DEP - Relatórios científicos e técnicos
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- Distribuição da Mortalidade por doenças do aparelho circulatório nos municípios de Portugal (2015-2019) e seus fatores determinantesPublication . Oliveira, Diogo; Dias, Carlos Matias; Gaio, VâniaIntrodução: As doenças do aparelho circulatório representam uma preocupante causa global de morbilidade e mortalidade, com números alarmantes de óbitos anuais. Em Portugal, as doenças do aparelho circulatório surgem como um desafio significativo, destacando-se disparidades nas taxas de mortalidade ao nível regional e municipal. Este estudo visa compreender quais os determinantes de saúde que melhor predizem as taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório verificadas ao nível do município, proporcionando informações cruciais para melhorar a saúde das comunidades. O objetivo geral do presente estudo é determinar os fatores que melhor predizem a distribuição das taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório ao nível do município em Portugal, entre 2015-2019. Métodos: Este estudo observacional analítico ecológico abrange o período de 2015-2019, utilizando dados do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF, 2015). A amostra estudada inclui todos os 47 municípios do INSEF, cujos participantes foram residentes em Portugal com idade compreendida entre os 25 e 74 anos. Foram analisadas variáveis individuais nomeadamente comportamentais (consumo de tabaco, consumo de álcool, inatividade física; alimentação inadequada), comorbilidades (hipertensão, obesidade; diabetes; hipercolesterolemia) e variáveis de grupo como os fatores de contexto sociodemográficos, económicos e ambientais (índice de privação socioeconómica, área residencial, acesso a cuidados de saúde, índice de caminhabilidade e exposição prévia às partículas PM10). A análise estatística, incluiu modelos de regressão multivariada, sendo realizada para identificar quais os fatores com maior capacidade preditiva da distribuição das taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório. Resultados e discussão: Na análise multivariada, a temperatura média foi o único fator significativamente associado à mortalidade por doenças do aparelho circulatório em ambos os sexos. No sexo feminino, a obesidade foi também um preditor independente. As restantes variáveis (alimentação inadequada, consumo de álcool, inatividade física, entre outras), embora significativas na análise bivariada, não se mantiveram no modelo final. Conclusão: Os resultados evidenciam a relevância de fatores ambientais como a temperatura média e de comorbilidades como a obesidade (no sexo feminino) na mortalidade cardiovascular em Portugal. Desta forma é necessário reforçar as estratégias de saúde pública, que visem a mitigação dos efeitos das alterações climáticas e a prevenção da obesidade, especialmente na população do sexo feminino.
- Efeito da interação entre calor extremo e poluição por partículas atmosféricas na mortalidade diária em Portugal continentalPublication . Canha, Filipa; Leite, Andreia; Silva, Susana; Gaio, VâniaIntrodução: O incremento da temperatura global e a poluição atmosférica no contexto das alterações climáticas representam riscos crescentes para a saúde. Os efeitos isolados destas exposições estão amplamente descritos, no entanto, apenas recentemente tem surgido evidência de efeito sinérgico entre calor e matéria particulada (PM, em inglês particulate matter). Este estudo teve como objetivos avaliar o efeito da interação entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade diária em Portugal continental e por distrito. Métodos: Análise de séries temporais em duas etapas para os verões (maio-setembro) de 2003 a 2023, utilizando dados diários da temperatura máxima, das concentrações médias de PM10 e PM2,5 separadamente, e da mortalidade por todas as causas em todos os distritos de Portugal continental. O calor extremo e a poluição elevada por PM foram definidos como valores acima do percentil 90 da sua distribuição. Para considerar os efeitos desfasados, utilizou-se a média móvel a 7 dias para as PM, e modelos não lineares com desfasamento distribuído, com um desfasamento de 10 dias, para a temperatura. Na primeira etapa, estimaram-se os riscos relativos cumulativos (RRc) da interação entre as exposições na mortalidade para cada distrito, correspondentes ao acréscimo de risco da sua ocorrência em relação à temperatura mínima de mortalidade (TMM) em condições de elevada poluição. Os RRc distritais foram combinados através de uma meta-análise de efeitos aleatórios, considerando a inclusão ou exclusão da versão portuguesa do Índice de Privação Europeu (EDI-PT) como meta-preditor. Resultados: Na maioria dos distritos de Portugal continental observou-se efeito de interação entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade, com um RRc que variou entre 1,01 (Intervalo de Confiança a 95% (IC 95%): 0,92; 1,11) e 1,35 (IC 95%: 1,17; 1,56) para o efeito de interação com poluição elevada por PM2,5, e entre 1,01 (IC 95%: 0,86; 1,19) e 1,35 (IC 95%: 1,17; 1,56) para a interação com poluição elevada por PM10, em comparação com o efeito da TMM e poluição elevada. Os efeitos de interação entre calor extremo e poluição elevada (PM2,5 e PM10) em Portugal continental, para temperatura no percentil 90, apresentaram ambos um RRc global de 1,03 (IC 95%: 1,01; 1,05). O EDI-PT não foi incluído na meta-análise por não explicar a heterogeneidade entre distritos. Discussão: Parece existir um efeito sinérgico entre o calor extremo e a poluição elevada por PM na mortalidade em Portugal continental. A integração do conhecimento proveniente destes resultados em medidas de saúde pública poderá contribuir para reforçar os sistemas de vigilância em saúde para melhor monitorizar e responder aos efeitos combinados do calor extremo e da poluição do ar, e mitigar os seus impactos na saúde.
