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Orientador(es)
Resumo(s)
As queimaduras nas crianças e jovens constituem a quinta causa mais comum de lesões não mortais sendo uma problemática de saúde pública relevante a nível mundial.
A vulnerabilidade das crianças e jovens devida à sua curiosidade natural e à reduzida perceção de risco favorece uma maior predisposição a lesão por queimadura.
O objetivo do estudo é descrever as características das queimaduras com recurso às urgências hospitalares do Serviço Nacional de Saúde em 2023, nas crianças e jovens até aos 19 anos, em Portugal, e conhecer os seus fatores associados.
Realizou-se um estudo transversal, com componente analítica dos dados recolhidos através do sistema de monitorização EVITA, que integra o sistema europeu de registo de acidentes, em crianças e jovens até aos 19 anos, em Portugal. Para avaliar as associações, realizámos o teste do Qui-quadrado de Pearson na análise bivariada e a regressão logística na multivariada, estimando odds ratio (OR). Considerou-se um nível de significância de 5% (p < 0,05).
Neste estudo foram analisados 502 episódios de admissão ao Serviço de Urgência (SU) por queimadura. A maioria das queimaduras observou-se em menores de 4 anos (57,0%) e no sexo masculino (56,4%). As queimaduras não ocorreram de forma uniforme ao longo do dia, nas crianças e jovens até aos 14 anos foram mais frequentes no período da tarde e noite (59,0%). No grupo etário entre os 15 e os 19 anos, a maior proporção de queimaduras observou-se no período diurno (09:00-16:59h com 54,5%). As queimaduras mais comuns foram provocadas por líquidos ferventes (52,0%) e pelo contacto com objetos quentes (36,3%).
A probabilidade das crianças até aos 4 anos serem assistidas em SU devido a uma queimadura foi duas vezes a do grupo dos 5 aos 9 anos (OR=2,02; 95% [1,53, 2,68]). Também as queimaduras nos jovens entre os 15 e os 19 anos apresentaram uma probabilidade superior (OR=1,21, 95% [0,86, 1,72]) à do grupo etário dos 5 aos 9 anos embora não significativa.
A estimativa pontual de OR na relação entre as queimaduras e o sexo foi de OR=1,06; IC 95% [0,88–1,28].
Relativamente ao local, a casa teve a maior odds (OR=5,13; IC 95%: 1,27–20,65) em comparação com as ocorridas em áreas de comércio.
As queimaduras afetam as crianças e jovens de forma distinta sobretudo em função da idade e do local em que ocorrem, não sendo significativa a relação com o sexo. Estes resultados mostram a necessidade de medidas de prevenção ajustadas a esta realidade, da sensibilização de pais, professores e profissionais de saúde, pelo que o estudo continuado desta temática se afigura útil para o desenho de intervenções de prevenção bem como para a preparação da resposta nos diferentes níveis de cuidados.
Descrição
Abstract publicado em: Gac Sanit. 2025;39(S2):148. doi: 10.1016/S0213-9111(25)00257-2
Palavras-chave
Queimaduras Acidentes Crianças Jovens Sistema EVITA Estados de Saúde e de Doença Portugal
