Percorrer por autor "Henriques, Camila Valadas"
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- Avaliação da resistência de Trichophyton rubrum ao antifúngico terbinafina e caracterização fenotípica e genotípica de fungos dermatófitosPublication . Henriques, Camila Valadas; Sabino, Raquel; Dias, DeodáliaOs dermatófitos são um grupo de fungos filamentosos com uma distribuição cosmopolita, que têm a capacidade de invadir tecidos queratinizados (pele, cabelo e unhas) de humanos e outros animais e provocar uma infeção superficial denominada de dermatofitose. As dermatofitoses são responsáveis por 3 - 4% dos casos afeções dermatológicas, sendo a infeção superficial mais comum em humanos (com uma prevalência entre os 20-25%). No entanto, espera-se que a sua prevalência continue a aumentar devido ao aparecimento de novos fatores de risco. As espécies do género Trichophyton são os principais agentes causadores de patologias como pé de atleta e onicomicose nas mãos e pés e estima-se que afete ~1.000.000.000 de pessoas em todo o mundo. T. rubrum e T. interdigitale são os principais agentes etiológicos com prevalências de 80% e 20%, respetivamente. Em Portugal, é estimado que 1.510.391 de portugueses sofram de dermatofitoses, correspondendo a uma incidência de 14.300 infeções por dermatófitos por cada 1.000.000 de habitantes. Para o tratamento das dermatofitoses, a primeira terapia a ser prescrita é, na grande maioria dos casos, a terbinafina. Desde 2017 que os casos de resistência a este antifúngico por parte de T. rubrum e T. interdigitale têm vindo a aumentar gradualmente. Os mecanismos de resistência à terbinafina são, essencialmente, descritos como mutações pontuais no gene que codifica a esqualeno epoxidase. Assim, neste estudo, procurámos perceber se a problemática de resistência ao antifúngico terbinafina em T. rubrum e T. interdigitale estaria ou não negligenciada em Portugal. Cento e sessenta e quatro isolados de T. rubrum e T. interdigitale foram identificados até à espécie através de tecnologias moleculares e também com recurso a espectoctrometria de massa (MALDI-TOF). De seguida, verificámos a presença da resistência ao antifúngico terbinafina nestes isolados e pesquisámos as mutações associadas a essa mesma resistência. Para tal, procedemos à otimização e implementação de metodologias que permitiram efetuar a avaliação da resistência de isolados de T. rubrum e T. interdigitale, quer por método cultural quer por metodologias moleculares com sequenciação do gene da esqualeno epoxidase (SQLE) seguida de deteção de mutações neste gene que conferem resistência a este composto. A caracterização dos padrões de suscetibilidade ao antifúngico terbinafina foi feita recorrendo a meios de screening (agar suplementado com terbinafina) e ao método das microdiluições em caldo. Numa primeira abordagem, de 102 isolados de T. rubrum, apenas 1 isolado (nº126) revelou ser resistente á terbinafina por meio de screening e dos 17 isolados T. interdigitale, apenas 3 demonstraram ser resistentes à terbinafina por meio de screening em ambas as concentrações utilizadas definidas pela norma EUCAST (0.06 mg/L e 0.125 mg/L). De acordo com a metodologia das microdiluições, 2,44% dos isolados apresentaram menor suscetibilidade à terbinafina. Os nossos resultados demonstram que o isolado nº126 (T. rubrum) revelou ser bastante resistente à terbinafina com uma CMI de 8 mg/L, os isolados nº 63 e nº94 (T. interdigitale) apresentaram CMIs superiores a 8 mg/L o que representa uma baixa suscetibilidade à terbinafina. O isolado T. interdigitale nº 59 apresentou uma CMI igual a 1 mg/L o que revela uma resistência moderada à terbinafina. A otimização da PCR de amplificação e sequenciação do gene da SQLE de T. rubrum e T. interdigitale permitiu a deteção de mutações pontuais apenas num isolado de cada espécie num total de quatro isolados classificados como resistentes. O isolado T. rubrum nº126, após análise da sequência do gene da SQLE, apresentou uma mutação pontual na posição 1189 na ORF do gene da SQLE o que corresponde a uma substituição de uma fenilalanina na posição 397 da sequência de aminoácidos da proteína por uma isoleucina. Apesar de as substituições mais comuns e que levam a uma maior resistência à terbinafina serem L393F e F397L, a substituição F397I detetada no isolado T. rubrum deste estudo, sugere causar uma elevada resistência à terbinafina. Relativamente aos isolados resistentes T. interdigitale, apenas o isolado nº 94 apresentou uma mutação pontual na posição 1189 na ORF do gene da SQLE, ocorrendo uma substituição de uma fenilalanina na posição 397 da sequência de aminoácidos da proteína por uma leucina, o que confirma a sua CMI superior a 8 mg/L. Nos restantes isolados resistentes pertencentes à espécie T. interdigitale, não foram encontradas quaisquer mutações no gene que codifica a SQLE. Este estudo, permitiu-nos efetuar uma caracterização da população amostrada, das amostras biológicas e dos isolados do género Trichophyton obtidos por cultura destas amostras. Foi também possível detetar, pela primeira vez, isolados do género Trichophyton resistentes à terbinafina em Portugal. Foi ainda possível estimar, dentro dos isolados estudados, uma frequência de resistência de 2,44%. A resistência à terbinafina por parte de T. rubrum e T. interdigitale é um problema real em todo o mundo e estima-se que os casos continuem em aumentar e por isso acreditamos que, a aplicação do método de screening e das microdiluições bem como a implementação da reação de PCR para pesquisa de mutações que conferem essa mesma resistência será uma mais valia e um contributo importante no que toca ao diagnóstico e posterior terapia das dermatofitoses reportadas em Portugal.
- Hybrid, infection‑ and vaccination‑induced protection against laboratory‑ confirmed SARS‑CoV‑2 infection in a European multi‑centre prospective cohort of healthcare workers, 2021–2024Publication . Rojas‑Castro, Madelyn; Mulchandani, Ranya; Brolin, Kim; Makarić, Zvjezdan Lovrić; Uusküla, Anneli; Bergin, Colm; Fleming, Catherine; Bonfanti, Paolo; Murri, Rita; Zvirbulis, Viesturs; Zavadska, Dace; Szuldrzynski, Konstanty; Gaio, Vânia; Popescu, Corneliu Petru; Craiu, Mihai; Hrișcă, Raluca‑Maria; Cisneros, Maria; Latorre‑Millán, Miriam; Petrović, Goranka; Lohur, Liss; McGrath, Jonathan; Ferguson, Lauren; Spolti, Anna; Donati, Katleen De Gaetano; Abolina, Ilze; Gravele, Dagne; Machado, Ausenda; Florescu, Simin Aysel; Lazar, Mihaela; Subirats, Pilar; Clusa, Laura; Sarajlić, Gordan; Sui, Jacklyn; Kenny, Claire; Santangelo, Rosaria; Krievins, Dainis; Barzdina, Elsa Anna; Henriques, Camila Valadas; Kosa, Alma Gabriela; Pohrib, Săftica‑Mariana; Miron, Victor Daniel; Muñoz‑Almagro, Carmen; Milagro, Anna Maria; Bacci, Sabrina; Savulescu, Camelia; VEBIS HCW VE study groupBackground: Healthcare workers (HCWs) face high occupational exposure to SARS-CoV-2 and are a priority group for vaccination. Both natural infection and vaccination-individually or combined as hybrid immunity-confer protection against SARS-CoV-2 infection. This study aimed to evaluate the protection conferred by hybrid, infection-induced, and booster vaccine-induced immunity against laboratory-confirmed SARS-CoV-2 infections in HCWs during the circulation of three pandemic and one post-pandemic Omicron sublineages. Methods: We conducted a prospective cohort study of HCWs from 18 hospitals across nine European countries. Participants underwent RT-PCR testing at enrolment and during weekly or fortnightly follow-ups. The study period was divided based on dominant Omicron sublineage circulation: BA.1/2 (Dec 16, 2021-Jun 1, 2022), BA.4/5/BQ.1 (Jun 2-Dec 31, 2022), BA.2/XBB (Jan 1-May 2, 2023), and post-pandemic XBB.1.5/BA.2.86 (Sep 1, 2023-May 21, 2024). Participants were classified into four groups: hybrid (prior infection and recent booster vaccination 7-179 days), infection-induced (prior infection, no recent vaccination), vaccine-induced immunity (recent booster vaccination, no prior infection), and a reference group (no prior infection, no recent booster vaccination). Adjusted hazard ratios (aHRs) for infection were estimated using Cox regression, adjusting for hospital, age, sex, chronic condition, and patient-facing role. Results: A total of 3 133 HCWs were included: 2572 (82%) female, 1734 (55%) aged 40-59, and 563 (29%) with ≥ 1 chronic condition. Hybrid immunity showed significant protection during BA.1/2 (aHR = 0.37, 95%CI 0.21-0.63), BA.4/5/BQ.1 (aHR = 0.36, 95%CI 0.22-0.58), and XBB.1.5/BA.2.86 (aHR = 0.53, 95%CI 0.37-0.74) periods. Infection-induced immunity was protective across all periods, most during BA.1/2 (aHR = 0.26, 95%CI 0.12-0.53), and least during BA.2/XBB (aHR = 0.66, 95%CI 0.36-1.22). Vaccine-induced immunity alone offered limited protection during BA.1/2 (aHR = 0.72, 95%CI 0.49-1.06) and BA.4/5/BQ.1 (aHR = 0.77, 95%CI 0.50-1.19), with wide confidence intervals suggesting low statistical significance. Conclusions: Hybrid and infection-induced immunity groups were more protected against infection caused by earlier Omicron sub-lineages and more protected than vaccination alone, which had no significant protective effect. These findings highlight the need for adaptive public health strategies, including timely vaccine updates and understanding of prior SARS-CoV-2 infection to inform COVID-19 vaccination policies for HCWs in the post-pandemic era.
