DEP - Relatórios científicos e técnicos
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- Efeito da interação entre calor extremo e poluição por partículas atmosféricas na mortalidade diária em Portugal continentalPublication . Canha, Filipa; Leite, Andreia; Silva, Susana; Gaio, VâniaIntrodução: O incremento da temperatura global e a poluição atmosférica no contexto das alterações climáticas representam riscos crescentes para a saúde. Os efeitos isolados destas exposições estão amplamente descritos, no entanto, apenas recentemente tem surgido evidência de efeito sinérgico entre calor e matéria particulada (PM, em inglês particulate matter). Este estudo teve como objetivos avaliar o efeito da interação entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade diária em Portugal continental e por distrito. Métodos: Análise de séries temporais em duas etapas para os verões (maio-setembro) de 2003 a 2023, utilizando dados diários da temperatura máxima, das concentrações médias de PM10 e PM2,5 separadamente, e da mortalidade por todas as causas em todos os distritos de Portugal continental. O calor extremo e a poluição elevada por PM foram definidos como valores acima do percentil 90 da sua distribuição. Para considerar os efeitos desfasados, utilizou-se a média móvel a 7 dias para as PM, e modelos não lineares com desfasamento distribuído, com um desfasamento de 10 dias, para a temperatura. Na primeira etapa, estimaram-se os riscos relativos cumulativos (RRc) da interação entre as exposições na mortalidade para cada distrito, correspondentes ao acréscimo de risco da sua ocorrência em relação à temperatura mínima de mortalidade (TMM) em condições de elevada poluição. Os RRc distritais foram combinados através de uma meta-análise de efeitos aleatórios, considerando a inclusão ou exclusão da versão portuguesa do Índice de Privação Europeu (EDI-PT) como meta-preditor. Resultados: Na maioria dos distritos de Portugal continental observou-se efeito de interação entre calor extremo e poluição elevada por PM na mortalidade, com um RRc que variou entre 1,01 (Intervalo de Confiança a 95% (IC 95%): 0,92; 1,11) e 1,35 (IC 95%: 1,17; 1,56) para o efeito de interação com poluição elevada por PM2,5, e entre 1,01 (IC 95%: 0,86; 1,19) e 1,35 (IC 95%: 1,17; 1,56) para a interação com poluição elevada por PM10, em comparação com o efeito da TMM e poluição elevada. Os efeitos de interação entre calor extremo e poluição elevada (PM2,5 e PM10) em Portugal continental, para temperatura no percentil 90, apresentaram ambos um RRc global de 1,03 (IC 95%: 1,01; 1,05). O EDI-PT não foi incluído na meta-análise por não explicar a heterogeneidade entre distritos. Discussão: Parece existir um efeito sinérgico entre o calor extremo e a poluição elevada por PM na mortalidade em Portugal continental. A integração do conhecimento proveniente destes resultados em medidas de saúde pública poderá contribuir para reforçar os sistemas de vigilância em saúde para melhor monitorizar e responder aos efeitos combinados do calor extremo e da poluição do ar, e mitigar os seus impactos na saúde.
