DEP - Artigos em revistas nacionais
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- A importância da consignação de receitas fiscais em saúde pública e o papel estruturante do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico [Editorial]Publication . Dias, Carlos Matias; Rodrigues, Ana PaulaA publicação em Diário da República dos Despachos n.º 2193/2026 e n.º 2230/2026 reflete decisões de política pública com significado estruturante para o sistema de saúde em Portugal. Estes instrumentos determinam a consignação de 2% da receita do imposto sobre o tabaco à execução de políticas ativas de prevenção e controlo do tabagismo, da qual 7,5% para a realização pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF), bem como para projetos de investigação epidemiológica e comportamental. (...)
- Fatores psicossociais associados à confiança nas vacinas: um estudo exploratório em profissionais de saúdePublication . Gaio, Vânia; Saraiva, Ana Leonor; Santos, Ana João; Amaral, Ana Palmira; Machado, AusendaOs profissionais de saúde (PS) desempenham um papel crucial no sucesso das campanhas de vacinação, tanto por meio da sua própria vacinação quanto pela promoção da imunização dos seus pacientes. Uma baixa confiança nas vacinas entre PS pode comprometer o sucesso das campanhas de vacinação, influenciando negativamente as recomendações para a vacinação e reduzindo a cobertura vacinal. Este estudo teve como objetivo descrever os determinantes psicossociais que influenciam a confiança nas vacinas entre PS em Portugal. Realizou-se um estudo transversal entre outubro e novembro de 2024, envolvendo médicos e enfermeiros de uma Unidade de Saúde Local da região Centro de Portugal. Para a recolha de dados utilizou-se um questionário online que integrou uma versão curta da escala Professionals Vaccine Confidence and Behaviors (Pro-VC-Be) adaptada para Portugal. A unidimensionalidade da escala foi avaliada por meio de uma análise fatorial exploratória (AFE). Adicionalmente, procedeu-se a análises descritivas e bivariadas (vacinados versus não vacinados), recorrendo aos testes exato de Fisher e qui-quadrado de Pearson, com o objetivo de identificar os principais determinantes psicossociais associados à confiança nas vacinas. Entre os 112 profissionais de saúde participantes (82% mulheres; 71% enfermeiros), 67% estavam vacinados contra a COVID-19 na época 2024/2025. A AFE sugeriu uma estrutura unidimensional, com um fator dominante (valor próprio =1,90) que explicou 56% da variância. Os profissionais vacinados apresentaram níveis significativamente mais elevados de confiança nas vacinas (valor médio do score obtido através da escala de 10 itens = 42,9 versus 40,8; p=0,003). A confiança na segurança das vacinas (p=0,027), a crença nos benefícios da vacinação (p=0,011) e a menor complacência (p=0,048) mostraram-se positivamente associadas à vacinação contra a COVID-19. Este estudo exploratório destacou a perceção de segurança, da eficácia e da utilidade das vacinas na prevenção da doença como determinantes da confiança nas vacinas entre profissionais de saúde portugueses. Dado o reduzido tamanho da amostra, os resultados devem ser interpretados com cautela. A aplicação da escala a uma população maior e mais diversificada de profissionais de saúde é essencial para validar estes resultados e apoiar o desenvolvimento de estratégias direcionadas para reforçar a confiança nas vacinas, de modo a aumentar a adesão à vacinação.
- Autoapreciação do estado de saúde oral na população portuguesa: resultados do painel ECOS (Em Casa Observamos Saúde)Publication . Krippahl, Helena; Fernandes, Teresa; Neto, Mariana; Machado, Ausenda; Ferreira, Cristina; Rodrigues, Ana PaulaAs doenças orais são um desafio global de saúde pública e contam-se entre as doenças não transmissíveis com maior prevalência e para as quais existem estratégias preventivas eficazes. Por esta razão, a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu a importância da carga de doenças orais e reafirmou a importância da saúde oral, incluindo-a na Declaração Política sobre a Cobertura Universal de Saúde (2011). Com o objetivo de caracterizar a autoapreciação do estado da saúde oral, foram analisados dados provenientes do inquérito realizado pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), entre setembro e novembro de 2019, com recurso ao painel ECOS. As estatísticas descritivas, bem como as estimativas de prevalência, foram obtidas com ponderação para a idade, sexo, região e desenho amostral. A recolha de dados foi realizada por entrevista telefónica. A maioria da população (53,0%) avaliou o seu estado de saúde oral como bom ou muito bom. Esta avaliação positiva foi mais prevalente entre os indivíduos mais jovens (66,2%), com nível secundário de escolaridade (66,8%) e profissionalmente ativos, especialmente, entre os trabalhadores por conta própria (72,4%), sendo inferior a 50% nas mulheres, nas pessoas com 65 anos de idade, com nenhum ou o nível básico de escolaridade e em reformados. Estes resultados evidenciam desigualdades socioeconómicas e sublinham a necessidade de reforçar políticas de prevenção dirigidas aos grupos mais vulneráveis.
- Avaliação das boas práticas para garantia da qualidade em laboratórios clínicos de países de língua oficial portuguesaPublication . Martinello, Flávia; Berlanda Seidler, Alice; Menezes, Maria Elisabeth; Correia, Helena; Leal, Silvania; Miranda, Armandina; Faria, AnaOs laboratórios clínicos devem garantir a qualidade dos resultados, porém, há pouca informação sobre boas práticas laboratoriais (BPL) adotadas por países de língua oficial portuguesa (PLP). Este estudo procurou identificar a adesão às boas práticas laboratoriais pelos laboratórios clínicos nos países de língua portuguesa através do envio de um questionário, entre julho e setembro de 2024, aos participantes do Programa Nacional de Avaliação Externa da Qualidade, Portugal e membros do Projeto de Melhoria da Qualidade Laboratorial para PLP. Dos 54 laboratórios participantes, 63% pertencem ao setor público, 85% possuem um profissional responsável pela gestão da qualidade, 57% tem sistema de gestão implementado, e metade destes refere ser laboratório certificado. A maioria dos laboratórios participantes realiza plano anual de formação (85%), elabora matriz de competências (65%), utiliza indicadores da qualidade para as fases pré-analítica (87%) e pós-analítica (83%), realiza controlo interno (70%) e externo da qualidade (89%), regista as causas de rejeição de resultados de amostra controlo (59%), constrói gráficos de controlo (66%) e utiliza especificações da qualidade para avaliar o desempenho analítico (72%). O país com mais participantes neste estudo (72%) é Portugal. Os resultados obtidos apoiam a conclusão de que as boas práticas laboratoriais estão implementadas numa fração importante dos países participantes, havendo, no entanto, oportunidade para melhorias. A realização de formações e o envolvimento de mais laboratórios clínicos dos países de língua portuguesa contribuirá para a implementação e harmonização de BPL, podendo contribuir para a garantia da qualidade dos resultados e a segurança do doente. É importante garantir a participação de todos os Países de Língua Oficial Portuguesa em futuros estudos acerca deste assunto.
- A atividade do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge à luz dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável [Editorial]Publication . Dias, Carlos Matias; Almeida, Fernando deAo percorrer os 15 artigos incluídos neste trigésimo oitavo número do Boletim Epidemiológico Observações do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), podemos, adotando uma interpretação lata da Agenda 2030 preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), associar, diretamente ou indiretamente, dez daqueles artigos ao terceiro Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS 3: Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades), constatação natural num Instituto público do sector da saúde como INSA. (...)
- Seroprevalência de SARS-CoV-2 em profissionais de saúde de hospitais em comparação com a população geral, 2021-2022Publication . Gaio, Vânia; Amaral, Palmira; Santos, Ana João; Henriques, Camila; Guiomar, Raquel; Rodrigues, Ana Paula; Machado, AusendaOs profissionais de saúde (PS) desempenham um papel essencial na linha de frente durante emergências de saúde causadas por doenças infeciosas. Protegê-los é crucial para garantir a sua saúde, manter a continuidade do atendimento aos pacientes e prevenir a transmissão durante a prestação de cuidados. Este estudo teve como objetivo estimar a tendência da seroprevalência de SARS-CoV-2 entre PS de uma coorte hospitalar entre maio de 2021 e junho de 2022 e compará-la com a tendência de seroprevalência na população geral com 40-49 anos. Adicionalmente, foi feita a caracterização dos PS de acordo com o seu estado de seropositividade relativa aos anticorpos IgG anti-nucleocapside (IgG Anti-N). No âmbito de um estudo da efetividade das vacinas, os PS foram testados para deteção de anticorpos IgG anti-RBD/Spike contra o SARS-CoV-2 em três períodos: maio-junho de 2021, setembro-novembro de 2021 e maio-junho de 2022. No terceiro momento, também foram avaliados anticorpos IgG Anti-N. Para comparação com a população geral, foram usados os resultados de três fases do Inquérito Serológico Nacional à COVID-19 (ISN COVID-19): fevereiro-março de 2021, setembro-novembro de 2021 e abril-junho de 2022. Um total de 977, 509 e 67 PS foram testados nos três momentos, com uma seroprevalência de 85%, 89% e 100%, respetivamente. Essas taxas foram semelhantes às encontradas na população geral portuguesa, exceto no primeiro período (85% versus 19% na população geral, grupo etário 40-49 anos). No terceiro momento, a seroprevalência pós-infeção (anticorpos IgG anti-nucleocápside) foi maior entre os PS do que na população geral (41% versus 27%). A idade menor e o contacto direto com pacientes com COVID-19 estavam associados à positividade para os anticorpos IgG anti-N. A tendência crescente da seroprevalência nos PS segue a mesma tendência observada na população geral. Embora os períodos não coincidam exatamente, no 1º momento, a seroprevalência para SARS-CoV-2 mais elevada entre os PS esteve provavelmente associada à vacinação prioritária desse grupo. No 3º momento, a maior seroprevalência pós-infeção entre os PS indica um aumento na exposição e incidência de infeção nesse grupo após a onda da variante Ômicron. Considerando a diminuição da cobertura vacinal contra a COVID-19 entre os PS, é essencial continuar a monitorização da seroprevalência e a incidência de infeção por COVID-19 neste grupo.
- Dez invernos de vigilância: 10 anos do sistema FRIESA (FRIo Extremo na SAúde)Publication . Silva, Susana das Neves Pereira da; Antunes, Sílvia; Marques, Jorge; Antunes, Sílvia; Marques, Jorge; Dias, Carlos Matias; Rodrigues, Ana PaulaO Sistema FRIESA foi criado em 2014 para monitorizar o impacto do frio extremo na mortalidade nos distritos de Lisboa e do Porto. Após uma década de atividade, este artigo sintetiza os principais resultados e seu contributo na definição e implementação das medidas de saúde pública. Para este trabalho foram analisados os resultados dos relatórios anuais do FRIESA, tendo sido demonstrada a utilidade do sistema na identificação precoce de períodos críticos e na produção de evidência científica para apoio à decisão em saúde pública.
- Ocorrência de acidentes domésticos e de lazer durante a pandemia da COVID-19: dados do inquérito ao painel ECOSPublication . Krippahl, Helena; Namorado, Sónia; Alves, Tatiana; Neto, Mariana; Fernandes, Teresa; Rodrigues, Ana PaulaDada a possibilidade da pandemia da COVID-19 e as medidas associadas terem alterado os padrões de risco e de utilização dos serviços de saúde, tornou-se pertinente avaliar o seu impacto na ocorrência de Acidentes Domésticos e de Lazer (ADL) na população portuguesa. Para tal, foram recolhidos dados através de um inquérito ao painel ECOS, em 2021, analisando-se as prevalências por sexo, grupo etário, região, nível de escolaridade e situação face ao trabalho. Estimou-se que 11,2% da população sofreu pelo menos um ADL no ano anterior à entrevista. Apesar de não se terem encontrado diferenças estatisticamente significativas entre os diferentes subgrupos sociodemográficos, foi observada uma maior frequência entre indivíduos sem escolaridade ou com o ensino básico (12,4%) e entre trabalhadores por conta de outrem (45,2%), tendo, ainda, cerca da metade dos acidentes ocorrido dentro da habitação (46,3%), e sobretudo na cozinha (39,1%), seguindo-se os que ocorreram na rua (28,2%). Dos participantes que referiram ter sofrido um ADL, as estimativas indicam que 47,6% tiveram necessidade de cuidados de saúde e, destes, 98,3% referiram ter recebido os cuidados de que necessitavam, recorrendo ao serviços de urgência do Serviço Nacional de Saúde (SNS) (62,1%). Como consequência dos ADL, 10,7% dos indivíduos faltaram ao trabalho ou à escola, sendo que 11,0% destes registaram ausências prolongadas, iguais ou superiores a 90 dias. Os resultados reforçam a importância de prever respostas adequadas aos traumatismos por ADL, na preparação de emergências de saúde pública.
- O Impacto do diagnóstico pré-natal e da ecografia obstétrica na deteção de anomalias congénitas: uma análise nacional e regional entre 2011 e 2019Publication . Braz, Paula; Machado, Ausenda; Aniceto, Carlos; Dias, Carlos Matias
- Testes rápidos de antigénio e efetividade da vacina contra a COVID-19 nos cuidados de saúde primários, em Portugal: explorando o potencial de viésPublication . Gómez, Verónica; Delaunay, Charlotte Laniece; Kissling, Esther; Verdasca, Nuno; Gomes, Licínia; Guiomar, Raquel; Machado, Ausenda; Rodrigues, Ana PaulaA disponibilização dos testes rápidos de antigénio (TRAg) permitiu que o diagnóstico de infeção por SARS-CoV-2 possa ser feito antes ou durante uma consulta médica. Este conhecimento pode condicionar a procura de cuidados e por outro lado, o Médico de Família (MF) pode ter informação sobre o estado de infeção antes do recrutamento do doente para os estudos de efetividade vacinal. Estudos com desenho de caso-controlo teste-negativo (TND), tradicionalmente usados para estimar a efetividade da vacina contra a COVID-19, podem assim incorrer em viés se a realização dos TRAg e a consulta com o MGF variarem consoante o estado vacinal e o resultado do autoteste. Este estudo descreve os padrões de autoteste em cuidados de saúde primários e as diferenças entre indivíduos que realizaram autoteste e não, nos cuidados de saúde primários em Portugal, avaliando o potencial de viés nos estudos de efetividade vacinal contra a COVID-19. Foram incluídos indivíduos com 60 ou mais anos com Infeção Respiratória Aguda (IRA) que consultaram um MGF entre setembro de 2022 e maio de 2023. Foram recolhidos dados demográficos, de vacinação, testagem, sinais e sintomas e comorbilidades. Dos 166 indivíduos incluídos (21 casos, 145 controlos), 67 (40%) realizaram TRAg. Estes foram mais frequentemente mulheres (72% vs. 67%) e mais jovens (94% entre 60-79 anos vs. 87%). Os indivíduos que realizaram autotestes tiveram uma taxa de positividade para SARS-CoV-2 de apenas 10%, comparado com 14% entre aqueles que não realizaram autoteste. Além disso, apresentavam menor prevalência de doenças crónicas (64% vs. 79%) e foram menos vacinados na campanha vacinal sazonal (39% vs. 53%). Os resultados sugerem uma possível associação negativa entre vacinação e TRAg. A elevada proporção de indivíduos que realizaram TRAg (40%) pode gerar viés no estudo de EV, reforçando a necessidade de estudos com maior dimensão e estimativas de efetividade vacinal estratificadas de acordo com esta variável.
