Departamento de Epidemiologia
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Percorrer Departamento de Epidemiologia por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "11:Cidades e Comunidades Sustentáveis"
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- Episódios de urgência com diagnóstico respiratório em eventos de massa: Análise de séries temporais do BOOM Festival - pré e pós-pandemia COVID-19Publication . Fernandes, Sónia; Mexia, Ricardo; Guarda, LinaOs eventos de massa representam um desafio para a Saúde Pública, dado o risco acrescido de transmissão de doenças e a pressão exercida sobre os serviços locais de saúde. O presente estudo teve como objetivo analisar a variação da proporção de episódios de urgência com diagnóstico respiratório no BOOM Festival, comparando o período pré-pandemia COVID 19 (2018) com o período pós-pandemia COVID-19 (2022). Foi conduzido um estudo epidemiológico observacional analítico, com análise de duas séries temporais, com base nos dados de vigilância epidemiológica recolhidos durante ambos os festivais. Foram incluídos todos os indivíduos que recorreram a cuidados de saúde, num total de 3100 episódios de urgência em 2018 e 3616 em 2022. A análise estatística permitiu calcular frequências, proporções e risco relativo de ocorrência de episódios de urgência com diagnóstico respiratório. Os resultados revelaram um aumento da proporção de episódios de urgência com diagnóstico respiratório de 2,3% em 2018 para 6,4% em 2022, correspondendo a um risco relativo de 2,8 (IC95%), ou seja, quase três vezes superior no período pós-pandemia. A distribuição etária demonstrou predominância nos grupos 18-29 e 30-39 anos, com uma redistribuição proporcional entre eles em 2022. Verificou-se ainda ligeira predominância do sexo feminino, embora em decréscimo, e um aumento de casos entre participantes oriundos da Ásia. A maioria dos episódios foi resolvida nos postos médicos do festival, evidenciando a relevância da resposta local. Conclui-se que o período pós-pandemia se associou a um aumento expressivo de episódios respiratórios, reforçando a necessidade de planeamento adequado, vigilância epidemiológica contínua e articulação entre organizadores e autoridades de saúde para garantir segurança e mitigação de riscos em eventos de massa.
- Exposição residencial ao radão e cancro do pulmão em PortugalPublication . Garcia, Ana Cristina; Namorado, Sónia; Sousa Uva, Mafalda; Araújo Krippahl, Helena; Matias Dias, CarlosA exposição ao radão no interior das habitações é um tema de saúde pública de elevada relevância em Portugal e no mundo, tendo em conta o seu potencial carcinogénico, mas, também, pela possibilidade de minimização dos riscos para a saúde que lhe estão associados através de condições de habitação já bem conhecidas e estabelecidas. A exposição residencial ao radão é a primeira causa de cancro de pulmão em indivíduos não-fumadores e a segunda principal causa nos fumadores, após o tabagismo, sendo que o risco de adoecer é ainda mais elevado nos fumadores simultaneamente expostos ao radão. O cancro do pulmão é o tipo de cancro mais comum e a causa mais comum de morte por cancro no mundo. Em Portugal, o cancro da laringe, traqueia, brônquios e pulmão tem figurado como a principal causa de morte nas pessoas com menos de 75 anos de idade (mortalidade prematura) e a principal causa de anos de vida potenciais perdidos. Por outro lado, o Plano Nacional de Saúde 2030 de Portugal (PNS 2030) evidencia que, sendo um dos tumores malignos de maior crescimento nas últimas décadas, o cancro do pulmão apresenta uma das mais baixas taxas de sobrevivência, indicando que a redução da carga e sofrimento decorrentes da doença depende fundamentalmente da minimização dos fatores de risco, com destaque para os mais relevantes: consumo de tabaco e exposição residencial a poluentes, designadamente, ao radão. Assim, o PNS 2030 prioriza como necessidades de saúde a redução da morte prematura e evitável e da carga de doença e incapacidade associadas ao cancro do pulmão, bem como a redução da prevalência dos riscos ambientais, em geral, e dos relacionados com a qualidade da habitação, designadamente através do controlo das radiações ionizantes, em particular. As preocupações nacionais relativamente à exposição ao radão encontram-se especificamente elencadas no Plano Nacional para o Radão (PNRn), aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 150-A/2022, que se apresenta como um instrumento com a finalidade de contribuir para a redução dos riscos a longo prazo decorrentes da exposição prolongada ao radão em habitações, edifícios abertos ao público e locais de trabalho, e de assegurar a proteção e redução dos seus efeitos na saúde humana. Ciente das necessidades de investigação em Portugal, “avaliar a prevalência de casos de cancro do pulmão e eventual correlação com a exposição ao radão” é uma das ações preconizadas no PNRn. O Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, I.P. (INSA), através do seu Departamento de Epidemiologia (DEP), é uma das entidades responsável pela execução de estudos epidemiológicos nesse âmbito. É neste contexto que, à data, o DEP se encontra a desenvolver um estudo epidemiológico analítico de apoio à tomada de decisão, a fim de contribuir para a avaliação do risco de cancro do pulmão associado à exposição ao radão no interior das habitações na população residente em Portugal.
