DEP - Apresentações orais em encontros nacionais
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Percorrer DEP - Apresentações orais em encontros nacionais por Domínios Científicos e Tecnológicos (FOS) "Ciências Médicas"
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- Associação entre Infeção por SARS-CoV-2 e Saúde Mental aos 12 Meses: Um Estudo na Região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT)Publication . Cristóvão, Filipa; Moniz, Marta; Goes, Ana Rita; Soares, Patrícia; Leite, AndreiaIntrodução: A condição pós-COVID-19 afeta indivíduos com história de infeção por síndrome respiratória aguda grave devido a coronavírus 2 (SARS-CoV-2) e pode incluir sintomas persistentes como fadiga, alterações cognitivas e perturbações psicológicas (e.g., ansiedade, depressão, perturbação de stress pós-traumático (PTSD)), mesmo após 12 meses. Apesar de existirem dados sobre sintomas psicológicos nas fases iniciais da infeção, a sua persistência a longo prazo continua pouco explorada, particularmente em Portugal. Este estudo teve como objetivo investigar a associação entre infeção por SARS-CoV-2 e sintomas psicológicos aos 12 meses, em residentes da região de LVT. Métodos: Estudo observacional transversal analítico, incluindo indivíduos residentes em LVT que realizaram teste de reação em cadeia de polimerase (PCR) ou teste rápido de antigénio (TRAg) em agosto de 2022 com base na informação registada no Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica. A exposição foi o resultado do teste SARS-CoV-2 (positivo ou negativo); os outcomes foram sintomas de ansiedade, depressão e PTSD. Os dados foram recolhidos por entrevista telefónica (outubro-novembro de 2023), utilizando o Patient Health Questionnaire de 2 itens (PHQ-2), Patient Health Questionnaire de 9 itens (PHQ-9), General Anxiety Disorder Questionnaire de 2 itens (GAD-2), General Anxiety Disorder Questionnaire de 7 itens (GAD-7) e Primary Care PTSD Screen for DSM-5 (PC-PTSD-5). Para estimar a associação através de razões de prevalência ajustadas (RPa) foram usadas regressões de Poisson com variância robusta, ajustando para confundimento (idade, sexo, situação profissional, nível de escolaridade, comorbilidades, consumo de tabaco, consumo de álcool). Resultados: Foram incluídos 767 participantes (528 positivos, 239 negativos). A prevalência de sintomas depressivos foi de 6,0%, mais elevada nos positivos (7,0% vs. 3,8%). Após ajustamento, observou-se uma associação significativa (razão de prevalência ajustada (RPa )= 2,07; IC95%: 1,01–4,26). A prevalência de ansiedade foi também superior nos positivos (7,2% vs. 3,8%), sem significância estatística (RPa = 1,84; IC95%: 0,91–3,80). A prevalência de PTSD foi baixa (0,8%), pelo que não foram estimadas medidas de associação. Discussão e Conclusão: Os resultados mostraram maior prevalência de sintomas depressivos entre indivíduos previamente infetados por SARS-CoV-2, associação que se manteve após ajustamento e em consonância com estudos internacionais. Observou-se tendência não significativa para ansiedade e ausência de diferenças em PTSD, possivelmente relacionadas com o reduzido número de casos e a predomínio de infeções ligeiras. O contexto epidemiológico poderá ter atenuado as associações. Entre as limitações destacam-se o desenho transversal, autorreporte, confundimento residual e restrição geográfica e temporal da amostra. Em conclusão, os dados sugerem associação entre infeção e sintomas depressivos a longo prazo, sublinhando a importância da vigilância em saúde mental no período pós infecção.
- Efeito combinado do calor extremo e da poluição por partículas atmosféricas na mortalidade diária no distrito de LisboaPublication . Canha, Filipa; Leite, Andreia; Gaio, Vânia; das Neves Pereira da Silva, SusanaIntrodução: O aumento da temperatura global e da poluição atmosférica, nomeadamente de matéria particulada (PM), no contexto das alterações climáticas, tem efeitos na saúde humana. Apesar dos efeitos isolados do calor e da PM na mortalidade estarem amplamente descritos na literatura, o efeito combinado está menos estudado. Este estudo analisa o efeito combinado do calor extremo e concentrações elevadas de PM na mortalidade diária no distrito de Lisboa. Métodos: Realizou-se um estudo ecológico de séries temporais, dos verões (maio-setembro) de 2003 a 2023, com dados diários da temperatura máxima, concentrações médias de PM10 e PM2,5 e óbitos por todas as causas em Lisboa. Definiu-se calor extremo e concentrações elevadas de PM como valores acima do percentil 90. Para considerar o efeito desfasado das exposições, utilizou-se a média móvel a 7 dias para a PM, e modelos não-lineares com desfasamento distribuído de 10 dias para a temperatura. Estimaram-se os riscos relativos (RR) da interação entre calor extremo e concentrações elevadas de PM na mortalidade e a fração atribuível, usando a temperatura mínima de mortalidade (MMT) como referência. Resultados: O efeito combinado na mortalidade atingiu o máximo no segundo dia após exposição (RR 1,28; IC 95% 1,24-1,33), diminuindo nos dias seguintes. Após 10 dias, o risco cumulativo para a temperatura máxima foi 2,23 vezes superior com concentrações elevadas de PM10 e 2,28 vezes superior com concentrações elevadas de PM2,5, relativamente à MMT . Estimou-se que 1,93% (IC 95% 1,72%–2,14%) e 1,95% (IC 95% 1,73%–2,16%) dos óbitos eram atribuíveis aos efeitos combinados do calor extremo com concentrações elevadas de PM2,5 e PM10, respetivamente. Discussão e Conclusão: Observou-se um efeito sinérgico entre exposição a calor extremo e concentrações elevadas de PM na mortalidade em Lisboa. A integração destes resultados em medidas de saúde pública poderá reforçar a capacidade de antecipação e mitigação dos impactos das alterações climáticas na saúde, especialmente na população mais vulnerável.
- Gripenet: Ciência Cidadã e Vigilância Participativa em Saúde PúblicaPublication . GOMEZ TEIXEIRA PINTO, VERÓNICA DEL PILAR; Rodrigues, Ana Paula; Rosa, ArmindaDiante da crescente complexidade dos desafios em saúde pública — especialmente no campo das doenças infeciosas — torna-se fundamental repensar as formas de colaboração entre ciência e sociedade. Os projetos de ciência cidadã, que envolvem os cidadãos nos processos científicos, contribuindo com dados, observações e reflexões, têm permitido dar resposta a estas necessidades. O Gripenet é um sistema de vigilância participativa em saúde, focado na monitorização de doenças respiratórias como a gripe e a COVID-19. Foi estabelecido em Portugal pelo Instituto Gulbenkian de Ciência em 2005 e está integrado no Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge desde 2015. Como parceiro da rede europeia Influenzanet, ativa desde 2009 e atualmente coordenada pelo ISI Foundation, o Gripenet recolhe dados reportados por cidadãos, em tempo real, complementando os sistemas tradicionais de vigilância epidemiológica. Após cinco anos de pausa, a rede está a ser reativada com estratégias para reforçar o envolvimento dos cidadãos-cientistas. Embora as restrições do RGPD impeçam o acesso direto aos dados, estão previstas iniciativas que promovem participação ativa, como a criação de pontos focais em comunidades, regiões ou concelhos, que atuarão como divulgadores e dinamizadores locais. Estes embaixadores poderão organizar sessões informativas, promover inscrições e contribuir para a literacia em saúde. Paralelamente, serão incentivadas ações de co-criação de conteúdos educativos, participação em painéis consultivos para melhoria da plataforma e campanhas temáticas que reforcem o papel dos cidadãos na vigilância epidemiológica. A participação é voluntária, realizada através do registo numa plataforma online com questionário inicial e relatos semanais de sintomas. As informações são anonimizadas, respeitando a privacidade dos participantes. Entre os desafios, salientam-se o viés de autosseleção, a sub-representação de certos grupos e limitações inerentes a dados autorreportados. Ainda assim, o Gripenet representa uma inovação relevante, promovendo maior apropriação do conhecimento pelos cidadãos e um canal de diálogo entre ciência e sociedade. Esta apresentação abordará a evolução da plataforma, os principais resultados e as estratégias para esta nova fase, com perspetivas técnica e cidadã. A audiência conhecerá uma ferramenta inovadora de ciência cidadã em saúde, com impacto comprovado e potencial para inspirar novas colaborações.
- Interação entre calor extremo e poluição por matéria particulada na mortalidade nos distritos de Portugal continentalPublication . Canha, Filipa; Leite, Andreia; Gaio, Vânia; das Neves Pereira da Silva, SusanaIntrodução: O aumento da temperatura global e a poluição atmosférica no contexto das alterações climáticas representam riscos crescentes para a saúde. Os efeitos isolados destas exposições estão bem descritos, no entanto, apenas recentemente surgiu evidência de efeito sinérgico entre calor e matéria particulada (PM). Este estudo teve como objetivo avaliar o efeito da interação entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade diária nos distritos de Portugal continental. Métodos: Estudo ecológico de séries temporais, dos verões (maio-setembro) de 2003 a 2023, com dados de satélite diários da temperatura máxima, concentrações médias de PM10 e PM2,5 e óbitos por todas as causas em todos os distritos de Portugal continental. Definiu-se calor extremo e poluição elevada por PM como valores acima do percentil 90 da respetiva distribuição. O efeito desfasado das exposições foi incluído pela média móvel a 7 dias para a PM, e utilização de modelos não-lineares com desfasamento distribuído de 10 dias para a temperatura. Estimaram-se os riscos relativos cumulativos (RRc) da interação entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade e as frações atribuíveis da mortalidade (FA), em cada distrito, usando a temperatura mínima de mortalidade (TMM) e situação de poluição elevada como referência. Resultados: Estimou -se um efeito de interação cumulativo entre calor extremo e poluição elevada por PM2,5 em 11 dos 18 distritos de Portugal continental, e entre calor extremo e PM10 em 12 distritos, considerando os 10 dias de desfasamento. O máximo do efeito de interação variou consoante o distrito, ocorrendo principalmente no próprio dia das exposições. Nestes distritos, o RRc variou, face à TMM e poluição elevada por PM, entre 1,01 (IC 95%: 0,92; 1,11), no Porto, e 1,35 (IC 95%: 1,17; 1,56), em Setúbal, para a interação com PM2,5, e entre 1,01 (IC 95%: 0,86; 1,19), em Bragança, e 1,35 (IC 95%: 1,16; 1,55), em Setúbal, para a interação com PM10. Estimou -se uma FA ao efeito de interação entre calor extremo e poluição elevada por PM apenas nos distritos de Lisboa, Santarém, Setúbal, Vila Real e Viseu, que variou entre 0,45% e 2,35% para o efeito com PM2,5, e entre 0,01% e 3,81% para o efeito com PM10. Discussão e Conclusão: Os resultados mostram um efeito sinérgico entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade nos meses de verão, na maioria dos distritos de Portugal continental, embora sem significância estatística em alguns, possivelmente devido ao número reduzido de dias com exposições simultâneas. Contrário à literatura, o nosso estudo não encontrou efeito superior nas regiões não-costeiras em relação às costeiras, no entanto, esta divisão não é total em Portugal, existindo distritos com área costeira e não-costeira. A integração destes efeitos em sistemas de vigilância ambiental e epidemiológica, com definição de limiares adaptados ao contexto local, poderá melhorar a capacidade de resposta e mitigação dos seus impactos na mortalidade.
- Planeamento e sustentabilidadePublication . Garcia, Ana CristinaSustentabilidade e desenvolvimento sustentável são termos em utilização crescente em Portugal e no mundo, mas cuja operacionalização se tem revelado complexa e inconsistente intra e inter países. Atenta a estas questões, a Organização das Nações Unidas incentiva os dirigentes governamentais, das instituições, empresas e outras organizações a adotar explicitamente os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável como referencial para o planeamento, programação e orçamentação. Ciente dos exigentes desafios metodológicos e processuais resultantes, mas também do acréscimo de oportunidades para o aumento do nível de saúde das populações e o fortalecimento dos sistemas de saúde, num ambiente progressivamente mais equitativo, próspero, solidário com as gerações futuras e em equilíbrio com o resto da natureza, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP (INSA), através do seu Departamento de Epidemiologia, organiza um ciclo de conferências sob o tema “Planeamento em Saúde Sustentável: desafios e oportunidades”, com o objetivo de aprofundar os conceitos fundamentais desta temática para que possam ser úteis na atividade do INSA e nas suas interações com outras entidades. A primeira conferência abordou o tema “Planeamento e sustentabilidade”, tendo decorrido no anfiteatro do INSA.
- Vigilância do vírus sincicial respiratório em Portugal - Efetividade da imunização sazonal contra o VSRPublication . Rodrigues, Ana PaulaEsta apresentação resume as caraterísticas epidemiológicas da epidemia de VSR na época 2024/2025, com foco nos internamentos por VSR em crianças menores de 24 meses e apresenta os resultados da efetividade do Nirsevimab.
