DEP - Relatórios científicos e técnicos
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- Adesão à definição de caso na vigilância da gripe e outros vírus respiratórios: grupo focalPublication . Santos, Ana João; Santos, João Almeida; Rodrigues, Ana PaulaO sistema de vigilância da gripe e outras infeções respiratórias em Portugal integra diversas redes, como a Rede Médicos-Sentinela (MS), serviços hospitalares e laboratórios especializados. Este estudo analisou o alargamento da vigilância para incluir outros vírus respiratórios e a transição da definição de caso de Síndrome Gripal (SG) para Infeção Respiratória Aguda (IRA), explorando o impacto na prática clínica dos médicos e nos processos da Rede Sentinela. Os métodos utilizados incluíram um grupo focal online, com a participação de nove profissionais da Rede Sentinela. A sessão teve a duração de uma hora e 31 minutos e a discussão foi gravada e transcrita para análise de conteúdo, utilizando codificação temática indutiva e dedutiva, permitindo a identificação de categorias e subcategorias relevantes ao tema. Os resultados da análise de conteúdo temática são apresentados em seis grandes temáticas, parcialmente alinhadas com as perguntas abertas que orientaram a discussão: (1) Alargamento da vigilância a outros vírus respiratórios – Explora as perceções dos profissionais sobre os impactos na prática clínica e os benefícios epidemiológicos associados à inclusão de novos vírus na vigilância; (2) Alargamento da vigilância para todo o ano – Avalia os benefícios e desafios da monitorização contínua, incluindo o impacto da sazonalidade das infeções e dificuldades operacionais; (3) Definição e seleção de casos – Infeção Respiratória Aguda (IRA) vs. Síndrome Gripal (SG) – Analisa a transição da definição de caso, destacando facilidade de adoção, vantagens e dificuldades na aplicação dos critérios; (4) Desafios na inclusão de crianças – Identifica as barreiras técnicas e éticas associadas à colheita de amostras em idades pediátricas; (5) Questões organizacionais – Discute as barreiras estruturais e operacionais na implementação da vigilância, incluindo sobrecarga de trabalho, papel do ponto focal e adesão das equipas; (6) Procedimentos e registos – Aborda as estratégias adotadas pelos profissionais, os desafios na notificação de casos e a variabilidade da codificação nos registos clínicos. As temáticas com maior consenso foram aquelas relacionadas com os benefícios do alargamento da vigilância (para outros vírus e para todo o ano) e com a clareza da nova definição de caso (IRA). As questões organizacionais e operacionais, por outro lado, refletiram maior variabilidade nas perceções, com soluções e barreiras específicas para cada contexto. Os resultados mostram perceções positivas sobre o alargamento da vigilância para outros vírus respiratórios, reconhecendo-se benefícios epidemiológicos significativos. A transição para a definição de SG para IRA foi amplamente aceite pelos médicos que a consideraram mais clara e abrangente, permitindo a inclusão de casos mais diversificados. Foram identificados desafios operacionais, incluindo dificuldades na interpretação de critérios como início súbito dos sintomas e a inclusão de subgrupos. O alargamento da vigilância para todo o ano foi visto como vantajoso, mas com ressalvas devido à sazonalidade das infeções e desafios operacionais, como esquecimentos fora do período gripal e sobrecarga de trabalho. A centralização do trabalho em pontos focais mostrou-se essencial para garantir a continuidade e eficácia do sistema. As dificuldades organizacionais continuam a ser uma barreira crítica, com carga de trabalho elevada, falta de adesão da equipa e necessidade de um ponto focal forte para garantir a continuidade da vigilância. A integração de médicos internos e de elementos da equipa da enfermagem mostrou-se uma estratégia promissora para reduzir o impacto destas barreiras. Por fim, o estudo destaca a necessidade de reforçar estratégias organizacionais e fornecer suporte contínuo aos profissionais, promovendo a adesão às mudanças e garantindo a qualidade e representatividade dos dados de vigilância.
- Avaliação da proposta do dashboard SCOPE: um instrumento para a gestão de risco durante eventos pandémicos - relatório finalPublication . Sousa-Uva, Mafalda; Garcia, Ana Cristina; Aniceto, Carlos; Matias-Dias, Carlos; APAGARO projeto SCOPE (Spatial Data Science Services for COVID-19 Pandemic), financiado pela FCT (Fundação para a Ciência e a Tecnologia) foi desenvolvido por uma equipa multidisciplinar tendo como coordenador o Instituto Superior Técnico (IST) e contando, também, com investigadores do Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA). Este projeto apresenta como principal produto um protótipo de software funcional (Dashboard) com mapas de indicadores de saúde e a respetiva incerteza associada às previsões espaciais, recuperando o histórico da pandemia da COVID-19 (Coronavirus disease caused by the SARS-CoV-2 vírus). No âmbito da tarefa 5 do projeto, co-liderada pelo INSA, foi realizado um estudo avaliativo do protótipo do Dashboad SCOPE enquanto instrumento de apoio à decisão no âmbito da gestão de risco durante eventos pandémicos, permitindo a sua melhoria de forma sistemática e viável. Nessa tarefa, também se encontrava prevista a realização de um Workshop. Esse Workshop foi realizado por forma a permitir um primeiro contacto da população-alvo (médicos de saúde pública aos níveis local, regional e nacional) com o protótipo, sendo utilizado como um pré-teste da utilização futura do Dashboard, bem como das ações de formação que decorrerão em plena aplicação futura da ferramenta no apoio à tomada de decisão. Dessa forma, o objeto de avaliação considerado no âmbito deste estudo foi a proposta do “Dashboard SCOPE: um instrumento para a gestão de risco durante eventos pandémicos”. Para a avaliação do protótipo do Dashboard SCOPE optou-se por seguir um processo avaliativo adaptado da estrutura proposta pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e da estrutura de avaliação de programas de saúde pública definida pelo Centers for Disease and Control (CDC) de Atlanta – Framework for Program Evaluation in Public Health. O Dashboard SCOPE foi transformado num objeto de estudo a partir da sua descrição segundo um modelo lógico (ou diagrama causal) que incluiu os diversos componentes da intervenção e os resultados esperados da intervenção, em sequências lógicas entre atividades do projeto e resultados esperados. O modelo lógico permitiu, assim, a tradução do objeto alvo de avaliação – o Dashboard SCOPE - num objeto de estudo, considerando-se o Workshop SCOPE como um pré-teste que incluiu ações semelhantes a parte das que decorrerão em plena aplicação do Dashboard. Foram formuladas as questões específicas de avaliação a partir dos componentes do modelo lógico da intervenção, que orientaram a formulação do desenho da avaliação. Foi seguida uma abordagem metodológica mista, com a combinação de métodos mistos de recolha e de análise de dados, quantitativos e qualitativos. Como fontes de dados secundários, recorreu-se a fontes documentais, tais como o referencial do projeto SCOPE e os materiais disponibilizados aos participantes do Workshop SCOPE (programa, folheto informativo, consentimento informado e guião do utilizador). Como técnicas de recolha de dados primários, realizaram-se: i) recolha das notas efetuadas por observadores externos/relatores sob uma estratégia de observação não participativa do Workshop SCOPE; ii) entrevistas semiestruturadas à equipa de investigação, enquanto stakeholders relevantes; e iii) questionários de aplicação via online aos médicos de saúde pública aos níveis local, regional e nacional que participarm no Workshop, enquanto potenciais utilizadores do Dashboard SCOPE, com recurso à aplicação web REDCap. Posteriormente, para cada componente da framework de avaliação e respetivas questões de avaliação, foi construída uma matriz de medida apresentando um conjunto de componentes, perguntas e indicadores/critérios com o objetivo de converter os conceitos e aspetos abordados em componentes mensuráveis. Na análise de resultados procedeu-se à integração dos dados resultantes das várias fontes de recolha, com o apoio de uma matriz de categorias de análise especificamente construída para o efeito. Os resultados provisórios da avaliação foram partilhados com a equipa responsável pelo desenvolvimento do Dashboard, permitindo melhorias/ajustamentos do instrumento, em função das necessidades sentidas e expressas pelos principais utilizadores potenciais. Os resultados provisórios foram também partilhados com os demais stakeholders da avaliação num Webinar final que possibilitou, ainda, uma breve discussão. No Webinar final foi, também, apresentada e disponibilizada a versão melhorada do Dashboard SCOPE. Os resultados da avaliação da proposta do Dashboard SCOPE enquanto instrumento para a gestão de risco durante eventos epidémicos/pandémicos indicam que as expectativas dos principais stakeholders da equipa de projeto foram alcançadas, bem como dos seus potenciais utilizadores, os quais consideraram a experiência de participação no Workshop e a utilização do Dashboard de forma globalmente muito positiva. No geral, o Dashboard SCOPE foi considerado útil e de implementação exequível, sendo admitido por todos os grupos alvo da avaliação que a proposta do Dashboard apresenta potencial interesse como recurso adequado à satisfação de necessidades de informação no apoio à decisão na gestão de riscos espaciais em eventos epidémicos/pandémicos futuros, bem como instrumento facilitador no local de trabalho, destacando-se que a grande maioria dos médicos de saúde pública que participaram no Workshop e responderam ao questionário (82%) recomendaria a implementação do Dashboard SCOPE no seu serviço. Foram referidas potenciais dificuldades de implementação, externas à equipa do projeto e aos utilizadores, assim como dificuldades de utilização e algumas desvantagens da própria ferramenta, tais como a complexidade na interpretação dos métodos e técnicas utilizadas e os possíveis custos associados à sua implementação no terreno. A formação prévia dos futuros utilizadores foi repetidamente indicada pela equipa de projeto como essencial para minimizar ou anular as potenciais dificuldades de utilização. Foi sugerido elevado número de melhorias/ajustamentos a efetuar, designadamente a possibilidade de importação de dados de outras fontes; a existência de cruzamento com outras aplicações software; e a inclusão de dados à escala territorial de freguesia, algo também previsto pela equipa de projeto. Foi reconhecido o potencial de adaptação do Dashboard SCOPE a outros problemas de saúde e determinantes, aumentando de forma muito relevante o reconhecimento da sua utilidade no apoio à tomada de decisão em saúde pública. Os resultados da avaliação do protótipo do Dashboard SCOPE e do Workshop são favoráveis à utilização bem sucedida da Ciência de Dados Espaciais na construção de aplicações software funcionais para gestão de riscos espaciais durante eventos epidémicos, enquanto recursos adequados à preparação e resposta a futuras situações epidémicas e apoio à tomada de decisão.
- Efeito da interação entre calor extremo e poluição por partículas atmosféricas na mortalidade diária em Portugal continentalPublication . Canha, Filipa; Leite, Andreia; Silva, Susana; Gaio, VâniaIntrodução: O incremento da temperatura global e a poluição atmosférica no contexto das alterações climáticas representam riscos crescentes para a saúde. Os efeitos isolados destas exposições estão amplamente descritos, no entanto, apenas recentemente tem surgido evidência de efeito sinérgico entre calor e matéria particulada (PM, em inglês particulate matter). Este estudo teve como objetivos avaliar o efeito da interação entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade diária em Portugal continental e por distrito. Métodos: Análise de séries temporais em duas etapas para os verões (maio-setembro) de 2003 a 2023, utilizando dados diários da temperatura máxima, das concentrações médias de PM10 e PM2,5 separadamente, e da mortalidade por todas as causas em todos os distritos de Portugal continental. O calor extremo e a poluição elevada por PM foram definidos como valores acima do percentil 90 da sua distribuição. Para considerar os efeitos desfasados, utilizou-se a média móvel a 7 dias para as PM, e modelos não lineares com desfasamento distribuído, com um desfasamento de 10 dias, para a temperatura. Na primeira etapa, estimaram-se os riscos relativos cumulativos (RRc) da interação entre as exposições na mortalidade para cada distrito, correspondentes ao acréscimo de risco da sua ocorrência em relação à temperatura mínima de mortalidade (TMM) em condições de elevada poluição. Os RRc distritais foram combinados através de uma meta-análise de efeitos aleatórios, considerando a inclusão ou exclusão da versão portuguesa do Índice de Privação Europeu (EDI-PT) como meta-preditor. Resultados: Na maioria dos distritos de Portugal continental observou-se efeito de interação entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade, com um RRc que variou entre 1,01 (Intervalo de Confiança a 95% (IC 95%): 0,92; 1,11) e 1,35 (IC 95%: 1,17; 1,56) para o efeito de interação com poluição elevada por PM2,5, e entre 1,01 (IC 95%: 0,86; 1,19) e 1,35 (IC 95%: 1,17; 1,56) para a interação com poluição elevada por PM10, em comparação com o efeito da TMM e poluição elevada. Os efeitos de interação entre calor extremo e poluição elevada (PM2,5 e PM10) em Portugal continental, para temperatura no percentil 90, apresentaram ambos um RRc global de 1,03 (IC 95%: 1,01; 1,05). O EDI-PT não foi incluído na meta-análise por não explicar a heterogeneidade entre distritos. Discussão: Parece existir um efeito sinérgico entre o calor extremo e a poluição elevada por PM na mortalidade em Portugal continental. A integração do conhecimento proveniente destes resultados em medidas de saúde pública poderá contribuir para reforçar os sistemas de vigilância em saúde para melhor monitorizar e responder aos efeitos combinados do calor extremo e da poluição do ar, e mitigar os seus impactos na saúde.
- Paralisia Cerebral em Portugal no Século XXI: Risco e FuncionalidadePublication . Virella, Daniel; Folha, Teresa; Cadete, Ana; Alvarelhão, Joaquim; Calado, Eulália; Cabral, Alexandra; Gouveia, Rosa; Gaia, Teresa; Abrantes, Margarida; Cancelinha, Cândida; Lopes, Patrícia; Braz, Paula; Sousa Uva, Mafalda; Aniceto, CarlosO Programa de Vigilância Nacional da Paralisia Cerebral em Portugal (PVNPC) produz e publica evidência científica que contribua para a prevenção da paralisia cerebral (PC) e para satisfazer as necessidades de saúde, educação e apoio social das pessoas que vivem com PC. Este relatório apresenta informação sobre fatores de risco para a ocorrência de PC, a caracterização funcional e doença associada à PC, e outros indicadores relevantes de mais de 2700 crianças com PC nascidas entre 2001-2015 e/ou residentes em Portugal aos 5-8 anos de idade (entre 2006-2024). Estas crianças correspondem a mais de 80% dos casos de PC expectáveis (2/1000 nados-vivos) para estes períodos. Crianças com paralisia cerebral, nascidas em Portugal em 2001-2015 O risco das crianças nascidas em Portugal terem PC aos 5 anos de idade manteve-se estável ao longo dos primeiros 15 anos de nascimento deste século (1,7 casos por 1000 nados-vivos). Os indicadores de risco identificados chamam a atenção para a importância do esclarecimento da população, contribuindo para a promoção de comportamentos saudáveis, particularmente, de saúde reprodutiva. A prematuridade foi o fator de risco de PC mais frequente. A grande (28 a 31 semanas de gravidez) e a extrema prematuridade (menos de 28 semanas de gravidez) aumentaram o risco de PC respetivamente 47 vezes e 81 vezes, comparando com as crianças nascidas a termo (37 ou mais semanas de gravidez). A gravidez em idade tardia associou-se a maior risco de PC. Comparados com os filhos de mães entre os 20-34 anos, as mães com menos de 20 anos tiveram um risco 30% maior de ter uma criança com PC; as mães entre 35 e 39 anos, um risco 15% maior; nas mães entre os 40 e os 44 anos foi 50% maior; nas mães com mais de 44 anos, o risco foi 3 vezes maior. Nascer sem assistência adequada associou-se a maior risco de PC. O parto em casa, no transporte ou numa instituição de saúde sem maternidade, embora registado com pouca frequência em Portugal, teve uma estimativa de aumento de 12 vezes do risco de PC. Preocupa a tendência populacional para o aumento da ocorrência destes três fatores de risco em Portugal. Ser o primeiro filho, ser rapaz, nascer leve para o tempo de gravidez e a presença de malformação congénita também se associaram a maior risco de PC. Anomalias congénitas do sistema nervoso central, frequentemente associadas a infeção do grupo TORCHS (citomegalovirus), associaram-se a maior complexidade da PC. Ter anomalia congénita do sistema circulatório (maioritariamente anomalia cardíaca) associou-se à identificação de um evento tardio, pós-neonatal, como causa da PC. Destaca-se a PC causada por acidente vascular cerebral (AVC), nomeadamente nos períodos pré e perinatal. A proporção destes diagnósticos duplicou no período em análise (5% vs 11%), provavelmente pelo maior acesso ao diagnóstico pela neuroimagem. Em 8% das crianças com PC foi identificado um evento pós-neonatal como causa da PC (infeção, complicação de intervenção clínica, AVC). Verificou-se maior risco de PC nos concelhos com maior privação socioeconómica, num aumento de risco estimado em 25%. A privação socioeconómica nos concelhos de residência das mães na altura do nascimento, foi estimado pela versão portuguesa do European Deprivation Index. A avaliação do risco perinatal de PC é dificultada pela falta de dados populacionais. O início do registo de casos de encefalopatia hipóxico-isquémica, submetidos a hipotermia induzida e a implementação de registo nacional de hipotermia induzida contribuirão para maior conhecimento sistemático desta causa de PC. Nas crianças com PC residentes em Portugal aos 5 anos, o tipo clínico predominante registado com mais frequência foi o espástico (84%); menos frequentes foram o disquinético (11%) e o atáxico (5%). O uso generalizado da ressonância magnética crânio-encefálica contribuiu para identificar o processo causal mais provável da PC e estimar o prognóstico de cada criança. Lesões predominantes da substância branca (38%) e da substância cinzenta (31%) foram as registadas com maior frequência; as malformações cerebrais foram identificadas como predominantes em 16%. Ao longo do tempo, há uma tendência para diminuição da proporção de crianças com PC em que a lesão da substância branca é predominante. As crianças com PC espástica apresentavam maioritariamente lesão da substância branca (42%); as com PC disquinética, lesão da substância cinzenta (60%); a proporção de ressonância magnética normal foi maior (24%) nas crianças com PC atáxica. Entre as crianças com PC residentes em Portugal aos 5-8 anos, 9,5% nasceu no estrangeiro, com tendência para o aumento ao longo dos anos (17% nos anos mais recentes). Nas crianças imigrantes houve maior proporção das PC disquinéticas e maior proporção de casos com maior complexidade da PC. Em metade das crianças com PC residentes em Portugal aos 5-8 anos foi registado um compromisso grave da motricidade global (GMF-CS: níveis III, IV e V), i.e., sem autonomia da marcha, assim como da motricidade fina dos membros superiores (BFMF: níveis III, IV e V), i.e., necessitando de meios auxiliares da atividade. Quase metade das crianças não conseguia fazer-se entender pela fala fora do seu contexto familiar; necessitando meios alternativos e aumentativos para a comunicação. Mais de um quarto (28%) das crianças apresentava défice nutricional acentuado, com peso abaixo do percentil 3. Registou-se compromisso do desenvolvimento cognitivo (QI < 70) em 61% das crianças, e compromisso cognitivo moderado a grave (QI <50) em 46%. Globalmente, 71% das crianças encontravam incluídas no ensino regular em idade pré-escolar e 53% em idade de escolaridade obrigatória. Esta proporção foi muito inferior nas crianças imigrantes.
