DDI - Artigos em revistas nacionais
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- Da tipagem clássica à genómica: reforço da vigilância de Legionella pneumophila com uma nova metodologiaPublication . Borges, Vítor; Mixão, Verónica; Rodrigues, João; Rodrigues, Raquel; Machado, Jorge; Gomes, João PauloNeste artigo de revisão é abordada a evolução da tipagem molecular de Legionella pneumophila, bactéria responsável pela Doença dos Legionários. São discutidas as limitações dos métodos convencionais, frequentemente insuficientes para estabelecer de forma robusta ligações entre casos humanos e fontes ambientais de contaminação, o que tem dificultado a deteção e subsequente investigação de surtos. Revisita-se a aplicação da sequenciação do genoma total (WGS) de L. pneumophila em Portugal e as suas vantagens, destacando-se o recente desenvolvimento de uma nova metodologia de análise de dados de WGS (através da bioinformática), que visa reforçar a deteção de surtos, a identificação de fontes de infeção e a avaliação de risco, apoiando o controlo atempado e efetivo de ameaças para a saúde pública a nível local e transfronteiriço.
- Vírus Nipah: estará Portugal preparado para o diagnóstico de um caso importado?Publication . Cordeiro, Rita; Pelerito, Ana; Lopes de Carvalho, Isabel; Núncio, Maria SofiaO vírus Nipah é um agente zoonótico emergente, associado a doença respiratória grave e encefalite, e caracterizado por uma elevada taxa de letalidade. Desde a sua identificação em 1998, têm sido notificados surtos em particular no sul e sudeste asiático, nomeadamente em Bangladesh e na Índia. A transmissão para os seres humanos pode ocorrer através do contacto direto com animais infetados, da ingestão de alimentos contaminados ou por transmissão pessoa-a-pessoa, sobretudo em contexto de prestação de cuidados de saúde. O vírus apresenta diversidade genética, com dois principais clades (NiV-M e NiV-B), associados a diferenças no quadro clínico e padrões epidemiológicos. Apesar de o risco de importação para a Europa ser atualmente considerado baixo, a facilidade de circulação de pessoas pelo Mundo aumenta a probabilidade do aparecimento de casos em regiões não endémicas. Em Portugal, existe capacidade laboratorial para o diagnóstico serológico e molecular, bem como para a sequenciação genómica, integrada numa resposta coordenada com as autoridades de saúde pública e unidades hospitalares de referência. A preparação para um eventual caso importado assenta na vigilância epidemiológica, na suspeita clínica, no diagnóstico laboratorial rápido e na implementação rigorosa e atempada de medidas de prevenção e controlo de infeção.
- Infeções fúngicas: estudo retrospetivo sobre casos de infeção e colonização por leveduras diagnosticados no INSA entre 2019 e 2025Publication . Papuc, Alexandru-Marian; Pimenta, Márcia; Simões, Helena; Veríssimo, Cristina; Sabino, Raquel; Gargaté, Maria JoãoNo presente estudo retrospetivo analisaram-se 1521 casos de infeção/colonização por leveduras diagnosticadas pelo Laboratório Nacional de Referência (LNR) de Infeções Parasitárias e Fúngicas do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) no período compreendido entre 2019 e 2025, dos quais 40 (2,6%) casos corresponderam a infeções mistas. As infeções/colonizações por leveduras afetaram predominantemente indivíduos de idade igual ou superior a 60 anos, tendo-se verificado um aumento de casos diagnosticados em 2024 (n=290/1521; 19,1%). Relativamente ao sexo feminino, a maior parte dos casos teve origem em exsudados vaginais, associando-se a um padrão bimodal de frequência por idade, com um pico durante a idade reprodutiva (18-44 anos) e outro na faixa etária dos 60+ anos, enquanto que no sexo masculino, as secreções respiratórias foram a principal origem biológica. Relativamente aos agentes etiológicos isolados, Candida albicans manteve-se a espécie predominante durante todo o período (51,6%, n=805/1561), e Candida parapsilosis, a segunda espécie mais frequente, com 22,7% (n=355/1561). Considerando as atuais espécies emergentes, destaca-se um aumento de isolados de Candidozyma auris, atingindo, desde o primeiro caso, isolado em 2022, 0,7% (n=11/1561) do total de isolados. Este perfil epidemiológico dos agentes etiológicos estudados está alinhado com as tendências globais e reforça a necessidade da vigilância contínua, do preciso e específico diagnóstico laboratorial e subsequente classificação taxonómica, tendo em conta o risco de diferentes perfis de resistência aos antifúngicos de espécies emergentes.
- Spatial analysis of HPV infection and contextual factors associated with higher HPV prevalencePublication . Sousa, R.; Fonseca-Moutinho, J.A.; Gomes, F.; Loureiro, F.; Goes, A.R.; Soares, PatriciaObjectives: To identify areas with high rates of high-risk Papillomavirus (hrHPV) infection and associated contextual factors in the Centre Region of Portugal at the municipality level. Study design: We conducted an ecological study in 78 municipalities located in the Central Region of Portugal from March 2019 to December 2022. Methods: We used data from the cervical cancer screening (CCS) program database after switching to primary HPV testing. Demographic, socio-economic, and healthcare availability variables were extracted from official sources (Statistics Portugal and Central Region Health Administration Information Systems). Spatial analysis and logistic generalised linear models were used to identify areas of high hrHPV infection and associated contextual factors. Results: The overall hrHPV infection prevalence was 9.9 %. We found three significant clusters, predominantly in municipalities near major urban centres. These clusters were characterised by higher population density, a greater proportion of younger women, higher median income per inhabitant, a larger proportion of residents with graduate degrees, and increased availability of healthcare units. Conclusions: This study has uncovered the geographical distribution of hrHPV infection at the municipal level and highlights the contextual factors associated with higher prevalence. Identifying demographics and socio-economic predictors of high hrHPV infection could support public health programs by targeting interventions to specific populations and contexts. This might open up new scenarios for improving prevention and control strategies, offering more intensive screening in areas with the most urgent needs.
- Effectiveness of long-acting monoclonal antibodies against laboratory-confirmed RSV in children aged < 24 months and hospitalised for severe acute respiratory infection, European pilot study, 2024 to 2025Publication . Savulescu, Camelia; Ganser, Iris; Nicolay, Nathalie; Lajot, Adrien; Campos, Sandra; Martínez-Baz, Iván; Rodrigues, Ana Paula; Vandromme, Mathil; Cara-Rodríguez, Marta; Echeverría, Aitziber; Gaio, Vânia; Parsy, Marie-Pierre; Garrido, Ana Roldan; Castilla, Jesús; Guiomar, Raquel; Bacci, Sabrina; Rose, Angela Mc; VEBIS hospital network RSV IE groupWe measured effectiveness of nirsevimab against laboratory-confirmed respiratory syncytial virus (RSV) infection in a test-negative case-control study among children aged < 24 months hospitalised for severe acute respiratory infection in three European countries. The overall effectiveness in the 2024/25 season among 2,201 children was 79% (95% CI: 58 to 89) and 85%, 78% and 69% at < 30, 30-89 and 90-215 days since immunisation. Immunisation was effective for preventing RSV-related hospitalisation in children, but effectiveness by time since immunisation needs monitoring in future seasons.
- Falência vacinal secundária contra o sarampo: casos identificados em 2024Publication . Neves, Raquel; Ribeiro, Carlos; Palminha, PaulaPortugal alcançou o estatuto de eliminação do sarampo em 2015, no entanto, continuam a ocorrer surtos esporádicos, incluindo casos em indivíduos previamente vacinados. O teste de avidez das IgG avalia a força de ligação das imunoglobulinas ao seu antigénio específico, a qual aumenta ao longo da resposta imunitária, permitindo assim distinguir infeções primárias de respostas imunes pré-existentes. Este estudo teve como objetivo identificar casos de falência vacinal secundária contra o sarampo que ocorreram em 2024 utilizando o teste de avidez das IgG. Em 2024 foram confirmados 35 casos de sarampo em pacientes com idades entre 1 e 61 anos. A avidez de IgG foi avaliada em 17 casos (48,6%): 14 vacinados com duas doses de VASPR e 3 com estado vacinal desconhecido. Todos os soros, exceto um, foram colhidos durante a primeira semana após o início do exantema e utilizados reagentes comerciais com ureia como agente desnaturante. O RNA do vírus do sarampo foi detetado em todos os 16 casos. A IgM foi positiva em 6 pacientes: 5 vacinados e 1 com vacinação desconhecida. IgG de baixa avidez (IA < 40%) ocorreu apenas no paciente com vacinação desconhecida e IgM positiva, indicando infeção primária. Os outros 2 pacientes com vacinação não documentada apresentaram IgG de alta avidez e IgM negativa sugerindo falência vacinal secundária ou reinfeção. Todos os 14 casos vacinados apresentaram IgG de alta avidez (IA > 60%), sendo 5 também positivos para a IgM. O estudo identificou uma infeção primária e dois casos de falência vacinal secundária ou reinfeção em indivíduos com status desconhecido. Todos os casos em vacinados ocorreram em adultos, mais de 10 anos após a segunda dose da VASPR, sendo compatíveis com uma falência vacinal secundária e representando 40% dos casos de 2024. Isso reflete o contexto pós-eliminação em Portugal, onde a baixa exposição ao vírus selvagem reduz o reforço natural da imunidade, permitindo sintomas moderados e replicação viral apesar da vacinação prévia.
- Parvovirus B19: perfil serológico de casos com suspeita clínica de infeção confirmada no INSA entre 2009-2024Publication . Soeiro, Sofia; Ferreira, Carla Manita; Matos, RitaO diagnóstico laboratorial de parvovirus B19 humano é feito a partir da pesquisa de anticorpos específicos para o vírus (imunoglobulinas do tipo G e M) e deteção do DNA viral no sangue ou amostras respiratórias. Com este estudo pretende-se contribuir para o conhecimento da seroprevalência de anticorpos para parvovírus B19 em Portugal, através da análise da presença de anticorpos IgG e IgM de amostras biológicas de indivíduos com suspeita clínica de infeção recebidas no Instituto Nacional de Saúde durante os últimos 15 anos, 2009-2024. Entre 2009 e 2024 foram estudados 8469 indivíduos com suspeita clínica de infeção. Quando agrupados por estadio de infeção, 58% dos indivíduos apresentaram infeção antiga, 38% eram negativos e 4% apresentava perfil compatível com infeção aguda. Verificou-se a existência de 5 períodos com maior proporção de infeções agudas: 2009, 2012, 2015-2016, 2019 e 2024. A proporção de indivíduos com infeção antiga aumenta com a idade (22% para 69%). A proporção de indivíduos com infeção aguda foi mais elevada no grupo etário 10-19 anos (7%). No que diz respeito à sazonalidade, verificou-se uma maior proporção de indivíduos com infeção aguda no mês de julho (8%). A presença de anticorpos IgG em 63% dos indivíduos estudados é sugestiva de uma prevalência de infeção elevada na população. Apesar da ocorrência destes períodos anuais com atividade viral mais intensa, este estudo mostra que o vírus se mantém em circulação, com infeções agudas a ocorrerem todos os anos em Portugal. A proporção de infeções antigas aumenta de forma mais acentuada durante as primeiras duas décadas de vida, tanto para os homens como para as mulheres. Esta observação é particularmente importante para as mulheres em idade fértil. Apesar desta percentagem de mulheres protegidas ser superior a 50%, ainda existe uma percentagem considerável de mulheres em idade fértil sem proteção (entre 34 e 44%), que podem contrair o vírus e transmiti-lo ao feto. Apesar de este estudo não ter representatividade nacional, os resultados obtidos sugerem que a frequência de infeção por parvovirus B19 se tem mantido,estável ao longo dos anos, não deixando, contudo, de ser importante a monitorização e vigilância dos casos suspeitos de infeção, face ao risco acrescido da ocorrência de transmissão vertical.
- Enterovírus não-polio e infeções do sistema nervoso central em crianças: avaliação laboratorial, 2023-2024Publication . Palminha, Paula; Neves, Raquel; Ribeiro, Carlos; Garcia, Ana Margarida; Fontes, Inês Sousa; Gouveia, Catarina; Corte-Real, RitaOs enterovírus não-polio permanecem como os principais agentes patogénicos do sistema nervoso central (SNC) em todo o mundo, especialmente em crianças com idade inferior a 5 anos, causando desde doença ligeira a quadros graves que podem evoluir para desfechos fatais. Entre 2023 e 2024 foram analisadas no INSA fezes de 327 crianças com suspeita de infeção por enterovírus. O diagnóstico laboratorial incluiu a deteção do RNA viral por RT-PCR em tempo real e o isolamento viral. A identificação viral foi realizada por sequenciação genómica. Neste período foram identificados 109 (33,3%) casos de infeção a enterovírus, dos quais 26 casos (23,9%) corresponderam a infeções do SNC, maioritariamente em crianças com menos de 5 anos (88,5%), sem uma evidente distribuição temporal. Os enterovírus mais frequentes foram os echovírus (tipos 5, 6,7, 9, 18, 21, 25, 30, 31 e 32), detetados em 13 casos (52,0%), seguidos pelos Coxsackievírus A (tipos 4, 6, 9, 10 e 16), em 7 casos (28,0%), ambos associados a meningite e meningoencefalite. O Enterovírus 71 (EV71) foi detetado em dois casos, um de romboencefalite e um de paralisia flácida aguda (PFA), e um caso de meningite esteve associado ao EV-C99. Não se observou nenhum padrão de surto nestes dois anos. Estes resultados reforçam a relevância da identificação rápida e dirigida para enterovírus como agentes etiológicos de infeções do SNC, fundamental para uma intervenção clínica direcionada, evitando o uso desnecessário de antibióticos e de múltiplos exames complementares de diagnóstico
- Triquinelíase: estudo de uma população humana potencialmente exposta à infeção em Portugal, 2023-2024Publication . Zhygachova, Kateryna; Ferreira, Idalina; Martins, Susana; Vilares, Anabela; Reis, Tânia; Gargaté, Maria JoãoA triquinelíase é uma zoonose parasitária de origem alimentar causada por nemátodas do género Trichinella, frequentemente transmitida através do consumo de carne curada, mal cozinhada ou inadequadamente congelada contendo larvas infetantes. Esta doença tem um impacto significativo na saúde pública e constitui um desafio global no âmbito da segurança alimentar, tendo sido detetada em animais silvestres de 66 países. Em Portugal, a triquinelíase é uma doença de declaração obrigatória, não havendo registo de qualquer caso humano desde 1987. Esta ausência contrasta com a situação observada em países vizinhos, como Espanha, que partilha práticas alimentares e perfis epidemiológicos semelhantes ao nosso país. Este estudo tem como objetivo avaliar a presença de anticorpos do tipo imunoglobulina G (IgG) anti-Trichinella spp. em 200 indivíduos potencialmente expostos ao consumo de carne mal cozinhada ou não inspecionada. A deteção foi realizada através do ensaio de imunoabsorção enzimática (ELISA), sendo os resultados positivos ou equívocos posteriormente confirmados por imunoblot. Dos 200 indivíduos em estudo foi confirmado um caso positivo, resultando numa seroprevalência de 0,5%. Além disso, o caso confirmado apresentou reatividade específica para os antigénios de Toxocara sp., sugerindo uma possível reatividade cruzada ou co- infeção. A baixa seroprevalência de anticorpos contra Trichinella spiralis observada na população estudada, sugere que a triquinelíase humana é rara em Portugal. No entanto, existe a possibilidade de um subdiagnóstico e consequente subnotificação o que, por si só, reforça a importância de vigilância ativa e continuada das zoonoses parasitárias.
- Seroprevalência de SARS-CoV-2 em profissionais de saúde de hospitais em comparação com a população geral, 2021-2022Publication . Gaio, Vânia; Amaral, Palmira; Santos, Ana João; Henriques, Camila; Guiomar, Raquel; Rodrigues, Ana Paula; Machado, AusendaOs profissionais de saúde (PS) desempenham um papel essencial na linha de frente durante emergências de saúde causadas por doenças infeciosas. Protegê-los é crucial para garantir a sua saúde, manter a continuidade do atendimento aos pacientes e prevenir a transmissão durante a prestação de cuidados. Este estudo teve como objetivo estimar a tendência da seroprevalência de SARS-CoV-2 entre PS de uma coorte hospitalar entre maio de 2021 e junho de 2022 e compará-la com a tendência de seroprevalência na população geral com 40-49 anos. Adicionalmente, foi feita a caracterização dos PS de acordo com o seu estado de seropositividade relativa aos anticorpos IgG anti-nucleocapside (IgG Anti-N). No âmbito de um estudo da efetividade das vacinas, os PS foram testados para deteção de anticorpos IgG anti-RBD/Spike contra o SARS-CoV-2 em três períodos: maio-junho de 2021, setembro-novembro de 2021 e maio-junho de 2022. No terceiro momento, também foram avaliados anticorpos IgG Anti-N. Para comparação com a população geral, foram usados os resultados de três fases do Inquérito Serológico Nacional à COVID-19 (ISN COVID-19): fevereiro-março de 2021, setembro-novembro de 2021 e abril-junho de 2022. Um total de 977, 509 e 67 PS foram testados nos três momentos, com uma seroprevalência de 85%, 89% e 100%, respetivamente. Essas taxas foram semelhantes às encontradas na população geral portuguesa, exceto no primeiro período (85% versus 19% na população geral, grupo etário 40-49 anos). No terceiro momento, a seroprevalência pós-infeção (anticorpos IgG anti-nucleocápside) foi maior entre os PS do que na população geral (41% versus 27%). A idade menor e o contacto direto com pacientes com COVID-19 estavam associados à positividade para os anticorpos IgG anti-N. A tendência crescente da seroprevalência nos PS segue a mesma tendência observada na população geral. Embora os períodos não coincidam exatamente, no 1º momento, a seroprevalência para SARS-CoV-2 mais elevada entre os PS esteve provavelmente associada à vacinação prioritária desse grupo. No 3º momento, a maior seroprevalência pós-infeção entre os PS indica um aumento na exposição e incidência de infeção nesse grupo após a onda da variante Ômicron. Considerando a diminuição da cobertura vacinal contra a COVID-19 entre os PS, é essencial continuar a monitorização da seroprevalência e a incidência de infeção por COVID-19 neste grupo.
