Departamento de Epidemiologia
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Percorrer Departamento de Epidemiologia por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "03:Saúde de Qualidade"
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- The 24-Hour Activity Checklist for Cerebral Palsy: Translation, Content Validity and Test-Retest Reliability of Portuguese VersionsPublication . Vila-Nova, Fabio; Sá, Cristina; Leite, Hércules Ribeiro; Cadete, Ana; Folha, Teresa; Longo, Egmar; Martins, Maria Elisabete; Oliveira, RaulBackground: The importance of 24-h movement behaviour, including sleep, physical activity (PA) and sedentary behaviour (SB), has gained prominence due to its significant impact on the health and development of children, including those with cerebral palsy (CP). The 24-h activity checklist for CP, a tool developed in the Netherlands to monitor the activity in CP paediatric population, requires translation and cultural adaptation to Portuguese for use in Brazil and Portugal. Methods: This cross-sectional methodological study involved translating and culturally adapting the 24-h activity checklist for CP into Brazilian Portuguese (BP) and European Portuguese (EP) languages. The process included forward translation, synthesis and backward translation, expert panel evaluation and pretesting. Brazilian and Portuguese experts appraised content validity, assessed by the individual item (I-CVI) and scale level content validity index scores (S-CVI/Ave). Sixty parents of children with CP participated in the test-retest analysis, reported with the Intraclass Correlation Coefficients (ICCs). Results: I-CVI scores were higher than 0.78 for both versions. S-CVI/Ave scores were considered excellent for BP (0.91) and EP version (1.0). Expert's appraisal results in the inclusion of a question about sleep-related time indicators and the split of sleep, PA, and screen time questions for weekdays and weekends. Brazilian and Portuguese parents of children with CP reported understanding on instructions, questions, and answer options. The ICC values range from 0.81 to 0.99 and 0.6 to 0.98, for BP and EP, respectively. Conclusions: The BP and EP versions of 24-h activity checklist for CP demonstrated good content validity and test-retest reliability, supporting its use in Brazil and Portugal. This tool can contribute to improving communication between families and healthcare professionals to monitor and develop tailored interventions for healthy movement behaviours in children with CP.
- 4P-CAN: Deliverable 2.2 – Paper on countries’ stakeholder profiles for CPPPublication . Roxo, Luis; Carvalho da Silva Santos, Ana João; Girvalaki, Charis; Geantă, Marius; 4P-CAN WP2 study team; Sousa Uva, MafaldaOver the last decades, cancer incidence has been increasing in Europe, being cancer one the leading causes of death. Meaningful differences persist in cancer incidence and mortality between Western and Eastern European countries, highlighting regional differences regarding risk factors (e.g., smoking habits). Cancer Primary Prevention (CPP) aims to tackle these modifiable factors and to decrease individual risk of cancer. Yet, implementing CPP goes beyond the actions of the governments, and involves a complexity of actions from different stakeholders in society. In this study, we use mixed methods to characterize CPP stakeholders of public sector, academia/research, private sector, media and civil society. We also aim to get a deeper understanding on the regional differences in cancer incidence and mortality. Descriptive statistics were performed to analyze survey results - relative frequencies (%) were computed for each variable, and are presented for the total sample and stratified by country group (Western and Eastern). Data from interviews were analyzed by thematic analysis
- Acidentes domésticos e de lazer por animais em Portugal, admitidos nas urgências hospitalaresPublication . JORGE SILVA ALVES, TATIANA DANIELA; das Neves Pereira da Silva, Susana; Braz, Paula; Aniceto, Carlos; Papadakaki, Maria; Mexia, Ricardo; Matias-Dias, CarlosOs acidentes domésticos e de lazer envolvendo animais são considerados um importante problema de saúde pública, estando a maioria dos acidentes relacionados com mordeduras de cães e gatos. Estes eventos representam uma carga evitável para a saúde pública que poderá ser minimizada através da promoção de medidas de segurança adequadas relativas à presença de animais de companhia e de responsabilização pelo controlo dos mesmos. O presente estudo tem como objetivo aumentar o conhecimento epidemiológico sobre acidentes domésticos e de lazer envolvendo animais, os quais implicaram o atendimento nas urgências hospitalares, do Serviço Nacional de Saúde, no ano 2023, em Portugal, Realizou-se um estudo epidemiológico observacional, descritivo e transversal, com análise dos dados recolhidos através do sistema de monitorização EVITA relativos a episódios de recurso a urgência hospitalar no ano 2023, em Portugal. Procedeu-se à análise descritiva dos dados, com o apuramento das frequências absolutas e relativas (percentagens). Comparações entre proporções foram realizadas através do teste do Qui-quadrado de Pearson com um nível de significância de 5%. Nesta análise foi utilizado o programa estatístico SPSS V.30. Neste estudo foram analisados os 1356 episódios de admissão ao SU por acidente doméstico e de lazer com envolvimento de animais, descritos em EVITA. A maior parte destes acidentes ocorreu nas crianças e jovens até aos 19 anos (34,4%). As crianças e jovens até aos 14 anos, no sexo masculino, foram mais afetadas, sendo que dos 15 anos em diante a maior proporção de acidentes foi observada no sexo feminino. Estes acidentes ocorreram sobretudo nos meses de verão (56,3%), ao fim de semana (34,0%) e no período da tarde, entre as 15H e as 20H (47,9%). Foram encontradas diferenças significativas na distribuição dos acidentes no momento em que ocorreram e grupo etário. Os acidentes provocados por animais não ocorreram nos diferentes locais de forma uniforme, destacaram-se os locais da casa (35,1%) e ao ar livre (24,9%). As crianças até aos 4 anos foram as que mais sofreram acidentes em casa, enquanto que, ao ar livre observou-se maior frequência destes acidentes nos adultos entre 20 e os 34 (p<0,001). Globalmente, os animais mais frequentemente envolvidos nestes acidentes foram os insetos (abelha/vespa) (48,4%) e os cães/gatos (35,2%). Este estudo contribuiu para o melhor conhecimento da epidemiologia dos acidentes causados por animais, afigurando-se útil na perspetiva da promoção da saúde e da segurança, sensibilizando a comunidade para medidas de prevenção de mordedura por cães/gatos, responsabilidade civil dos donos desses animais e prevenção de picada de insetos.
- Adesão à definição de caso na vigilância da gripe e outros vírus respiratórios: grupo focalPublication . Santos, Ana João; Santos, João Almeida; Rodrigues, Ana PaulaO sistema de vigilância da gripe e outras infeções respiratórias em Portugal integra diversas redes, como a Rede Médicos-Sentinela (MS), serviços hospitalares e laboratórios especializados. Este estudo analisou o alargamento da vigilância para incluir outros vírus respiratórios e a transição da definição de caso de Síndrome Gripal (SG) para Infeção Respiratória Aguda (IRA), explorando o impacto na prática clínica dos médicos e nos processos da Rede Sentinela. Os métodos utilizados incluíram um grupo focal online, com a participação de nove profissionais da Rede Sentinela. A sessão teve a duração de uma hora e 31 minutos e a discussão foi gravada e transcrita para análise de conteúdo, utilizando codificação temática indutiva e dedutiva, permitindo a identificação de categorias e subcategorias relevantes ao tema. Os resultados da análise de conteúdo temática são apresentados em seis grandes temáticas, parcialmente alinhadas com as perguntas abertas que orientaram a discussão: (1) Alargamento da vigilância a outros vírus respiratórios – Explora as perceções dos profissionais sobre os impactos na prática clínica e os benefícios epidemiológicos associados à inclusão de novos vírus na vigilância; (2) Alargamento da vigilância para todo o ano – Avalia os benefícios e desafios da monitorização contínua, incluindo o impacto da sazonalidade das infeções e dificuldades operacionais; (3) Definição e seleção de casos – Infeção Respiratória Aguda (IRA) vs. Síndrome Gripal (SG) – Analisa a transição da definição de caso, destacando facilidade de adoção, vantagens e dificuldades na aplicação dos critérios; (4) Desafios na inclusão de crianças – Identifica as barreiras técnicas e éticas associadas à colheita de amostras em idades pediátricas; (5) Questões organizacionais – Discute as barreiras estruturais e operacionais na implementação da vigilância, incluindo sobrecarga de trabalho, papel do ponto focal e adesão das equipas; (6) Procedimentos e registos – Aborda as estratégias adotadas pelos profissionais, os desafios na notificação de casos e a variabilidade da codificação nos registos clínicos. As temáticas com maior consenso foram aquelas relacionadas com os benefícios do alargamento da vigilância (para outros vírus e para todo o ano) e com a clareza da nova definição de caso (IRA). As questões organizacionais e operacionais, por outro lado, refletiram maior variabilidade nas perceções, com soluções e barreiras específicas para cada contexto. Os resultados mostram perceções positivas sobre o alargamento da vigilância para outros vírus respiratórios, reconhecendo-se benefícios epidemiológicos significativos. A transição para a definição de SG para IRA foi amplamente aceite pelos médicos que a consideraram mais clara e abrangente, permitindo a inclusão de casos mais diversificados. Foram identificados desafios operacionais, incluindo dificuldades na interpretação de critérios como início súbito dos sintomas e a inclusão de subgrupos. O alargamento da vigilância para todo o ano foi visto como vantajoso, mas com ressalvas devido à sazonalidade das infeções e desafios operacionais, como esquecimentos fora do período gripal e sobrecarga de trabalho. A centralização do trabalho em pontos focais mostrou-se essencial para garantir a continuidade e eficácia do sistema. As dificuldades organizacionais continuam a ser uma barreira crítica, com carga de trabalho elevada, falta de adesão da equipa e necessidade de um ponto focal forte para garantir a continuidade da vigilância. A integração de médicos internos e de elementos da equipa da enfermagem mostrou-se uma estratégia promissora para reduzir o impacto destas barreiras. Por fim, o estudo destaca a necessidade de reforçar estratégias organizacionais e fornecer suporte contínuo aos profissionais, promovendo a adesão às mudanças e garantindo a qualidade e representatividade dos dados de vigilância.
- Assessing the role of children in the COVID-19 pandemic in Belgium using perturbation analysisPublication . Angeli, Leonardo; Caetano, Constantino Pereira; Franco, Nicolas; Coletti, Pietro; Faes, Christel; Molenberghs, Geert; Beutels, Philippe; Abrams, Steven; Willem, Lander; Hens, NielUnderstanding the evolving role of different age groups in virus transmission is essential for effective pandemic management. We investigated SARS-CoV-2 transmission in Belgium from November 2020 to February 2022, focusing on age-specific patterns. Using a next generation matrix approach integrating social contact data and simulating population susceptibility evolution, we performed a longitudinal perturbation analysis of the effective reproduction number to unravel age-specific transmission dynamics. From November to December 2020, adults in the [18, 60) age group were the main transmission drivers, while children contributed marginally. This pattern shifted between January and March 2021, when in-person education resumed, and the Alpha variant emerged: children aged under 12 years old were crucial in transmission. Stringent social distancing measures in March 2021 helped diminish the noticeable contribution of the [18, 30) age group. By June 2021, as the Delta variant became the predominant strain, adults aged [18, 40) years emerged as main contributors to transmission, with a resurgence in children’s contribution during September-October 2021. This study highlights the effectiveness of our methodology in identifying age-specific transmission patterns.
- Associação entre Infeção por SARS-CoV-2 e Saúde Mental aos 12 Meses: Um Estudo na Região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT)Publication . Cristóvão, Filipa; Moniz, Marta; Goes, Ana Rita; Soares, Patrícia; Leite, AndreiaIntrodução: A condição pós-COVID-19 afeta indivíduos com história de infeção por síndrome respiratória aguda grave devido a coronavírus 2 (SARS-CoV-2) e pode incluir sintomas persistentes como fadiga, alterações cognitivas e perturbações psicológicas (e.g., ansiedade, depressão, perturbação de stress pós-traumático (PTSD)), mesmo após 12 meses. Apesar de existirem dados sobre sintomas psicológicos nas fases iniciais da infeção, a sua persistência a longo prazo continua pouco explorada, particularmente em Portugal. Este estudo teve como objetivo investigar a associação entre infeção por SARS-CoV-2 e sintomas psicológicos aos 12 meses, em residentes da região de LVT. Métodos: Estudo observacional transversal analítico, incluindo indivíduos residentes em LVT que realizaram teste de reação em cadeia de polimerase (PCR) ou teste rápido de antigénio (TRAg) em agosto de 2022 com base na informação registada no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica. A exposição foi o resultado do teste SARS-CoV-2 (positivo ou negativo); os outcomes foram sintomas de ansiedade, depressão e PTSD. Os dados foram recolhidos por entrevista telefónica (outubro-novembro de 2023), utilizando o Patient Health Questionnaire de 2 itens (PHQ-2), Patient Health Questionnaire de 9 itens (PHQ-9), General Anxiety Disorder Questionnaire de 2 itens (GAD-2), General Anxiety Disorder Questionnaire de 7 itens (GAD-7) e Primary Care PTSD Screen for DSM-5 (PC-PTSD-5). Para estimar a associação através de razões de prevalência ajustadas (RPa) foram usadas regressões de Poisson com variância robusta, ajustando para confundimento (idade, sexo, situação profissional, nível de escolaridade, comorbilidades, consumo de tabaco, consumo de álcool). Resultados: Foram incluídos 767 participantes (528 positivos, 239 negativos). A prevalência de sintomas depressivos foi de 6,0%, mais elevada nos positivos (7,0% vs. 3,8%). Após ajustamento, observou-se uma associação significativa (razão de prevalência ajustada (RPa )= 2,07; IC95%: 1,01–4,26). A prevalência de ansiedade foi também superior nos positivos (7,2% vs. 3,8%), sem significância estatística (RPa = 1,84; IC95%: 0,91–3,80). A prevalência de PTSD foi baixa (0,8%), pelo que não foram estimadas medidas de associação. Discussão e Conclusão: Os resultados mostraram maior prevalência de sintomas depressivos entre indivíduos previamente infetados por SARS-CoV-2, associação que se manteve após ajustamento e em consonância com estudos internacionais. Observou-se tendência não significativa para ansiedade e ausência de diferenças em PTSD, possivelmente relacionadas com o reduzido número de casos e a predomínio de infeções ligeiras. O contexto epidemiológico poderá ter atenuado as associações. Entre as limitações destacam-se o desenho transversal, autorreporte, confundimento residual e restrição geográfica e temporal da amostra. Em conclusão, os dados sugerem associação entre infeção e sintomas depressivos a longo prazo, sublinhando a importância da vigilância em saúde mental no período pós infecção.
- Associação entre o Índice de Vulnerabilidade à Pobreza Energética e os Níveis de Tensão Arterial na População PortuguesaPublication . Rodrigues, Madalena; Gouveia, João Pedro; Sousa-Uva, MafaldaEm Portugal, estima-se que entre 1,8 e 3 milhões de pessoas vivam em situação de pobreza energética, estando entre 609 mil e 660 mil em condição severa. A exposição a temperaturas extremas dentro das habitações pode agravar problemas de saúde existentes e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, que afeta cerca de 36% da população portuguesa entre 25 e 74 anos. A pobreza energética resulta da combinação de baixos rendimentos, má eficiência energética das habitações e dificuldades no pagamento das faturas de energia. Este problema é intensificado pelas alterações climáticas, que elevam a frequência de eventos extremos. Apesar das preocupações expressas em políticas europeias, poucos estudos populacionais avaliaram a associação entre pobreza energética e saúde utilizando medidas objetivas. Este trabalho tem como objetivo estimar a associação entre o Índice de Vulnerabilidade à Pobreza Energética (IVPE) desenvolvido ao nível da freguesia (#3092) e os níveis de tensão arterial na população adulta portuguesa. Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional, transversal e analítico, com dados do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico 2015 (INSEF), abrangendo 4911 indivíduos de 25 a 74 anos. O IVPE foi categorizado em tercis (baixo, médio e alto) e as associações foram analisadas por regressão linear, ajustada para fatores sociodemográficos e económicos. Os resultados evidenciam que viver em áreas com elevada vulnerabilidade à pobreza energética está associado a um aumento significativo da tensão arterial. No contexto do arrefecimento, observou-se um acréscimo de 2,28% na Tensão Arterial Sistólica (TAS) e de 2,08% na Tensão Arterial Diastólica (TAD), enquanto para o aquecimento verificou-se um aumento significativo na TAS, mas sem relevância na TAD. Estes reforçam a pobreza energética como um fator de risco relevante para a saúde, sublinhando a necessidade de políticas públicas eficazes para mitigar os seus impactos. Num contexto de alterações climáticas e envelhecimento da população portuguesa, garantir condições habitacionais adequadas pode ser uma estratégia essencial para reduzir desigualdades sociais, promover a saúde e o bem-estar, bem como aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde pública.
- A atividade do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge à luz dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável [Editorial]Publication . Dias, Carlos Matias; Almeida, Fernando deAo percorrer os 15 artigos incluídos neste trigésimo oitavo número do Boletim Epidemiológico Observações do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA), podemos, adotando uma interpretação lata da Agenda 2030 preconizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), associar, diretamente ou indiretamente, dez daqueles artigos ao terceiro Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS 3: Garantir o acesso à saúde de qualidade e promover o bem-estar para todos, em todas as idades), constatação natural num Instituto público do sector da saúde como INSA. (...)
- Avaliação da Boas Práticas em Laboratórios de Países de Língua PortuguesaPublication . Martinello, Flávia; Seidler, Alice B.; Menezes, Maria Elisabeth; Correia, Helena; Leal, Silvania; Miranda, Armandina; Faria, Ana PaulaIntrodução: Os laboratórios desempenham um papel fundamental no rastreio, diagnóstico, prognóstico e tratamento de doenças. Para que um resultado laboratorial seja útil, é necessário garantir a sua qualidade. Neste contexto, não existem dados disponíveis sobre as boas práticas adotadas pelos laboratórios nos países de língua portuguesa (PLP). Esta informação é essencial para a formulação de políticas e estratégias de formação dirigidas a este público-alvo. Objetivo: Identificar e avaliar a adesão às boas práticas laboratoriais por parte dos laboratórios de análises clínicas nos PLP. Métodos: Foi aplicado um questionário digital, constituído por 47 questões sobre boas práticas laboratoriais e gestão da qualidade, enviado a participantes do Programa Nacional de Avaliação Externa da Qualidade de Portugal e a outros laboratórios envolvidos no Projeto de Melhoria da Qualidade Laboratorial para os PLP - ProMeQuaLab, com exceção do Brasil. A recolha de dados decorreu de forma anónima entre 7 de julho e 30 de setembro de 2024, tendo os resultados sido analisados estatisticamente. Resultados: Participaram no estudo 59 laboratórios (ambulatório e hospitalar), dos quais 5 instituições não autorizaram a divulgação dos seus dados, ainda que de forma anónima. Entre os 54 laboratórios incluídos, a maioria era de Portugal (39; 72%), seguida de Cabo Verde (9; 16%), Guiné-Bissau (4; 7%), São Tomé e Príncipe (1; 2%), e 1 laboratório não especificou o país de origem. Um total de 68% dos laboratórios indicou possuir um sistema de gestão implementado, sendo que metade destes está certificada. A maioria pertence ao setor público (63%), dispõe de um profissional responsável pelo sistema de gestão (85%), realiza um plano anual de formação (85%), utiliza indicadores de qualidade nas fases pré-analítica (87%) e pós-analítica (83%), e efectua controlo de qualidade interno (85%) e externo (89%). Foram contudo identificadas oportunidades de melhoria, uma vez que apenas 59% registam as causas de rejeição de resultados de amostras de controlo, 65% desenvolvem uma matriz de competências, 66% constroem cartas de controlo e 72% recorrem a especificações de qualidade para avaliar o desempenho analítico. Conclusão: Os laboratórios portugueses foram os que mais contribuíram para estes resultados. As boas práticas laboratoriais encontram-se implementadas, mas subsistem oportunidades de melhoria. A promoção de ações de formação e a maior participação de laboratórios dos PLP poderão contribuir para a implementação e harmonização das boas práticas laboratoriais, reforçando a garantia da qualidade dos resultados e a segurança do doente.
- Avaliação da proposta do dashboard SCOPE: um instrumento para a gestão de risco durante eventos pandémicos - relatório finalPublication . Sousa-Uva, Mafalda; Garcia, Ana Cristina; Aniceto, Carlos; Matias-Dias, Carlos; APAGARO projeto SCOPE (Spatial Data Science Services for COVID-19 Pandemic), financiado pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar tendo como coordenador o Instituto Superior Técnico (IST) e contando, também, com investigadores do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). Este projeto apresenta como principal produto um protótipo de software funcional (Dashboard) com mapas de indicadores de saúde e a respetiva incerteza associada às previsões espaciais, recuperando o histórico da pandemia da COVID-19 (Coronavirus disease caused by the SARS-CoV-2 vírus). No âmbito da tarefa 5 do projeto, co-liderada pelo INSA, foi realizado um estudo avaliativo do protótipo do Dashboad SCOPE enquanto instrumento de apoio à decisão no âmbito da gestão de risco durante eventos pandémicos, permitindo a sua melhoria de forma sistemática e viável. Nessa tarefa, também se encontrava prevista a realização de um Workshop. Esse Workshop foi realizado por forma a permitir um primeiro contacto da população-alvo (médicos de saúde pública aos níveis local, regional e nacional) com o protótipo, sendo utilizado como um pré-teste da utilização futura do Dashboard, bem como das ações de formação que decorrerão em plena aplicação futura da ferramenta no apoio à tomada de decisão. Dessa forma, o objeto de avaliação considerado no âmbito deste estudo foi a proposta do “Dashboard SCOPE: um instrumento para a gestão de risco durante eventos pandémicos”. Para a avaliação do protótipo do Dashboard SCOPE optou-se por seguir um processo avaliativo adaptado da estrutura proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e da estrutura de avaliação de programas de saúde pública definida pelo Centers for Disease and Control (CDC) de Atlanta – Framework for Program Evaluation in Public Health. O Dashboard SCOPE foi transformado num objeto de estudo a partir da sua descrição segundo um modelo lógico (ou diagrama causal) que incluiu os diversos componentes da intervenção e os resultados esperados da intervenção, em sequências lógicas entre atividades do projeto e resultados esperados. O modelo lógico permitiu, assim, a tradução do objeto alvo de avaliação – o Dashboard SCOPE - num objeto de estudo, considerando-se o Workshop SCOPE como um pré-teste que incluiu ações semelhantes a parte das que decorrerão em plena aplicação do Dashboard. Foram formuladas as questões específicas de avaliação a partir dos componentes do modelo lógico da intervenção, que orientaram a formulação do desenho da avaliação. Foi seguida uma abordagem metodológica mista, com a combinação de métodos mistos de recolha e de análise de dados, quantitativos e qualitativos. Como fontes de dados secundários, recorreu-se a fontes documentais, tais como o referencial do projeto SCOPE e os materiais disponibilizados aos participantes do Workshop SCOPE (programa, folheto informativo, consentimento informado e guião do utilizador). Como técnicas de recolha de dados primários, realizaram-se: i) recolha das notas efetuadas por observadores externos/relatores sob uma estratégia de observação não participativa do Workshop SCOPE; ii) entrevistas semiestruturadas à equipa de investigação, enquanto stakeholders relevantes; e iii) questionários de aplicação via online aos médicos de saúde pública aos níveis local, regional e nacional que participarm no Workshop, enquanto potenciais utilizadores do Dashboard SCOPE, com recurso à aplicação web REDCap. Posteriormente, para cada componente da framework de avaliação e respetivas questões de avaliação, foi construída uma matriz de medida apresentando um conjunto de componentes, perguntas e indicadores/critérios com o objetivo de converter os conceitos e aspetos abordados em componentes mensuráveis. Na análise de resultados procedeu-se à integração dos dados resultantes das várias fontes de recolha, com o apoio de uma matriz de categorias de análise especificamente construída para o efeito. Os resultados provisórios da avaliação foram partilhados com a equipa responsável pelo desenvolvimento do Dashboard, permitindo melhorias/ajustamentos do instrumento, em função das necessidades sentidas e expressas pelos principais utilizadores potenciais. Os resultados provisórios foram também partilhados com os demais stakeholders da avaliação num Webinar final que possibilitou, ainda, uma breve discussão. No Webinar final foi, também, apresentada e disponibilizada a versão melhorada do Dashboard SCOPE. Os resultados da avaliação da proposta do Dashboard SCOPE enquanto instrumento para a gestão de risco durante eventos epidémicos/pandémicos indicam que as expectativas dos principais stakeholders da equipa de projeto foram alcançadas, bem como dos seus potenciais utilizadores, os quais consideraram a experiência de participação no Workshop e a utilização do Dashboard de forma globalmente muito positiva. No geral, o Dashboard SCOPE foi considerado útil e de implementação exequível, sendo admitido por todos os grupos alvo da avaliação que a proposta do Dashboard apresenta potencial interesse como recurso adequado à satisfação de necessidades de informação no apoio à decisão na gestão de riscos espaciais em eventos epidémicos/pandémicos futuros, bem como instrumento facilitador no local de trabalho, destacando-se que a grande maioria dos médicos de saúde pública que participaram no Workshop e responderam ao questionário (82%) recomendaria a implementação do Dashboard SCOPE no seu serviço. Foram referidas potenciais dificuldades de implementação, externas à equipa do projeto e aos utilizadores, assim como dificuldades de utilização e algumas desvantagens da própria ferramenta, tais como a complexidade na interpretação dos métodos e técnicas utilizadas e os possíveis custos associados à sua implementação no terreno. A formação prévia dos futuros utilizadores foi repetidamente indicada pela equipa de projeto como essencial para minimizar ou anular as potenciais dificuldades de utilização. Foi sugerido elevado número de melhorias/ajustamentos a efetuar, designadamente a possibilidade de importação de dados de outras fontes; a existência de cruzamento com outras aplicações software; e a inclusão de dados à escala territorial de freguesia, algo também previsto pela equipa de projeto. Foi reconhecido o potencial de adaptação do Dashboard SCOPE a outros problemas de saúde e determinantes, aumentando de forma muito relevante o reconhecimento da sua utilidade no apoio à tomada de decisão em saúde pública. Os resultados da avaliação do protótipo do Dashboard SCOPE e do Workshop são favoráveis à utilização bem sucedida da Ciência de Dados Espaciais na construção de aplicações software funcionais para gestão de riscos espaciais durante eventos epidémicos, enquanto recursos adequados à preparação e resposta a futuras situações epidémicas e apoio à tomada de decisão.
