Departamento de Epidemiologia
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- Associação entre a atividade física e o distress psicológico: dados do 1º Inquérito Nacional de Saúde com exame físicoPublication . Morais, Raquel Alexandra Casimiro; Dias, Carlos MatiasEnquadramento: O distress psicológico é um conceito multifatorial, que tem sido utilizado como um indicador de saúde mental das populações. Associado a pior qualidade de vida, a sua avaliação permite identificar as pessoas com pior saúde mental. Por sua vez, a prática de atividade física, nomeadamente o exercício físico, tem sido indicada a nível internacional como tendo um efeito protetor na saúde mental, diminuindo o distress psicológico do indivíduo. Considerando que em Portugal, o distress psicológico tem apresentado prevalências elevadas, de cerca de um quarto da população, e que se tem verificado igualmente uma elevada prevalência da inatividade física no país, há necessidade de investigação adicional a nível nacional sobre a associação entre estes dois problemas de saúde pública. Objetivos: O objetivo geral consiste em: verificar a relação entre a ocorrência de distress psicológico e a prática de exercício físico na população adulta residente em Portugal em 2015. Foram estipulados os seguintes objetivos específicos: a) estimar a prevalência e caracterizar a prática de exercício físico na população portuguesa em 2015; b) estimar a prevalência de distress psicológico na população portuguesa em 2015; c) medir a associação entre o distress psicológico e a prática de exercício físico, estratificada por sexo na população portuguesa em 2015. Metodologia: Estudo epidemiológico, quantitativo, transversal e descritivo com uma componente analítica realizado através da análise secundária de dados do primeiro Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF). A população-alvo é constituída por adultos, entre 25 a 74 anos de idade, residentes em alojamentos familiares em Portugal. Para a amostra do presente estudo apenas foram considerados os participantes no INSEF que responderam a todas as questões do Mental Health Inventory versão de 5 itens. A amostra utilizada na presente análise compreendeu 4858 indivíduos, 2613 mulheres e 2245 homens. Na análise descritiva, foi realizada uma caracterização da amostra e foram estimadas as prevalências de distress psicológico e da prática exercício físico, estratificadas por sexo. Na análise analítica foram construídos, para ambos os sexos, os modelos preditores de distress psicológico através de regressão logística multivariada. Resultados: Em 2015 a população residente em Portugal apresentava uma prevalência de distress psicológico de 22,5%, observando-se uma prevalência mais elevada nas mulheres (30,5%) do que nos homens (13,8%). Cerca de 14,4% da população praticou exercício físico pelo menos 3 dias por semana, com os homens (18,6%) a serem iii fisicamente mais ativos que as mulheres (10,7%). Segundo o modelo estatístico multivariado, os homens fisicamente ativos tiveram uma possibilidade 45% menor de reportar distress psicológico do que os homens fisicamente inativos. Nas mulheres não foi observada associação estatisticamente significativa. Os fatores que mais mostraram contribuir para a presença de distress nas mulheres foram viuvez, baixo rendimento, rede de suporte social pouco alargada (< 6 pessoas), pior estado de saúde auto-percecionado e presença de doença crónica. Nos homens esses fatores foram a inatividade física, o baixo nível de escolaridade, o desemprego, o divórcio, o pior estado de saúde auto-percecionado e ter idades compreendidas entre os 25 e os 34 anos. Discussão/Conclusão: Verificou-se que nos homens o exercício físico é um determinante no distress psicológico, mesmo depois de considerar o efeito de outras variáveis sociodemográficas. Nas mulheres, os resultados sugerem que o exercício físico não tem influência no distress psicológico quando considerado o efeito de outras variáveis sociodemográficas, pelo que outros fatores poderão ser mais relevantes. As intervenções para prevenção do distress psicológico e promoção da saúde mental devem ter em consideração as diferenças observadas, pelo que devem ser específicas para cada sexo.
- Contributo para o estudo dos efeitos da passagem à situação (e idade) de reforma na frequência das principais doenças crónicas em PortugalPublication . Sousa-Uva, Mafalda; Dias, Carlos Matias[PT] Introdução: A transição para a reforma é um acontecimento que pode acarretar alterações suscetíveis de afetar o estado de saúde. Vários estudos têm investigado os efeitos da reforma no estado de saúde, embora poucos o tenham investigado, especificamente, nas doenças crónicas. As recentes políticas de aumento da idade de reforma, assim como a ausência de consenso sobre os efeitos da reforma na saúde, atribuem-lhe ainda maior importância. Constituem objetivos do presente estudo quantificar a associação entre a Passagem à situação de reforma (e idade de reforma) e a frequência de cada uma das principais doenças crónicas, no sentido dos efeitos da reforma nestes indicadores de saúde (doença respiratória crónica, diabetes, doença cardiovascular, AVC, depressão e cancro). Material e Métodos: Desenvolveu-se um estudo transversal, no qual foram analisados os dados provenientes das amostras representativas da população portuguesa SHARE 2011 e ECOS 2013. As associações foram quantificadas através do cálculo do Odds ratio por Regressão Logística Binária com avaliação do confundimento e modificação de efeito. As variáveis de doença crónica foram medidas por auto-reporte. Foram considerados os reformados que se encontrassem em processo de reforma (ou seja, reformados há 5 anos ou menos) e que não se tivessem reformado por doença. Resultados: A reforma não se encontrou significativamente associada a nenhuma das doenças crónicas consideradas, excetuando-se: i) o cancro (na amostra ECOS), para o qual foi fator protetor; ii) e a doença cardiovascular (na amostra SHARE), para a qual teve um efeito prejudicial, mas apenas em não hipertensos. A reforma em idade antecipada pareceu encontrar-se associada a um pior estado de saúde, relativamente à reforma em idade legal (ou após). Tal observou-se no Cancro (nas amostras ECOS e SHARE), na Diabetes (na amostra SHARE), e no AVC em pessoas sem Doença Cardiovascular (na amostra SHARE). Pelo contrário, em pessoas com Doença Cardiovascular a reforma antecipada pareceu constituir um fator protetor. Discussão e conclusões: As diferenças observadas nos resultados entre amostras poderão, entre outros, atribuir-se às diferentes populações em estudo, dimensões amostrais e desenhos de amostragem. Os resultados obtidos não são muito diferentes dos que têm sido descritos na bibliografia, ainda que haja um número reduzido de estudos sobre esta matéria. Indicam que, eventualmente, as recentes alterações de aumento da idade de reforma poderão expandir o grupo de pessoas que se reformam antecipadamente, podendo resultar, eventualmente, num aumento da prevalência de doenças crónicas na população portuguesa. Os mecanismos através dos quais a reforma poderá influenciar a ocorrência de doenças crónicas permanecem por explicar, embora os seus principais fatores de risco pareçam representar importantes modificadores de efeito.
- Distribuição da Mortalidade por doenças do aparelho circulatório nos municípios de Portugal (2015-2019) e seus fatores determinantesPublication . Oliveira, Diogo; Dias, Carlos Matias; Gaio, VâniaIntrodução: As doenças do aparelho circulatório representam uma preocupante causa global de morbilidade e mortalidade, com números alarmantes de óbitos anuais. Em Portugal, as doenças do aparelho circulatório surgem como um desafio significativo, destacando-se disparidades nas taxas de mortalidade ao nível regional e municipal. Este estudo visa compreender quais os determinantes de saúde que melhor predizem as taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório verificadas ao nível do município, proporcionando informações cruciais para melhorar a saúde das comunidades. O objetivo geral do presente estudo é determinar os fatores que melhor predizem a distribuição das taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório ao nível do município em Portugal, entre 2015-2019. Métodos: Este estudo observacional analítico ecológico abrange o período de 2015-2019, utilizando dados do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF, 2015). A amostra estudada inclui todos os 47 municípios do INSEF, cujos participantes foram residentes em Portugal com idade compreendida entre os 25 e 74 anos. Foram analisadas variáveis individuais nomeadamente comportamentais (consumo de tabaco, consumo de álcool, inatividade física; alimentação inadequada), comorbilidades (hipertensão, obesidade; diabetes; hipercolesterolemia) e variáveis de grupo como os fatores de contexto sociodemográficos, económicos e ambientais (índice de privação socioeconómica, área residencial, acesso a cuidados de saúde, índice de caminhabilidade e exposição prévia às partículas PM10). A análise estatística, incluiu modelos de regressão multivariada, sendo realizada para identificar quais os fatores com maior capacidade preditiva da distribuição das taxas de mortalidade por doenças do aparelho circulatório. Resultados e discussão: Na análise multivariada, a temperatura média foi o único fator significativamente associado à mortalidade por doenças do aparelho circulatório em ambos os sexos. No sexo feminino, a obesidade foi também um preditor independente. As restantes variáveis (alimentação inadequada, consumo de álcool, inatividade física, entre outras), embora significativas na análise bivariada, não se mantiveram no modelo final. Conclusão: Os resultados evidenciam a relevância de fatores ambientais como a temperatura média e de comorbilidades como a obesidade (no sexo feminino) na mortalidade cardiovascular em Portugal. Desta forma é necessário reforçar as estratégias de saúde pública, que visem a mitigação dos efeitos das alterações climáticas e a prevenção da obesidade, especialmente na população do sexo feminino.
- Necessidades não satisfeitas de cuidados de saúde dos portugueses em 2014Publication . Martins, João Luís Vieira; Dias, Carlos MatiasIntrodução: As necessidades não satisfeitas de cuidados de saúde (NNSCS) ocorrem quando um indivíduo não obtém cuidados de saúde necessários para a resolução do seu problema. O estudo das NNSCS permite identificar barreiras de acesso aos serviços de saúde como razões financeiras, tempo de espera e distância. A identificação destas iniquidades de acesso é o primeiro passo para a redução das mesmas. Este trabalho visa identificar as necessidades NNSCS em Portugal, e a sua relação com os fatores demográficos e socioeconómicos. Métodos: O Inquérito Nacional de Saúde 2014 usou uma amostra representativa nacional de 18 204 indivíduos com 15 ou mais anos. Foram selecionados os casos que reportavam uma necessidade de cuidados de saúde nos 12 meses prévios para avaliar as NNSCS por motivos financeiros, de distância ou tempo de espera. As prevalências de NNSCS foram calculadas e determinadas as Razões de Prevalência ajustadas (RP) através da Regressão de Poisson. Resultados: Estima-se que 83% dos portugueses tenham tido pelo menos uma necessidade de cuidados de saúde nos 12 meses que antecederam o INS 2014. Embora as mesmas tenham sido satisfeitas num grande número de indivíduos, 23% do total dos portugueses teve pelo menos uma necessidade de cuidados de saúde não satisfeita, por dificuldade financeira, distância ou por tempo de espera. Discussão/Conclusão: Em Portugal ser mulher, divorciado, desempregado, ter uma doença crónica, ter uma limitação das AVD, um nível de escolaridade completo inferior ou pertencer a um quintil mais baixo são fatores de risco para ter uma NNSCS. Há uma variação regional entre as NNSCS que necessita de uma investigação mais detalhada. É premente uma intervenção política transversal com vista à redução das iniquidades em saúde e das iniquidades socioeconómicas
- Utilização dos Cuidados de Saúde em Doentes com Multimorbilidade em Portugal, em 2015Publication . Romana, Guilherme Dias Quinaz Trigo; Dias, Carlos MatiasIntrodução: A presença de múltiplas doenças crónicas, em simultâneo, no mesmo indivíduo é um problema de saúde pública cada vez mais relevante para os sistemas de saúde. Os doentes com multimorbilidade têm necessidades de saúde acrescidas, o que representa um ónus elevado na utilização dos cuidados de saúde. Tanto nos Estados Unidos da América (EUA) como na Europa, estima-se que entre 70% a 80% do orçamento total de saúde seja destinado às doenças crónicas. Na Europa, os doentes com multimorbilidade são responsáveis por até 78% das consultas nos cuidados de saúde primários. O seu peso é igualmente elevado nos cuidados hospitalares nos EUA, com um risco até 14,6 vezes superior de internamento e com um tempo de hospitalização 25 vezes mais longo em relação aos doentes sem doenças crónicas. Métodos: Este estudo foca-se na análise da associação entre a multimorbilidade e a utilização dos cuidados de saúde na população portuguesa, entre os 25 e os 74 anos de idade, assim como na descrição da prevalência da multimorbilidade em Portugal e na análise da utilização dos cuidados de saúde por grupo de doenças crónicas específicas e por cada doença crónica adicional. Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional, analítico e transversal que tem como fonte de informação a base de dados do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico (INSEF) cuja recolha de dados decorreu em 2015. Foi estudada a associação entre as variáveis socioeconómicas e a utilização dos cuidados de saúde, nos doentes com multimorbilidade. Foi construído um modelo de regressão logística estratificado para o sexo e ajustado para as variáveis socioeconómicas. Resultados: A prevalência de multimorbilidade na população portuguesa foi de 38,3% (IC95% 35,4% a 41,3%). Nos doentes com multimorbilidade verificou-se uma maior utilização de consultas de cuidados de saúde primários, consultas hospitalares e internamentos. Nestes doentes foi observada associação estatisticamente significativa entre o sexo feminino, escalões etários mais velhos e níveis educacionais mais baixos e a maior utilização dos cuidados de saúde. A utilização dos serviços de saúde era mais elevada no grupo das doenças do foro mental e das patologias músculo-esqueléticas, embora não se tenha verificado o aumento proporcional da utilização dos cuidados por doença crónica adicional. Conclusões: Apesar da diversidade metodológica presente neste tipo de trabalhos, os resultados observados neste estudo estão em linha com a literatura internacional. A existência de evidência científica, para a realidade nacional, quanto à utilização dos serviços de saúde por doentes com multimorbilidade, poderá sustentar alterações nas políticas de saúde que permitam uma gestão mais eficiente destes doentes.
