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DEP - Posters/abstracts em congressos nacionais

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  • Perceções e preocupações dos cidadãos portugueses sobre a exposição a substâncias químicas perigosas
    Publication . Namorado, Sónia; Silva, Maria João; Louro, Henriqueta; Isidro, Glória; Lobo Vicente, Joana; HBM4EU Citizen Survey Study Group
    Introdução e objetivo: É do conhecimento comum que a exposição a substâncias químicas pode causar efeitos adversos na saúde. Para minimizar a exposição é essencial informar a população e contribuir para a consciencialização da importância da tomada de decisões informadas no que respeita a comportamentos e estilos de vida promotores da saúde, através do desenvolvimento de intervenções dirigidas. Com o objetivo de obter informações sobre o conhecimento e perceções da população sobre a exposição a substâncias químicas foi realizado um inquérito aos cidadãos dos 30 países participantes na Iniciativa Europeia em Biomonitorização Humana (HBM4EU), incluindo Portugal.
  • Economia circular e reciclagem de resíduos eletrónicos: o papel da biomonitorização humana na identificação de potenciais riscos ocupacionais
    Publication . Silva, Maria João; Tavares, Ana; Rosário, Rita Lopes; Ventura, Célia; Namorado, Sónia; Martins, Carla; Louro, Henriqueta; Viegas, Susana
    A reciclagem dos resíduos produzidos pela sociedade moderna, incluindo os resíduos elétricos e eletrónicos (REEE), é fundamental para a economia circular, um dos pilares do Pacto Ecológico Europeu. Porém, pode também representar um problema de saúde ocupacional, devido à exposição dos trabalhadores a metais (p.ex. chumbo e cádmio) e a compostos orgânicos (p.ex. ftalatos, PCBs) tóxicos. Como consequência, poderão surgir, a longo prazo, patologias respiratórias, renais, neurológicas ou oncológicas. Apresenta-se um estudo multicêntrico harmonizado de biomonitorização humana envolvendo indústrias de gestão de REEE localizadas em diversos países europeus, cujo objetivo consistiu em avaliar a exposição dos trabalhadores a substâncias químicas nocivas para a saúde e os seus efeitos precoces. Caracterizou-se a exposição através da medição dos compostos ou seus metabolitos em amostras de sangue e urina dos trabalhadores, comparativamente a um grupo de controlo, e os seus potenciais efeitos através da análise de biomarcadores de genotoxicidade em células bucais e sanguíneas. Os resultados evidenciaram a exposição de alguns grupos de trabalhadores a metais, com destaque para o chumbo, e a compostos orgânicos, incluindo PCBs e ftalatos. Relativamente aos biomarcadores de efeito, observou-se uma tendência para um acréscimo de instabilidade cromossómica local e sistémica nos trabalhadores expostos vs. controlos. Este estudo, iniciado no âmbito da Iniciativa Europeia em Biomonitorização Humana (HBM4EU) e continuado na Parceria para Avaliação do Risco de Químicos (PARC), permitiu identificar potenciais riscos para a saúde de trabalhadores envolvidos na gestão de REEE. Esses riscos deverão ser mitigados através da revisão/implementação de regulamentação, promoção do uso de novas tecnologias e/ou sistemas de proteção mais seguros e capacitação dos trabalhadores para a sua correta utilização.
  • Linear Regression Analysis of Harmonized IgG Antibody Levels Against the SARS-CoV-2 Spike Protein: A Cohort Study in Healthcare Workers
    Publication . Saraiva, Ana Leonor; Afreixo, Vera; Machado, Ausenda; Gaio, Vânia
    The emergence of COVID-19 in 2019 led to the rapid development of vaccines and diagnostic tests. To assess antibody responses in healthcare workers (HCWs), a cohort study was conducted between 2021 and 2022 across three Portuguese hospitals. Antibody levels were measured at six time points: prevaccination, post-vaccination, and at 3, 6, and 12 months after the vaccination, as well as after the booster dose. Each hospital used a different assay: Abbott’s CMIA, Roche’s Elecsys® ECLIA, and Siemens’ ADVIA Centaur®, posing challenges for data comparability. The study aimed to harmonize serological data across these hospitals and to model antibody increases and decreases over time using linear regression. To ensure adequate conversion of antibody titers from different laboratory methods, quantile harmonization, and Deming regression were applied. After harmonization, three linear regressions were fitted: one for the increase between prevaccination and post-vaccination, another for the decrease between post-accination and 12 months after vaccination, and finally, one for the increase between 12 months after vaccination and after the booster dose. Models included variables such as prior infection, age, hospital, smoking status, contact with COVID-19 patients, and chronic conditions. In the phase-specific analysis, in addition to variations between hospitals in the regression of the last increase after the booster dose, it was observed that individuals over 50 years of age exhibited a superior immune response (811 550; IC 95%: 598 774, 1 024 327; p < 0.001). This higher percentage increase may be explained by initially lower levels, unlike younger individuals who had higher titers.
  • Distribuição geográfica da prevalência de anomalias cardíacas congénitas em Portugal: dados do Registo Nacional de Anomalias Congénitas entre 2000 e 2023
    Publication . de Carvalho Aniceto, Carlos André; Braz, Paula; Matias Dias, Carlos
    Antecedentes/Objetivos: As anomalias cardíacas congénitas (ACC) afetam cerca de 1,8% dos nados-vivos (NV) em todo o mundo, e são uma das principais causas de mortalidade e morbilidade (1). A etiologia é complexa, e fatores ambientais são sugeridos como importantes contribuintes (2). É objetivo deste estudo analisar a distribuição geográfica da prevalência de ACC em Portugal Continental. Métodos: Estudo epidemiológico observacional, transversal. Dados: número anual ACC diagnosticadas em nados-vivos (NV)(Fonte: RENAC) e número total de NV (Fonte: INE) desagregadas por concelho e por ano entre 2000 e 2023. Para avaliar a distribuição espacial da PACC aplicaram-se métodos de autocorrelação espacial, calculando-se os seguintes indicadores para 2000-2010 e 2011-2023: (i) PACC, pelo método Bayesiano empírico; (ii) indicador de concentração espacial de PACC, pelo Índice Local de Moran I univariado (3). Resultados: Num total de 6656 NV, a prevalência de ACC para o período em estudo foi de 42,2 casos/10000 nados vivos. Entre 2000-2010 registaram-se PACC mais elevadas nos concelhos da região Oeste e Vale do Tejo, destacando-se Almeirim com a prevalência mais elevada (TPC = 145,4 casos / 104 nados-vivos). Identificaram-se 4 clusters de PAAC mais elevadas, estatisticamente significativos (p≤0,05), localizados em alguns concelhos das regiões Oeste e Vale do Tejo, Centro e Algarve. Entre 2011-2023 observaram-se PACC mais elevadas nos concelhos das regiões Oeste e Vale do Tejo e Centro, salientando-se o Sardoal com a prevalência mais elevada (TPC = 264,2 casos / 104 nados-vivos). Identificaram-se 2 clusters de PAAC mais elevadas, estatisticamente significativos (p≤0,05), em alguns concelhos das regiões Oeste e Vale do Tejo e Centro. Em todos os clusters identificados as anomalias dos septos cardíacos foram as mais frequentes. Discussão/Conclusão: A aplicação dos métodos de autocorrelação espacial, revelam-se úteis para identificar e comparar padrões geográficos de PACC. Em linha com estudos internacionais, observou-se uma concentração de prevalência de ACC em alguns concelhos do Continente, que poderá estar associada a exposições ambientais. Estes resultados mostram a necessidade de análises mais complexas, sendo fundamental que a georreferenciação dos casos no RENAC seja mais específica, permitindo realizar estudos que contribuam para estratégias de saúde pública na prevenção de ACC.
  • Quantas anomalias congénitas se devem ao tabaco? Estimativa da fração atribuível populacional em Portugal, 2018–2019
    Publication . Leite, Andreia; Godinho, Marta; Braz, Paula; Machado, Ausenda; Matias-Dias, Carlos
    Introdução: O consumo de tabaco aumenta o risco de anomalias congénitas, em particular as anomalias cardiovasculares e fenda labial e palatina. Este estudo pretende estimar a fração de anomalias congénitas em Portugal atribuíveis ao consumo de tabaco, com base em informação do Registo Nacional de Anomalias Congénitas (RENAC). Métodos: Foram estimados os riscos atribuíveis populacionais (RAP) e intervalos de confiança a 95% (IC95%) para as anomalias congénitas previamente associadas ao consumo de tabaco com recurso à ferramenta PEACE (Population Estimate of Attributable Fraction of Congenital Conditions Everywhere). Esta ferramenta considera os valores de prevalência de anomalias congénitas e de consumo de tabaco. Os mesmos foram obtidos a partir de informação publicada: a prevalência das anomalias congénitas selecionadas do relatório do RENAC de 2018/2019, que integra o registo europeu e segue os seus critérios de qualidade técnica e científica; a prevalência de consumo de tabaco obtida a partir da literatura, tendo sido identificado trabalho prévio com recurso a análise dos dados do Inquérito Nacional de Saúde em Portugal, de 2019, e estimativa da prevalência de consumo de tabaco na gravidez. Foram estimados os casos que seriam prevenidos considerando dois cenários, redução em 30% e em 50% do consumo de tabaco nas grávidas. Resultados: A prevalência de consumo de tabaco na gravidez no estudo identificado foi de 8,1%. Foram obtidos os riscos atribuíveis na população para anomalias do olho [RAP: 2,0% (IC95%: 0,9-3,1%]), anomalias cardíacas [0,9% (0,2-1,7%)], defeitos do septo auricular [2,7% (0,2-5,7%)] e auriculoventriculares [2,8% (0,1-6,2%)], canal arterial patente [1,7% (0,1-3,4%)], a fenda palatina [1,8% (0,8-2,8%)], a fenda labial [2,7% (2,0-3,4%)], a atresia anorretal [1,6% (0,5-2,8%)], a criptorquidia [1,4 (0,9-1,8)], o pé boto [2,1% (0,8-3,7%)], anomalias dos membros [2,1% (1,2-3,1%)] e craniossinostose [2,6% (0,7-5,6%)]. A redução em 30% do consumo de tabaco permitiria prevenir 10 casos de entre as anomalias congénitas analisadas; uma redução em 50% preveniria 18 casos. Discussão e Conclusão: O tabaco contribui para a ocorrência de 1 a 3% dos casos das anomalias congénitas analisadas em 2018-19. A informação proveniente do RENAC encontra-se limitada pela subnotificação de casos. Por outro lado, a estimativa de consumo de tabaco na gravidez está sujeita a viés de memória. Estudos futuros poderão considerar outros períodos, fontes de informação complementares e a análise de outros fatores de risco e desfechos. A prevenção de consumo de tabaco e a promoção da cessação podem contribuir para a prevenção das anomalias congénitas. As consultas de aconselhamento pré-concecional e nas primeiras semanas de gravidez constituem uma oportunidade para tal.
  • Trends in community-acquired pneumonia hospitalisations and associated cardiovascular risk in Portugal, 2010-2018
    Publication . Carneiro, Joana; Teixeira, Rita; Leite, Andreia; Lahuerta, Maria; Catusse, Julie; Ali, Mohammad; Lopes, Sílvia
    Community-acquired pneumonia (CAP) is a major cause of hospitalisation, with substantial morbidity, mortality, and costs. We aimed to better understand CAP hospitalisations in Portugal, in terms of their trends and risk of subsequent acute cardiovascular events. We used data on hospitalisations, comorbidities prevalence, and population. CAP hospitalisations (CAP-H) of adults (≥18y) living in mainland Portugal discharged from a public hospital in 2010-18 were identified using ICD-9/10-CM codes. In a retrospective cohort analysis, we described the frequency and incidence of CAP-H per gender, age group, comorbidity, and year of discharge. Trends in incidence were explored using joinpoint regression. For a selected subgroup with CAP-H and cardiovascular hospitalization, we then conducted a self-controlled case series (SCSS), using CAP-H as exposure (14, 28 and 91-days exposure periods) and acute cardiovascular (stroke or myocardial infarction – MI) hospitalisations as the outcome. Incidence rate ratios (IRR) were computed using a conditional Poisson regression. We studied 469,944 CAP-H (66% aged ≥75 years; 55% male). Frequently recorded comorbidities were congestive heart failure, diabetes, and chronic pulmonary disease (19% or more). The incidence of CAP-H ranged between 7.1in 2012 and 5.6 in 2018. We identified a gradual decline in the incidence rates of CAP-H for both genders and all age groups (annual percent change: -1.50 or more). CAP-H decreased over time for patients with diabetes and AIDS/HIV, while increased for chronic renal disease patients. For the remaining 6 comorbidities, an upward trend was followed by a decreasing trend. In SCSS, a sample of 13 494 patients (stroke: 77%, MI: 23%), mostly male (stroke: 52%, MI: 55%) and 75 years or older (stroke: 78%, MI: 70%) was analyzed. Stroke/MI hospitalisation incidence was higher following CAP-H, compared to the baseline period. Increased incidence was observed especially in the 14 days after discharge (IRR for stroke: 2.55; IRR for MI: 3.23), compared to the 28-days (stroke: 2.06; MI: 2.62), and 91-days periods (stroke: 1.37; MI: 1.75) (p<0.05). Our findings show a decline in the incidence of CAP-H and an increased risk of cardiovascular events after a CAP-H episode. These results highlight the need for clinicians and the health system to undertake continued and coordinated efforts, to reduce CAP-H and when it cannot be avoided, to address possible cardiovascular risks.
  • Vigilância do vírus sincicial respiratório em crianças menores de 2 anos em Portugal, 2022/23
    Publication . Guiomar, Raquel; Verdasca, Nuno; Melo, Aryse; Gomes, Licínia; Henriques, Camila; Dias, Daniela; Lança, Miguel; Torres, Ana Rita; Pernadas, Bernardo; Gaio, Vânia; Rodrigues, Ana Paula
    O vírus sincicial respiratório (Respiratory Syncytial Virus - RSV) é um dos principais agentes etiológicos de infeções respiratórias do trato respiratório inferior, com elevado impacto na morbilidade e mortalidade em crianças menores de 5 anos. É por isso considerado um problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde, com prioridade na vigilância e prevenção. Este trabalho pretende descrever e caraterizar os casos de infeção por RSV identificados no sistema de vigilância VigiRSV durante a época 2022/23.
  • Pequenos acidentes de grande variedade de agentes (externos), em casa, nas crianças até aos 9 anos, em 2019
    Publication . Alves, Tatiana; Silva, Susana; Braz, Paula; Aniceto, Carlos; Neto, Mariana; Matias Dias, Carlos
    Em Portugal, as causas externas de lesão na população infantil têm representado motivo de análise, na medida em que, ocupam a terceira causa de internamento hospitalar de crianças entre os 5 e os 9 anos de idade. Neste grupo populacional merecem destaque os Acidentes Domésticos e de Lazer (ADL), dado constituírem cerca de 14% do total de admissões ao Serviço de Urgência (SU). Importa salientar que os acidentes e as lesões têm sido identificados como um dos problemas de saúde mais relevantes no desenvolvimento saudável das crianças e jovens, dado constituírem causas evitáveis de morbilidade. O presente estudo foi desenvolvido de modo a conhecer a amplitude do tipo de produtos e, ou, objetos envolvidos nos acidentes ocorridos em casa, que direta ou indiretamente possam ter contribuído para a sua ocorrência, por mecanismo de lesão, localização e idade, os quais implicaram recurso aos serviços de urgência, durante o ano de 2019. Procedeu-se a um estudo observacional, descritivo, transversal utilizando os dados recolhidos entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2019, pelo sistema EVITA. Os dados são provenientes dos registos efetuados nos serviços de urgência hospitalares, no âmbito das notificações realizadas pelas entidades de saúde da rede do sistema EVITA. Foi realizada uma análise descritiva e secundária dos dados desagregados pelas variáveis idade, sexo, local de ocorrência, mecanismo de lesão e produto, ou, objeto direta ou indiretamente envolvido. Em 2019, no grupo das crianças dos 0 aos 9 anos ocorreram 12 594 ADL, representando cerca de 14,4% do total de acidentes registados nesse período. Considerando a idade, observou-se que 68,3% dos ADL ocorreram nas crianças até aos 4 anos e 31,7% nas crianças entre os 5 e os 9 anos. A maioria dos casos de acidentes em casa foram devido a queda (66,9%), na sequência de contacto com outra pessoa ou objeto (10,9%) e por corte/perfuração (8,0%). A análise dos ADL devido a queda (n=7854), pelos principais objetos/produtos envolvidos e grupos etários permitiu verificar o predomínio da “banheira/poliban” no espaço da casa-de-banho; na cozinha destacaram-se os acidentes com envolvimento da “cadeira/banco”, quer no grupo etário dos 0 aos 4 anos (34,2%), quer no grupo etário dos 5 aos 9 anos (35,0%); no quarto foi notória a maior proporção de quedas da “cama” nas crianças dos 0-4 (78,1%) e dos 5-9 anos (72,7%); no espaço relativo à sala de estar o “sofá” representou 53,4% das quedas no grupo dos 0-4 e 40,5% no grupo dos 5-9 anos. Decorre destes resultados, que a idade da criança ocupa um papel relevante na frequência da ocorrência de quedas. Assim, em função da idade, interligada com importantes etapas do seu desenvolvimento devem ser consideradas para a compreensão das quedas em idade pediátrica. Confirma-se ainda, a utilidade do conhecimento produzido a partir de EVITA no suporte e planeamento de medidas de prevenção simples e dirigidas, em função da idade e do local em que a criança se encontra.
  • Evolução da infeção pelo vírus da Hepatite C em dadores de sangue e população geral em Portugal entre 2015 e 2022
    Publication . Santos, João Almeida; Mendonça, Pedro; Escoval, Maria Antónia; Pedro, Isaías
    Introdução A elevada taxa de progressão para a cronicidade e o potencial evolutivo para cirrose e carcinoma hepatocelular, fazem da infeção pelo vírus da Hepatite C (VHC) um grave problema de saúde pública. O risco de transmissão do VHC por transfusão sanguínea tem sido minimizado pelo desenvolvimento de testes cada vez mais sensíveis na deteção dos anticorpos anti-VHC, bem como da implementação da detecção do RNA-VHC através de Testes de Amplificação de Ácidos Nucleicos. Objetivo Caracterizar a evolução da infeçáo por VHC em dadores de sangue e população geral em Portugal (2015-2022). Material e métodos Estudo retrospetivo com dados obtidos do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), DGS e INE. Foi calculada a proporção anual de dadores VHC positivos por 100 000 dadores e a proporção de VHC positivos por 100 000 habitantes (população geral). A tendência da variação percentual média anual (AAPC) foi estimada através do software Joinpoint®. Resultados Entre 2015 e 2022, foram identificadas 135 dadores com VHC, correspondendo a uma média de 17 casos/ano (min-max: 9-22). Na população geral, foram notificados no mesmo período 1721 casos, correspondendo a uma média de 215 casos/ano. Em termos de tendência, a proporção de dádivas VHC positivas ter vindo a diminuir mas esta tendência decrescente não foi estatisticamente significativa (AAPC=-2.9, p=0.45). Na população geral, a tendência de casos notificados de VHC tem vindo a diminuir de forma estatisticamente significativa (AAPC=-7.4, p=0.02). Globalmente, a maioria dos casos são do sexo masculino em ambas as populações. Anualmente, na população em geral o número de homens é sempre cerca 3x superior ao das mulheres (2.5-3.6), mas nos dadores os valores são mais próximos ou chegando mesmo a inverter (mulheres>homens). Discussão e Conclusão Os resultados obtidos permitem constatar que a infecção pelo VHC permance um problema de saúde pública em Portugal, continuando a existir indivíduos que desconhecem que se encontram infetados. A não deteção destes casos assintomáticos representa um problema não só em termos de transmissão do agente na comunidade, mas também como potencial risco de transmissão através da dádiva de sangue. Os dados da hemovigilância em Portugal demonstram um esforço continuado na melhoria da deteção destes casos, especialmente através do avanço tecnológico das técnicas de rastreio, o que tem permitido manter o risco residual infecioso em valores perto de zero (0.0-0.06/100 000 dádivas).
  • Mortalidade e anos de vida perdidos por COVID-19 em Portugal dois anos de pandemia
    Publication . Santos, João Almeida; Martins, Carla; Assunção, Ricardo
    Introdução: O impacto da pandemia COVID-19 na população portuguesa não é ainda conhecido na sua totalidade. A caracterização dos anos de vida perdidos prematuramente atribuídos à COVID-19 pode fornecer informação relevante para o desenvolvimento e implementação de estratégias de prevenção e controlo de doenças infeciosas no futuro. Objetivos: Calcular os anos de vida perdidos (YLL) atribuídos às mortes por COVID-19, em Portugal, entre março de 2020 e março de 2022. Métodos: Estudo observacional e transversal. Os dados sobre a população residente média e a esperança de vida à nascença por grupo etário e sexo foram obtidos a partir do Instituto Nacional de Estatística (INE) e do Estudo Global de Carga de Doença 2019, respetivamente. Os dados sobre as mortes por COVID-19 foram extraídos dos relatórios da Direção-Geral da Saúde (DGS). Os YLL foram calculados como o número de mortes por COVID-19 multiplicado pela esperança de vida padrão na idade da morte. YLL foram calculados globalmente, por sexo e por faixa etária (YLL/100 000 habitantes e ajustado por idade). Resultados: Entre 2020 e 2022, foram notificados 3 413 013 casos de COVID-19 em Portugal, dos quais 21 342 (0,6%) morreram devido à doença. Globalmente, os YLL estimados para a COVID-19 em Portugal foram 309 383,8, sendo mais elevados para os homens que para as mulheres na maioria dos grupos etários, exceto nos grupos etários 10-19 anos (76,5 vs 153,1) e > 80 anos (58710,9 vs 68491,4). Os YLL ajustados por idade também mostraram um aumento constante à medida que progredimos na faixa etária [de 3,3 (0-9 anos) para 885,5 (>80 anos)], em que a faixa etária onde se observa um aumento mais acentuado foi a faixa etária de 50-59 anos. Conclusões: COVID-19 teve um impacto nas taxas de mortalidade em Portugal, sendo esse impacto maior na população mais idosa, sobretudo nas pessoas com mais de 70 anos. Os homens apresentaram YLL mais elevados do que as mulheres, sendo que esta diferença aumentou substancialmente à medida que a idade progride. Estes dados representam informação potencialmente relevante para a definição de medidas de saúde pública em fase endémica e em futuras epidemias.