Departamento de Epidemiologia
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Percorrer Departamento de Epidemiologia por Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) "10:Reduzir as Desigualdades"
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- Associação entre o Índice de Vulnerabilidade à Pobreza Energética e os Níveis de Tensão Arterial na População PortuguesaPublication . Rodrigues, Madalena; Gouveia, João Pedro; Sousa-Uva, MafaldaEm Portugal, estima-se que entre 1,8 e 3 milhões de pessoas vivam em situação de pobreza energética, estando entre 609 mil e 660 mil em condição severa. A exposição a temperaturas extremas dentro das habitações pode agravar problemas de saúde existentes e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, que afeta cerca de 36% da população portuguesa entre 25 e 74 anos. A pobreza energética resulta da combinação de baixos rendimentos, má eficiência energética das habitações e dificuldades no pagamento das faturas de energia. Este problema é intensificado pelas alterações climáticas, que elevam a frequência de eventos extremos. Apesar das preocupações expressas em políticas europeias, poucos estudos populacionais avaliaram a associação entre pobreza energética e saúde utilizando medidas objetivas. Este trabalho tem como objetivo estimar a associação entre o Índice de Vulnerabilidade à Pobreza Energética (IVPE) desenvolvido ao nível da freguesia (#3092) e os níveis de tensão arterial na população adulta portuguesa. Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional, transversal e analítico, com dados do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico 2015 (INSEF), abrangendo 4911 indivíduos de 25 a 74 anos. O IVPE foi categorizado em tercis (baixo, médio e alto) e as associações foram analisadas por regressão linear, ajustada para fatores sociodemográficos e económicos. Os resultados evidenciam que viver em áreas com elevada vulnerabilidade à pobreza energética está associado a um aumento significativo da tensão arterial. No contexto do arrefecimento, observou-se um acréscimo de 2,28% na Tensão Arterial Sistólica (TAS) e de 2,08% na Tensão Arterial Diastólica (TAD), enquanto para o aquecimento verificou-se um aumento significativo na TAS, mas sem relevância na TAD. Estes reforçam a pobreza energética como um fator de risco relevante para a saúde, sublinhando a necessidade de políticas públicas eficazes para mitigar os seus impactos. Num contexto de alterações climáticas e envelhecimento da população portuguesa, garantir condições habitacionais adequadas pode ser uma estratégia essencial para reduzir desigualdades sociais, promover a saúde e o bem-estar, bem como aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde pública.
- Burden of Disease and Cost of Illness of Overweight and Obesity in PortugalPublication . Borges, Margarida; Sampaio, Filipa; Costa, João; Freitas, Paula; Matias Dias, Carlos; Gaio, Vânia; Conde, Vasco; Figueira, Débora; Pinheiro, Bernardete; Silva Miguel, LuísIntroduction: The prevalence of overweight and obesity has increased in the last decades, posing significant health and economic impacts globally. These conditions are related to several non-communicable diseases, including cardiovascular disease, type II diabetes, and cancer. This study estimated the disease burden and healthcare costs associated with overweight and obesity in the adult population in mainland Portugal, in 2018. Method: Burden of disease was measured in disability-adjusted life years (DALYs) following Global Burden of Disease (GBD) methodology. DALYs were calculated as the sum of years of life lost (YLL) and years lived with disability (YLD). The analyses included morbidity, mortality, and related costs directly related to overweight and obesity, as well as the attributable morbidity, mortality, and related costs of 25 selected diseases related to obesity (DrO). A prevalence-based cost analysis was conducted a from the perspective of the public National Health Service, including costs related to inpatient, outpatient care, and pharmacological treatment. Results: In 2018, total DALY amounted to 260,943, with 75% due to premature death (196,438 YLL) and 25% due to disability (64,505 YLD). The economic burden of overweight and obesity was estimated at approximately EUR 1,148 million. Of these, approximately EUR 13.3 million (1%) were costs related to the treatment of obesity, and the remaining were costs of DrO attributed to overweight and obesity. Outpatient care corresponded to 43% of total costs, pharmacological treatment 38%, and inpatient care 19%. Cardiovascular and cerebrovascular diseases were the largest contributor to total costs (38%), followed by type II diabetes (34%). Conclusion: Overweight and obesity incur a large disease and economic burden to the public healthcare sector, representing approximately 0.6% of the country's gross domestic product and 5.8% of public health expenditures.
- European Deprivation Index and children with Cerebral Palsy: Data from the Portuguese Cerebral Palsy Surveillance ProgramPublication . Folha, Teresa; Cadete, Ana; Sousa-Uva, Mafalda; Aniceto, Carlos; Braz, Paula; Calado, Eulália; Alvarelhão, Joaquim; Virella, DanielIntroduction: Socioeconomic inequalities have been associated with the severity of cerebral palsy (CP). The European Deprivation Index (EDI) accounts for aggregated ecological effects not yet identified. We describe the association between complexity and etiology of CP and a proxy for socioeconomic inequalities in Portugal. Participants and Methods: The Portuguese National Surveillance of Cerebral Palsy (PNSCP) collects data of 5-to-8-year-old children with CP, born since 2001, following the Surveillance of Cerebral Palsy in Europe (SCPE) datacollection protocol. Official live-birth (LB) statistics and data from children with CP born between 2001-2015, notified until September 2024, were analysed according to the area-level socioeconomic deprivation at birth, using the Portuguese version of the EDI (EDI-PT), categorized in tertiles and measured at municipal level. The CP severity/complexity was classified using the Cerebral Palsy Complexity-Scale (CPC-Scale). Associations were estimated by the odds ratio (OR) with a 95% confidence interval (95%CI). Results: 2,410 registered children with CP were classified according to tertiles of EDI-PT: 481 children in the 1st tertile (20%-CP vs 23%-LB); 591 in the 2nd (25%-CP vs 33%-LB) and 1,338 in the 3d (55%-CP vs 44% LB). Significant associations were observed between the 3rd tertile of EDI-PT and both post-neonatal causes of CP (OR 2.365; CI 1.408, 4.175) and the complexity of CP (OR 1.355; CI 1.029, 1.782). Conclusion: Area-level socioeconomic disadvantage at birth appears to have a positive effect on the odds for more severe/complex CP and the occurrence of post-neonatal cases of CP. Further investigation is needed to better understand these associations.
- A Gestão de Dados e Informação Sobre o Envelhecimento na Definição de Políticas PúblicasPublication . GOMEZ TEIXEIRA PINTO, VERÓNICA DEL PILARA gestão de dados sobre o envelhecimento é essencial para definir políticas públicas eficazes, mas enfrenta desafios como barreiras na partilha de informação, desigualdade no acesso à tecnologia e falta de um sistema integrado. Apostar em plataformas interoperáveis e melhorar a recolha de indicadores permite um acompanhamento mais eficaz da saúde e longevidade da população.
- Health Intervention’s Evaluation – from concept to practicePublication . GOMEZ TEIXEIRA PINTO, VERÓNICA DEL PILARBackground: The InfAct (Information for Action) is a Joint Action of the European Commission’s 3rd Health Programme with the main goal to build a health information system infrastructure for a stronger European Union and to strengthen its core elements. The InfAct Joint Action was developed along 36 months and structured in 10 work packages. Portugal co-led the Work Package 6 (WP6) of this project, which included the development of the proposal of a flagship capacity building programme - the European Health Information Training Programme - and its evaluation. The evaluation objectives included: to evaluate the adequacy of the training programme to the health information needs in the European Member States; to identify possible changes regarding the participants selection process, the training activities and the pedagogical project; and to contribute to the understanding of the potential of the programme to add to available offers in learning on the topics of Public Health information, on the capacity building and behavioural changes in Public Health activities which can be attributed to the course, and of the potential of the programme to contribute to the alignment of health information criteria and procedures between the European Member States. Methods: The evaluation process was developed using an observational descriptive study design using a mixed methodological approach with both document analysis and primary data collected by questionnaires and interviews analysis. Mixed quantitative and qualitative data collection methods and analysis were used. Results: The proposal of the European Health Intervention’s Training Programme seemed adequate to the formative needs and capacities in line with the work performed by the InfAct project. In what concerns about its main thematic areas, it was also aligned with the areas identified in the previous formative needs and capacities mapping. The participants selection process proposed seemed, in general, adequate. The potential of the European Health Information Training Programme proposal to learning, capacity building and behavioral changes at work attributable to the course was considered positive, as well as the potential to the alignment of health information criteria and procedures between European Union Member States. Discussion: In general, we found high consistency between the results obtained from data collected by the techniques used. However, different suggestions for improvement were outlined by the evaluation study population.
- Paralisia Cerebral em Portugal no Século XXI: Risco e FuncionalidadePublication . Virella, Daniel; Folha, Teresa; Cadete, Ana; Alvarelhão, Joaquim; Calado, Eulália; Cabral, Alexandra; Gouveia, Rosa; Gaia, Teresa; Abrantes, Margarida; Cancelinha, Cândida; Lopes, Patrícia; Braz, Paula; Sousa Uva, Mafalda; Aniceto, CarlosO Programa de Vigilância Nacional da Paralisia Cerebral em Portugal (PVNPC) produz e publica evidência científica que contribua para a prevenção da paralisia cerebral (PC) e para satisfazer as necessidades de saúde, educação e apoio social das pessoas que vivem com PC. Este relatório apresenta informação sobre fatores de risco para a ocorrência de PC, a caracterização funcional e doença associada à PC, e outros indicadores relevantes de mais de 2700 crianças com PC nascidas entre 2001-2015 e/ou residentes em Portugal aos 5-8 anos de idade (entre 2006-2024). Estas crianças correspondem a mais de 80% dos casos de PC expectáveis (2/1000 nados-vivos) para estes períodos. Crianças com paralisia cerebral, nascidas em Portugal em 2001-2015 O risco das crianças nascidas em Portugal terem PC aos 5 anos de idade manteve-se estável ao longo dos primeiros 15 anos de nascimento deste século (1,7 casos por 1000 nados-vivos). Os indicadores de risco identificados chamam a atenção para a importância do esclarecimento da população, contribuindo para a promoção de comportamentos saudáveis, particularmente, de saúde reprodutiva. A prematuridade foi o fator de risco de PC mais frequente. A grande (28 a 31 semanas de gravidez) e a extrema prematuridade (menos de 28 semanas de gravidez) aumentaram o risco de PC respetivamente 47 vezes e 81 vezes, comparando com as crianças nascidas a termo (37 ou mais semanas de gravidez). A gravidez em idade tardia associou-se a maior risco de PC. Comparados com os filhos de mães entre os 20-34 anos, as mães com menos de 20 anos tiveram um risco 30% maior de ter uma criança com PC; as mães entre 35 e 39 anos, um risco 15% maior; nas mães entre os 40 e os 44 anos foi 50% maior; nas mães com mais de 44 anos, o risco foi 3 vezes maior. Nascer sem assistência adequada associou-se a maior risco de PC. O parto em casa, no transporte ou numa instituição de saúde sem maternidade, embora registado com pouca frequência em Portugal, teve uma estimativa de aumento de 12 vezes do risco de PC. Preocupa a tendência populacional para o aumento da ocorrência destes três fatores de risco em Portugal. Ser o primeiro filho, ser rapaz, nascer leve para o tempo de gravidez e a presença de malformação congénita também se associaram a maior risco de PC. Anomalias congénitas do sistema nervoso central, frequentemente associadas a infeção do grupo TORCHS (citomegalovirus), associaram-se a maior complexidade da PC. Ter anomalia congénita do sistema circulatório (maioritariamente anomalia cardíaca) associou-se à identificação de um evento tardio, pós-neonatal, como causa da PC. Destaca-se a PC causada por acidente vascular cerebral (AVC), nomeadamente nos períodos pré e perinatal. A proporção destes diagnósticos duplicou no período em análise (5% vs 11%), provavelmente pelo maior acesso ao diagnóstico pela neuroimagem. Em 8% das crianças com PC foi identificado um evento pós-neonatal como causa da PC (infeção, complicação de intervenção clínica, AVC). Verificou-se maior risco de PC nos concelhos com maior privação socioeconómica, num aumento de risco estimado em 25%. A privação socioeconómica nos concelhos de residência das mães na altura do nascimento, foi estimado pela versão portuguesa do European Deprivation Index. A avaliação do risco perinatal de PC é dificultada pela falta de dados populacionais. O início do registo de casos de encefalopatia hipóxico-isquémica, submetidos a hipotermia induzida e a implementação de registo nacional de hipotermia induzida contribuirão para maior conhecimento sistemático desta causa de PC. Nas crianças com PC residentes em Portugal aos 5 anos, o tipo clínico predominante registado com mais frequência foi o espástico (84%); menos frequentes foram o disquinético (11%) e o atáxico (5%). O uso generalizado da ressonância magnética crânio-encefálica contribuiu para identificar o processo causal mais provável da PC e estimar o prognóstico de cada criança. Lesões predominantes da substância branca (38%) e da substância cinzenta (31%) foram as registadas com maior frequência; as malformações cerebrais foram identificadas como predominantes em 16%. Ao longo do tempo, há uma tendência para diminuição da proporção de crianças com PC em que a lesão da substância branca é predominante. As crianças com PC espástica apresentavam maioritariamente lesão da substância branca (42%); as com PC disquinética, lesão da substância cinzenta (60%); a proporção de ressonância magnética normal foi maior (24%) nas crianças com PC atáxica. Entre as crianças com PC residentes em Portugal aos 5-8 anos, 9,5% nasceu no estrangeiro, com tendência para o aumento ao longo dos anos (17% nos anos mais recentes). Nas crianças imigrantes houve maior proporção das PC disquinéticas e maior proporção de casos com maior complexidade da PC. Em metade das crianças com PC residentes em Portugal aos 5-8 anos foi registado um compromisso grave da motricidade global (GMF-CS: níveis III, IV e V), i.e., sem autonomia da marcha, assim como da motricidade fina dos membros superiores (BFMF: níveis III, IV e V), i.e., necessitando de meios auxiliares da atividade. Quase metade das crianças não conseguia fazer-se entender pela fala fora do seu contexto familiar; necessitando meios alternativos e aumentativos para a comunicação. Mais de um quarto (28%) das crianças apresentava défice nutricional acentuado, com peso abaixo do percentil 3. Registou-se compromisso do desenvolvimento cognitivo (QI < 70) em 61% das crianças, e compromisso cognitivo moderado a grave (QI <50) em 46%. Globalmente, 71% das crianças encontravam incluídas no ensino regular em idade pré-escolar e 53% em idade de escolaridade obrigatória. Esta proporção foi muito inferior nas crianças imigrantes.
- Saúde das Pessoas Idosas e Políticas Públicas em PortugalPublication . GOMEZ TEIXEIRA PINTO, VERÓNICA DEL PILAR; Garcia, Ana Cristina; Matias Dias, Carlos; Cupertino, Fernando; Ferrinho, Paulo; Nunes de Moraes, EdgarO envelhecimento populacional figura entre as transformações demográficas e sociais, à escala global, mais relevantes do século XXI. Portugal é um dos países mais envelhecidos do mundo. Cerca de um quarto da população idosa tem idade igual ou superior a 65 anos, e o número de pessoas idosas é cerca do dobro do de jovens. Em 2023, a esperança de vida aos 65 anos foi de 20,0 anos, mas a expectativa de vida com saúde foi, em média, de 8,4 anos. Este estudo procura contribuir para o aprofundamento do conhecimento do estado da arte em termos de políticas públicas, existentes ou necessárias, que possam atender às necessidades de saúde das pessoas idosas em Portugal. Trata-se de um estudo qualitativo de tipo descritivo, com base em uma revisão da literatura de tipo narrativa. Foram submetidos às análises documental e temática 71 documentos, entre artigos científicos, relatórios técnicos, documentos estratégicos e normativos, diplomas legais e publicações institucionais. Em 2024, 27,9% das pessoas idosas residentes em Portugal autoavaliavam o seu estado de saúde como mau ou muito mau, predominando a doença crônica, a incapacidade e a multimorbilidade. As iniquidades em saúde nas pessoas idosas são uma realidade, associadas a necessidades socioeconômicas e à reduzida acessibilidade aos serviços de saúde. Dos instrumentos normativos e de planejamento analisados que visam ao envelhecimento saudável, destacam-se quatro diplomas, dentre outros: 1) o Plano Nacional de Saúde 2030, que tem como objetivo estratégico promover a longevidade e o envelhecimento ativo e saudável; 2) o Programa Nacional de Saúde para as Pessoas Idosas, centrado na autonomia, prevenção da dependência e qualidade de vida, atuando por meio de cuidados primários e domiciliários, formação profissional, integração de serviços, combate ao isolamento e promoção da literacia em saúde; 3) o Estatuto da Pessoa Idosa; e 4) o Plano de Ação para o Envelhecimento Ativo e Saudável. Neste estudo, incluem-se exemplos de boas práticas, replicáveis, e propõem-se estratégias de intervenção a reforçar ou implementar. No entanto, mantêm-se fragilidades, barreiras e obstáculos a ultrapassar na implementação das políticas públicas em favor das pessoas idosas. Apesar dos progressos evidentes, é necessário continuar a investir na implementação das políticas públicas para uma resposta mais efetiva às necessidades reais de saúde das pessoas idosas em Portugal.
