DEP - Posters/abstracts em congressos nacionais
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- Distribuição geográfica da prevalência de anomalias cardíacas congénitas em Portugal: dados do Registo Nacional de Anomalias Congénitas entre 2000 e 2023Publication . de Carvalho Aniceto, Carlos André; Braz, Paula; Matias Dias, CarlosAntecedentes/Objetivos: As anomalias cardíacas congénitas (ACC) afetam cerca de 1,8% dos nados-vivos (NV) em todo o mundo, e são uma das principais causas de mortalidade e morbilidade (1). A etiologia é complexa, e fatores ambientais são sugeridos como importantes contribuintes (2). É objetivo deste estudo analisar a distribuição geográfica da prevalência de ACC em Portugal Continental. Métodos: Estudo epidemiológico observacional, transversal. Dados: número anual ACC diagnosticadas em nados-vivos (NV)(Fonte: RENAC) e número total de NV (Fonte: INE) desagregadas por concelho e por ano entre 2000 e 2023. Para avaliar a distribuição espacial da PACC aplicaram-se métodos de autocorrelação espacial, calculando-se os seguintes indicadores para 2000-2010 e 2011-2023: (i) PACC, pelo método Bayesiano empírico; (ii) indicador de concentração espacial de PACC, pelo Índice Local de Moran I univariado (3). Resultados: Num total de 6656 NV, a prevalência de ACC para o período em estudo foi de 42,2 casos/10000 nados vivos. Entre 2000-2010 registaram-se PACC mais elevadas nos concelhos da região Oeste e Vale do Tejo, destacando-se Almeirim com a prevalência mais elevada (TPC = 145,4 casos / 104 nados-vivos). Identificaram-se 4 clusters de PAAC mais elevadas, estatisticamente significativos (p≤0,05), localizados em alguns concelhos das regiões Oeste e Vale do Tejo, Centro e Algarve. Entre 2011-2023 observaram-se PACC mais elevadas nos concelhos das regiões Oeste e Vale do Tejo e Centro, salientando-se o Sardoal com a prevalência mais elevada (TPC = 264,2 casos / 104 nados-vivos). Identificaram-se 2 clusters de PAAC mais elevadas, estatisticamente significativos (p≤0,05), em alguns concelhos das regiões Oeste e Vale do Tejo e Centro. Em todos os clusters identificados as anomalias dos septos cardíacos foram as mais frequentes. Discussão/Conclusão: A aplicação dos métodos de autocorrelação espacial, revelam-se úteis para identificar e comparar padrões geográficos de PACC. Em linha com estudos internacionais, observou-se uma concentração de prevalência de ACC em alguns concelhos do Continente, que poderá estar associada a exposições ambientais. Estes resultados mostram a necessidade de análises mais complexas, sendo fundamental que a georreferenciação dos casos no RENAC seja mais específica, permitindo realizar estudos que contribuam para estratégias de saúde pública na prevenção de ACC.
- Quantas anomalias congénitas se devem ao tabaco? Estimativa da fração atribuível populacional em Portugal, 2018–2019Publication . Leite, Andreia; Godinho, Marta; Braz, Paula; Machado, Ausenda; Matias-Dias, CarlosIntrodução: O consumo de tabaco aumenta o risco de anomalias congénitas, em particular as anomalias cardiovasculares e fenda labial e palatina. Este estudo pretende estimar a fração de anomalias congénitas em Portugal atribuíveis ao consumo de tabaco, com base em informação do Registo Nacional de Anomalias Congénitas (RENAC). Métodos: Foram estimados os riscos atribuíveis populacionais (RAP) e intervalos de confiança a 95% (IC95%) para as anomalias congénitas previamente associadas ao consumo de tabaco com recurso à ferramenta PEACE (Population Estimate of Attributable Fraction of Congenital Conditions Everywhere). Esta ferramenta considera os valores de prevalência de anomalias congénitas e de consumo de tabaco. Os mesmos foram obtidos a partir de informação publicada: a prevalência das anomalias congénitas selecionadas do relatório do RENAC de 2018/2019, que integra o registo europeu e segue os seus critérios de qualidade técnica e científica; a prevalência de consumo de tabaco obtida a partir da literatura, tendo sido identificado trabalho prévio com recurso a análise dos dados do Inquérito Nacional de Saúde em Portugal, de 2019, e estimativa da prevalência de consumo de tabaco na gravidez. Foram estimados os casos que seriam prevenidos considerando dois cenários, redução em 30% e em 50% do consumo de tabaco nas grávidas. Resultados: A prevalência de consumo de tabaco na gravidez no estudo identificado foi de 8,1%. Foram obtidos os riscos atribuíveis na população para anomalias do olho [RAP: 2,0% (IC95%: 0,9-3,1%]), anomalias cardíacas [0,9% (0,2-1,7%)], defeitos do septo auricular [2,7% (0,2-5,7%)] e auriculoventriculares [2,8% (0,1-6,2%)], canal arterial patente [1,7% (0,1-3,4%)], a fenda palatina [1,8% (0,8-2,8%)], a fenda labial [2,7% (2,0-3,4%)], a atresia anorretal [1,6% (0,5-2,8%)], a criptorquidia [1,4 (0,9-1,8)], o pé boto [2,1% (0,8-3,7%)], anomalias dos membros [2,1% (1,2-3,1%)] e craniossinostose [2,6% (0,7-5,6%)]. A redução em 30% do consumo de tabaco permitiria prevenir 10 casos de entre as anomalias congénitas analisadas; uma redução em 50% preveniria 18 casos. Discussão e Conclusão: O tabaco contribui para a ocorrência de 1 a 3% dos casos das anomalias congénitas analisadas em 2018-19. A informação proveniente do RENAC encontra-se limitada pela subnotificação de casos. Por outro lado, a estimativa de consumo de tabaco na gravidez está sujeita a viés de memória. Estudos futuros poderão considerar outros períodos, fontes de informação complementares e a análise de outros fatores de risco e desfechos. A prevenção de consumo de tabaco e a promoção da cessação podem contribuir para a prevenção das anomalias congénitas. As consultas de aconselhamento pré-concecional e nas primeiras semanas de gravidez constituem uma oportunidade para tal.
- Trends in community-acquired pneumonia hospitalisations and associated cardiovascular risk in Portugal, 2010-2018Publication . Carneiro, Joana; Teixeira, Rita; Leite, Andreia; Lahuerta, Maria; Catusse, Julie; Ali, Mohammad; Lopes, SílviaCommunity-acquired pneumonia (CAP) is a major cause of hospitalisation, with substantial morbidity, mortality, and costs. We aimed to better understand CAP hospitalisations in Portugal, in terms of their trends and risk of subsequent acute cardiovascular events. We used data on hospitalisations, comorbidities prevalence, and population. CAP hospitalisations (CAP-H) of adults (≥18y) living in mainland Portugal discharged from a public hospital in 2010-18 were identified using ICD-9/10-CM codes. In a retrospective cohort analysis, we described the frequency and incidence of CAP-H per gender, age group, comorbidity, and year of discharge. Trends in incidence were explored using joinpoint regression. For a selected subgroup with CAP-H and cardiovascular hospitalization, we then conducted a self-controlled case series (SCSS), using CAP-H as exposure (14, 28 and 91-days exposure periods) and acute cardiovascular (stroke or myocardial infarction – MI) hospitalisations as the outcome. Incidence rate ratios (IRR) were computed using a conditional Poisson regression. We studied 469,944 CAP-H (66% aged ≥75 years; 55% male). Frequently recorded comorbidities were congestive heart failure, diabetes, and chronic pulmonary disease (19% or more). The incidence of CAP-H ranged between 7.1in 2012 and 5.6 in 2018. We identified a gradual decline in the incidence rates of CAP-H for both genders and all age groups (annual percent change: -1.50 or more). CAP-H decreased over time for patients with diabetes and AIDS/HIV, while increased for chronic renal disease patients. For the remaining 6 comorbidities, an upward trend was followed by a decreasing trend. In SCSS, a sample of 13 494 patients (stroke: 77%, MI: 23%), mostly male (stroke: 52%, MI: 55%) and 75 years or older (stroke: 78%, MI: 70%) was analyzed. Stroke/MI hospitalisation incidence was higher following CAP-H, compared to the baseline period. Increased incidence was observed especially in the 14 days after discharge (IRR for stroke: 2.55; IRR for MI: 3.23), compared to the 28-days (stroke: 2.06; MI: 2.62), and 91-days periods (stroke: 1.37; MI: 1.75) (p<0.05). Our findings show a decline in the incidence of CAP-H and an increased risk of cardiovascular events after a CAP-H episode. These results highlight the need for clinicians and the health system to undertake continued and coordinated efforts, to reduce CAP-H and when it cannot be avoided, to address possible cardiovascular risks.
- Vigilância do vírus sincicial respiratório em crianças menores de 2 anos em Portugal, 2022/23Publication . Guiomar, Raquel; Verdasca, Nuno; Melo, Aryse; Gomes, Licínia; Henriques, Camila; Dias, Daniela; Lança, Miguel; Torres, Ana Rita; Pernadas, Bernardo; Gaio, Vânia; Rodrigues, Ana PaulaO vírus sincicial respiratório (Respiratory Syncytial Virus - RSV) é um dos principais agentes etiológicos de infeções respiratórias do trato respiratório inferior, com elevado impacto na morbilidade e mortalidade em crianças menores de 5 anos. É por isso considerado um problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde, com prioridade na vigilância e prevenção. Este trabalho pretende descrever e caraterizar os casos de infeção por RSV identificados no sistema de vigilância VigiRSV durante a época 2022/23.
- Pequenos acidentes de grande variedade de agentes (externos), em casa, nas crianças até aos 9 anos, em 2019Publication . Alves, Tatiana; Silva, Susana; Braz, Paula; Aniceto, Carlos; Neto, Mariana; Matias Dias, CarlosEm Portugal, as causas externas de lesão na população infantil têm representado motivo de análise, na medida em que, ocupam a terceira causa de internamento hospitalar de crianças entre os 5 e os 9 anos de idade. Neste grupo populacional merecem destaque os Acidentes Domésticos e de Lazer (ADL), dado constituírem cerca de 14% do total de admissões ao Serviço de Urgência (SU). Importa salientar que os acidentes e as lesões têm sido identificados como um dos problemas de saúde mais relevantes no desenvolvimento saudável das crianças e jovens, dado constituírem causas evitáveis de morbilidade. O presente estudo foi desenvolvido de modo a conhecer a amplitude do tipo de produtos e, ou, objetos envolvidos nos acidentes ocorridos em casa, que direta ou indiretamente possam ter contribuído para a sua ocorrência, por mecanismo de lesão, localização e idade, os quais implicaram recurso aos serviços de urgência, durante o ano de 2019. Procedeu-se a um estudo observacional, descritivo, transversal utilizando os dados recolhidos entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2019, pelo sistema EVITA. Os dados são provenientes dos registos efetuados nos serviços de urgência hospitalares, no âmbito das notificações realizadas pelas entidades de saúde da rede do sistema EVITA. Foi realizada uma análise descritiva e secundária dos dados desagregados pelas variáveis idade, sexo, local de ocorrência, mecanismo de lesão e produto, ou, objeto direta ou indiretamente envolvido. Em 2019, no grupo das crianças dos 0 aos 9 anos ocorreram 12 594 ADL, representando cerca de 14,4% do total de acidentes registados nesse período. Considerando a idade, observou-se que 68,3% dos ADL ocorreram nas crianças até aos 4 anos e 31,7% nas crianças entre os 5 e os 9 anos. A maioria dos casos de acidentes em casa foram devido a queda (66,9%), na sequência de contacto com outra pessoa ou objeto (10,9%) e por corte/perfuração (8,0%). A análise dos ADL devido a queda (n=7854), pelos principais objetos/produtos envolvidos e grupos etários permitiu verificar o predomínio da “banheira/poliban” no espaço da casa-de-banho; na cozinha destacaram-se os acidentes com envolvimento da “cadeira/banco”, quer no grupo etário dos 0 aos 4 anos (34,2%), quer no grupo etário dos 5 aos 9 anos (35,0%); no quarto foi notória a maior proporção de quedas da “cama” nas crianças dos 0-4 (78,1%) e dos 5-9 anos (72,7%); no espaço relativo à sala de estar o “sofá” representou 53,4% das quedas no grupo dos 0-4 e 40,5% no grupo dos 5-9 anos. Decorre destes resultados, que a idade da criança ocupa um papel relevante na frequência da ocorrência de quedas. Assim, em função da idade, interligada com importantes etapas do seu desenvolvimento devem ser consideradas para a compreensão das quedas em idade pediátrica. Confirma-se ainda, a utilidade do conhecimento produzido a partir de EVITA no suporte e planeamento de medidas de prevenção simples e dirigidas, em função da idade e do local em que a criança se encontra.
- Evolução da infeção pelo vírus da Hepatite C em dadores de sangue e população geral em Portugal entre 2015 e 2022Publication . Santos, João Almeida; Mendonça, Pedro; Escoval, Maria Antónia; Pedro, IsaíasIntrodução A elevada taxa de progressão para a cronicidade e o potencial evolutivo para cirrose e carcinoma hepatocelular, fazem da infeção pelo vírus da Hepatite C (VHC) um grave problema de saúde pública. O risco de transmissão do VHC por transfusão sanguínea tem sido minimizado pelo desenvolvimento de testes cada vez mais sensíveis na deteção dos anticorpos anti-VHC, bem como da implementação da detecção do RNA-VHC através de Testes de Amplificação de Ácidos Nucleicos. Objetivo Caracterizar a evolução da infeçáo por VHC em dadores de sangue e população geral em Portugal (2015-2022). Material e métodos Estudo retrospetivo com dados obtidos do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), DGS e INE. Foi calculada a proporção anual de dadores VHC positivos por 100 000 dadores e a proporção de VHC positivos por 100 000 habitantes (população geral). A tendência da variação percentual média anual (AAPC) foi estimada através do software Joinpoint®. Resultados Entre 2015 e 2022, foram identificadas 135 dadores com VHC, correspondendo a uma média de 17 casos/ano (min-max: 9-22). Na população geral, foram notificados no mesmo período 1721 casos, correspondendo a uma média de 215 casos/ano. Em termos de tendência, a proporção de dádivas VHC positivas ter vindo a diminuir mas esta tendência decrescente não foi estatisticamente significativa (AAPC=-2.9, p=0.45). Na população geral, a tendência de casos notificados de VHC tem vindo a diminuir de forma estatisticamente significativa (AAPC=-7.4, p=0.02). Globalmente, a maioria dos casos são do sexo masculino em ambas as populações. Anualmente, na população em geral o número de homens é sempre cerca 3x superior ao das mulheres (2.5-3.6), mas nos dadores os valores são mais próximos ou chegando mesmo a inverter (mulheres>homens). Discussão e Conclusão Os resultados obtidos permitem constatar que a infecção pelo VHC permance um problema de saúde pública em Portugal, continuando a existir indivíduos que desconhecem que se encontram infetados. A não deteção destes casos assintomáticos representa um problema não só em termos de transmissão do agente na comunidade, mas também como potencial risco de transmissão através da dádiva de sangue. Os dados da hemovigilância em Portugal demonstram um esforço continuado na melhoria da deteção destes casos, especialmente através do avanço tecnológico das técnicas de rastreio, o que tem permitido manter o risco residual infecioso em valores perto de zero (0.0-0.06/100 000 dádivas).
- Mortalidade e anos de vida perdidos por COVID-19 em Portugal dois anos de pandemiaPublication . Santos, João Almeida; Martins, Carla; Assunção, RicardoIntrodução: O impacto da pandemia COVID-19 na população portuguesa não é ainda conhecido na sua totalidade. A caracterização dos anos de vida perdidos prematuramente atribuídos à COVID-19 pode fornecer informação relevante para o desenvolvimento e implementação de estratégias de prevenção e controlo de doenças infeciosas no futuro. Objetivos: Calcular os anos de vida perdidos (YLL) atribuídos às mortes por COVID-19, em Portugal, entre março de 2020 e março de 2022. Métodos: Estudo observacional e transversal. Os dados sobre a população residente média e a esperança de vida à nascença por grupo etário e sexo foram obtidos a partir do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Estudo Global de Carga de Doença 2019, respetivamente. Os dados sobre as mortes por COVID-19 foram extraídos dos relatórios da Direção-Geral da Saúde (DGS). Os YLL foram calculados como o número de mortes por COVID-19 multiplicado pela esperança de vida padrão na idade da morte. YLL foram calculados globalmente, por sexo e por faixa etária (YLL/100 000 habitantes e ajustado por idade). Resultados: Entre 2020 e 2022, foram notificados 3 413 013 casos de COVID-19 em Portugal, dos quais 21 342 (0,6%) morreram devido à doença. Globalmente, os YLL estimados para a COVID-19 em Portugal foram 309 383,8, sendo mais elevados para os homens que para as mulheres na maioria dos grupos etários, exceto nos grupos etários 10-19 anos (76,5 vs 153,1) e > 80 anos (58710,9 vs 68491,4). Os YLL ajustados por idade também mostraram um aumento constante à medida que progredimos na faixa etária [de 3,3 (0-9 anos) para 885,5 (>80 anos)], em que a faixa etária onde se observa um aumento mais acentuado foi a faixa etária de 50-59 anos. Conclusões: COVID-19 teve um impacto nas taxas de mortalidade em Portugal, sendo esse impacto maior na população mais idosa, sobretudo nas pessoas com mais de 70 anos. Os homens apresentaram YLL mais elevados do que as mulheres, sendo que esta diferença aumentou substancialmente à medida que a idade progride. Estes dados representam informação potencialmente relevante para a definição de medidas de saúde pública em fase endémica e em futuras epidemias.
- Sintomas de COVID-19 durante predominância da variante Delta versus Ómicron: coorte prospetiva de profissionais de saúdePublication . Gaio, Vânia; Ramalhete, Sara; Santos, Ana João; Melo, Aryse; Guiomar, Raquel; Machado, AusendaIntrodução: A apresentação clínica da COVID-19, na maioria dos pacientes infetados, foi considerada como leve sem necessidade de hospitalização. No entanto, ao longo da pandemia, o padrão de sintomatologia variou, nomeadamente pela influência da introdução da vacina, mas também consoante a variante SARS-CoV-2 em circulação. Objetivos: Neste estudo pretende-se comparar a sintomatologia autorreportada pelos profissionais de saúde num período de predominância (>50%) da variante Delta (PVD) comparativamente a um período de predominância da Variante Ómicron (PVO). Metodologia: Foram utilizados os dados de um estudo de coorte realizado entre 1 de junho de 2021 e 26 de janeiro de 2022, no qual foram seguidos 3255 profissionais de saúde (PS) com idades compreendidas entre os 18 e os 70 anos. Foram comparados os sintomas autorreportados pelos PS que manifestaram doença sintomática (teste PCR positivo e autorreporte de sintomas) durante o período de PVD (1.6.2021 a 19.12.2021) comparativamente ao período de PVO (3.1.2022 a 26.1.2022). As diferenças entre os dois grupos foram analisadas usando o teste Qui-quadrado ou o teste exato de Fisher no caso de menos de 5 eventos. Resultados: De entre o total de 3255 PS seguidos, 84 tiveram um teste positivo com reporte de sintomatologia durante o período do estudo (43 durante o período PVD e 41 durante o período PVO). Os sintomas febre, anosmia, e ageusia foram mais reportados durante o período PVD comparativamente ao período PDO (46,2% versus 21,6%, p=0.04; 64,3% versus 11,1%, p<0.001; 56,1% versus 17,1%, p=0.001). O sintoma dor de garganta foi mais reportado durante o período PVO do que no período PVD (9,0% versus 36,7%, p=0.006). As percentagens dos casos sintomáticos que tinham a 1ª dose de reforço da vacina foram de 45,7% e 91,4% nos períodos PVD e PVO, respetivamente. Conclusões: Os resultados obtidos através deste estudo permitiram verificar que houve uma alteração nas frequências dos sintomas reportados pelos PS durante o período PVD comparativamente ao período PVO. É essencial o desenvolvimento e manutenção de estudos de seguimento que permitam monitorizar a evolução desta sintomatologia para reconhecer a apresentação clínica da doença e identificar possíveis causas virológicas e imunológicas para as alterações observadas.
- Tendência epidemiológica de casos de brucelose em Portugal entre 2002 e 2022Publication . Santos, João Almeida; Aires, Joana; Martins, CarlaIntrodução: Apesar do sucesso das estratégias de prevenção implementadas no controle da brucelose, Portugal permanece um dos países com maior taxa de notificação por 100 000 habitantes da União Europeia. A monitorização da doença é assim um instrumento essencial para a implementação precoce de medidas de prevenção, de forma a limitar a ocorrência de surtos na população. Objetivo: Analisar a tendência temporal dos casos notificados de brucelose em Portugal, entre 2002 e 2022. Material e Métodos Estudo observacional retrospetivo baseado nos casos notificados de brucelose em Portugal (2002-2022). Os dados foram recolhidos a partir da DGS, ECDC e INE. Estatística descritiva e análise da tendência temporal foram realizadas em termos globais, por sexo e faixa etária. Resultados: Entre 2002 e 2022, foram notificados 1435 casos de brucelose, a maioria do sexo masculino (60.1%), com idade compreendidas entre 25 e 64 anos (68.8%). A variação percentual média anual (AAPC) da incidência apresentou uma tendência decrescente estatisticamente significativa (-11.1%, 2002-2022). Analisando a tendência da variação percentual anual (APC) observou-se três períodos distintos: entre 2002-2008 houve uma tendência decrescente estatisticamente significativa (-15.3%), entre 2008-2011 houve uma tendência crescente não significativa (+2.4%), e entre 2011-2022 houve uma tendência decrescente estatisticamente significativa (-14.5%). Apesar da incidência da doença ser maior nos homens do que nas mulheres, na maioria dos anos, a incidência nos homens e mulheres apresentou uma tendência decrescente estatisticamente significativa (AAPC=-11.3% e -10.5%, respetivamente) muito próxima. Foi igualmente observada uma tendência decrescente de incidência estatisticamente significativa em todas as faixas etárias analisadas. Conclusão: Nos últimos vinte anos, a incidência de brucelose diminuiu significativamente, refletindo os avanços significativos no controlo e prevenção da doença. Vários fatores poderão contribuir para esta diminuição: a melhoria do sistema de notificação, mudanças socioeconómicas, educação/consciencialização e os programas de erradicação da brucelose animal. A tendência observada confirma o sucesso das intervenções adotadas, no entanto, também confirma que a brucelose não está erradicada em Portugal. De forma a manter a tendência decrescente, é essencial a vigilância de casos para desenvolver estratégias para controlar a brucelose, não apenas a nível humano, mas também a nível animal e ambiental
- Hospitalizações por Hepatite A em Portugal – Análise da tendência entre 2013-2022Publication . Santos, João Almeida; Fonseca, Yasmin; Almeida, AnaIntrodução: A Hepatite A é uma doença infeciosa provocada pelo vírus da Hepatite A (VHA). A principal via de transmissão é fecal-oral, embora a transmissão sexual tenha vindo a desempenhar um papel mais preponderante na disseminação deste agente. Existe uma associação entre a incidência de Hepatite A com o acesso à água potável e indicadores socioeconómicos. Regiões globais de alta renda têm um reduzido número de novos casos de doença, no entanto a maioria dos diagnósticos é realizado em adultos, faixa etária em que a doença tende a apresentar maior gravidade, com consequências na morbilidade e mortalidade. A infeção por VHA pode ser assintomática, subclínica ou provocar insuficiência hepática aguda. O diagnóstico precoce da infeção é essencial, a hidratação adequada e controlo dos sintomas integram o processo terapêutico. É fundamental a prestação de cuidados intensivos, multidisciplinares para o reconhecimento de fatores de mau prognóstico, como complicações hepáticas ou extra-hepáticas. Objetivo: Caraterizar a tendência de hospitalizações por Hepatite A ocorridas em Portugal entre 2013 e 2022. Material e métodos: Estudo observacional retrospetivo, que analisou a tendência de hospitalizações por hepatite A identificadas na Base de Dados de Morbilidade Hospitalar (BDMH/ACSS), utilizando os códigos 070.0 e 070.1 (ICD-09) e B15 e B15.9 (ICD-10), entre 2013 e 2022. Estatística descritiva foi realizada através SPSS® ver.25 e a tendência das hospitalizações foi estimada através do Joinpoint Regression Program 5.0.2. Resultados: Entre 2013 e 2022, ocorreram 546 hospitalizações por Hepatite A com uma mediana de duração de 5 dias (0-133 dias). A maioria das hospitalizações corresponderam a indivíduos do sexo masculino (n=391; 71,6%), com idades entre 25 e 44 anos (n=231; 42.3%). Apenas 5.5% das hospitalizações envolverem crianças com idade <14anos. Neste período registaram-se 13 óbitos, sendo a maioria do sexo feminino (n=7; 54%), com idades compreendidas entre 44 e 86 anos (mediana 63 anos). A tendência crescente das hospitalizações foi estatisticamente significativa quer quando avaliada globalmente (+40.7, p=0.04), quer quando observada de forma distinta em homens (+53.4, p=0.04) e mulheres (+35.5, p=0.02). A tendência crescente foi mais acentuada em homens do que em mulheres. As faixas etárias 45-64 e >65 anos foram as únicas a apresentar uma tendência crescente estatisticamente significativa (+39.2, p=0.01; +46.8, p=0.004). Discussão e Conclusão: Em Portugal, o número de novos casos de doença reportados é baixo. A diminuição dos casos, apesar de ser um bom indicador da melhoria das condições higieno-sanitárias, aumenta a possibilidade da ocorrência de surtos pois a população tenderá a ver reduzida a sua imunidade natural contra a doença. A maioria dos diagnósticos ocorre em indivíduos de idade adulta, traduzindo-se no aumento da gravidade da doença e consequentemente no aumento das hospitalizações. Nas regiões urbanas, Lisboa e Porto, a disseminação da infeção foi associada maioritariamente a transmissão sexual. A monitorização da doença é fundamental para a implementação precoce de medidas de prevenção, de forma a mitigar danos que um surto possa ter na população e auxiliar no desenvolvimento de estratégias de saúde pública no controlo da Hepatite A.
