Gouveia, João PedroSousa-Uva, MafaldaRodrigues, Madalena2026-02-262026-02-262025-06-112025-03http://hdl.handle.net/10400.18/10999Dissertação de Mestrado em Urbanismo Sustentável e Ordenamento do Território, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade NOVA de Lisboa, 2025. http://hdl.handle.net/10362/188452Em Portugal, estima-se que entre 1,8 e 3 milhões de pessoas vivam em situação de pobreza energética, estando entre 609 mil e 660 mil em condição severa. A exposição a temperaturas extremas dentro das habitações pode agravar problemas de saúde existentes e aumentar o risco de doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial, que afeta cerca de 36% da população portuguesa entre 25 e 74 anos. A pobreza energética resulta da combinação de baixos rendimentos, má eficiência energética das habitações e dificuldades no pagamento das faturas de energia. Este problema é intensificado pelas alterações climáticas, que elevam a frequência de eventos extremos. Apesar das preocupações expressas em políticas europeias, poucos estudos populacionais avaliaram a associação entre pobreza energética e saúde utilizando medidas objetivas. Este trabalho tem como objetivo estimar a associação entre o Índice de Vulnerabilidade à Pobreza Energética (IVPE) desenvolvido ao nível da freguesia (#3092) e os níveis de tensão arterial na população adulta portuguesa. Trata-se de um estudo epidemiológico, observacional, transversal e analítico, com dados do Inquérito Nacional de Saúde com Exame Físico 2015 (INSEF), abrangendo 4911 indivíduos de 25 a 74 anos. O IVPE foi categorizado em tercis (baixo, médio e alto) e as associações foram analisadas por regressão linear, ajustada para fatores sociodemográficos e económicos. Os resultados evidenciam que viver em áreas com elevada vulnerabilidade à pobreza energética está associado a um aumento significativo da tensão arterial. No contexto do arrefecimento, observou-se um acréscimo de 2,28% na Tensão Arterial Sistólica (TAS) e de 2,08% na Tensão Arterial Diastólica (TAD), enquanto para o aquecimento verificou-se um aumento significativo na TAS, mas sem relevância na TAD. Estes reforçam a pobreza energética como um fator de risco relevante para a saúde, sublinhando a necessidade de políticas públicas eficazes para mitigar os seus impactos. Num contexto de alterações climáticas e envelhecimento da população portuguesa, garantir condições habitacionais adequadas pode ser uma estratégia essencial para reduzir desigualdades sociais, promover a saúde e o bem-estar, bem como aliviar a pressão sobre os sistemas de saúde pública.In Portugal, it is estimated that between 1.8 and 3 million people live in energy poverty, with between 609,000 and 660,000 in severe conditions. Exposure to extreme temperatures within households can exacerbate existing health problems and increase the risk of cardiovascular diseases, such as hypertension, which affects approximately 36% of the Portuguese population aged 25 to 74. This issue is further intensified by climate change, which increases the frequency of extreme weather events. Despite concerns expressed in European policies, few population-based studies have assessed the association between energy poverty and health using objective measures. This study aims to estimate the association between the Energy Poverty Vulnerability Index (EPVI), developed at the parish level (#3092), and blood pressure levels in the adult Portuguese population. It is an epidemiological, observational, cross-sectional, and analytical study, based on data from the 2015 National Health Examination Survey (INSEF), covering 4,911 individuals aged 25 to 74. The EPVI was categorized into tertiles (low, medium, and high), and associations were analyzed using linear regression, adjusted for sociodemographic and economic factors. The results indicate that living in areas with high vulnerability to energy poverty is significantly associated with increased blood pressure. In the cooling context, an increase of 2.28% in Systolic Blood Pressure (SBP) and 2.08% in Diastolic Blood Pressure (DBP) was observed, while in the heating context, there was a significant increase in SBP but no relevant change in DBP. These findings reinforce energy poverty as a significant risk factor for health, highlighting the need for effective public policies to mitigate its impacts. In the context of climate change and an aging Portuguese population, ensuring adequate housing conditions may be a crucial strategy for reducing social inequalities, promoting health and well-being, and alleviating pressure on public health systems.porVulnerabilidadePobreza EnergéticaRisco CardiovascularTensão ArterialPolíticas PúblicasPortugal.Determinantes da Saúde e da DoençaVulnerabilityEnergy PovertyCardiovascular RiskBlood PressurePublic PoliciesAssociação entre o Índice de Vulnerabilidade à Pobreza Energética e os Níveis de Tensão Arterial na População Portuguesamaster thesis203957210