveis de acrilamida encontrados cumpram os limites estabelecidos pela União Europeia, é necessária uma monitorização contínua da sua ocorrência, considerando as incertezas ainda presentes sobre os efeitos a longo prazo deste contaminante.
- Qualidade microbiológica de “comida de rua” pronta para consumo comercializada na área metropolitana de Lisboa, PortugalPublication . Barreira, Maria João; Marcos, Sílvia; Flores, Cristina Varela; Lopes, Teresa Teixeira; Moura, Isabel Bastos; Correia, Cristina Belo; Saraiva, Margarida; Batista, RitaA “comida de rua”/ street food é uma importante componente do sistema de distribuição de alimentos em muitas cidades. No entanto, alimentos expostos para venda na rua estão geralmente associados a condições ambientais e estruturais que favorecem a sua potencial contaminação microbiológica. Neste estudo, foi avaliada a qualidade microbiológica de 118 alimentos prontos para consumo, vendidos na rua, em instalações móveis e/ou amovíveis localizadas na área metropolitana de Lisboa. Foram usados como indicadores de higiene e/ou alteração, os ensaios Microrganismos a 30 oC, Bolores, Leveduras, Enterobacteriaceae e Escherichia coli. Como indicadores de segurança/higiene alimentar foram utilizados os ensaios Listeria monocytogenes, Salmonella spp., Staphylococcus coagulase positiva (SCP), Clostridium perfringens, Bacillus cereus e patotipos de E. coli implicados em doenças gastrointestinais. De acordo com os Valores-guia INSA, 2019 a declaração de conformidade da qualidade microbiológica foi de Satisfatório em 35 amostras (29,7%), Questionável em 29 (24,6%) e Não satisfatório em 51 (43,2%). Três amostras (2,6%) obtiveram declaração de conformidade da qualidade microbiológica de Não satisfatório/potencialmente perigoso, devido à presença de L. monocytogenes > 100 unidades formadoras de colónias por grama (ufc/g) e/ou B. cereus > 105 ufc/g e/ou SCP > 104 ufc/g. Foram detetados genes de B. cereus que codificam toxinas diarreicas e eméticas nas estirpes isoladas de duas amostras que continham B. cereus > 105 ufc/g. Não foi detetada a presença de Salmonella spp., Clostridium perfringens e de genes característicos de patotipos de E. coli habitualmente implicados em doenças gastrointestinais, em qualquer das amostras analisadas. Verificou-se a presença de Staphylococcus coagulase positiva em 26,3% das amostras analisadas. Foi observada uma relação significativa entre a qualidade microbiológica declarada e o Grupo em que os alimentos se incluíam, com o aumento de classificações Questionáveis e Não satisfatórias no caso dos Grupos de alimentos que incluíam componentes hortofrutícolas crus (Fisher-Freeman-Halton = 29,01; p < 0,001). Os dados obtidos alertam para a necessidade de aprofundar os conhecimentos sobre o cumprimento das Boas Práticas de Higiene, sobre o estabelecimento de pontos críticos de controlo e sobre o grau de conhecimento destes princípios pelos vendedores ambulantes de alimentos.
