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Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10400.18/706

Título: Epidemiologia do CMV
Autor: Lopo, Sílvia
Palavras-chave: Epidemiologia Clínica
Infecções Sistémicas e Zoonoses
Estados de Saúde e de Doença
CMV
Issue Date: Dec-2011
Editora: Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP
Resumo: O citomegalovírus (CMV) é um vírus ubíquo, sem predomínio sazonal conhecido e com uma prevalência que varia, nos EUA, entre 50% e 85% em adultos (CDC, 2006). A epidemiologia do CMV é diferente nas várias regiões do mundo e nos diferentes grupos etários e socioeconómicos. Geralmente, os grupos socioeconómicos mais elevados apresentam uma seroprevalência mais baixa e adquirem a infeção mais tarde. A caracterização do estado imunitário da população residente em Portugal Continental, no âmbito do 2º Inquérito Serológico Nacional, permitiu conhecer a prevalência do CMV no País e estudar alguns aspetos epidemiológicos, contribuindo para determinar que grupos na população apresentam maior prevalência e que grupos estão mais suscetíveis a casos incidentes (Lopo et al., 2004a). Os resultados indicam que a infeção pelo CMV é muito prevalente na população estudada (77,0%) e ocorre sobretudo nos primeiros anos de vida. No entanto, a partir do grupo etário dos 10 aos 14 anos, verificou-se um aumento da prevalência em indivíduos do sexo feminino, o que poderá corresponder a um maior contacto que os indivíduos do sexo feminino têm com crianças que podem estar a excretar vírus, o que representará um modo de transmissão horizontal do CMV e um risco para as mulheres grávidas e para as trabalhadoras em jardins de infância. O facto de 24,5% e 18,5% de mulheres em idade fértil (dos 20 aos 29 anos e dos 30 aos 44 anos respetivamente) serem suscetíveis para o CMV, leva-nos a admitir um considerável risco para a infeção congénita por este vírus. O CMV é a principal causa de infeção viral congénita, com uma incidência mundial que varia entre 0,4% e 2,2% do total de nascimentos e com um quadro de infeção que pode envolver qualquer órgão e variar entre padrões de doença ligeiros e limitados, até apresentações graves e disseminadas da doença, resultando em mais de 20% de mortalidade perinatal e uma morbilidade com impacto social e económico. A infeção primária materna durante a gestação é responsável por cerca de 40% de transmissão intrauterina, em contraste aos 0,5% estimados em infeções recorrentes durante a gravidez. Segundo estudos efetuados por diferentes grupos de trabalho portugueses, a proporção da infeção congénita pelo CMV numa população da região de Lisboa e numa população da Beira Interior utilizando o método de referência (deteção de vírus na urina pelo método de cultura shell-vials) foi de 0,7% e 0,4%, respetivamente (Lopo et al, 2004b; Almeida et al, 2010); Paixão e col., utilizando a técnica de PCR em amostras de sangue obtidos dos Guthrie Cards, encontraram uma proporção da infeção congénita pelo CMV, de 1,1% em Portugal Continental e Ilhas e de 0,7% na região de Lisboa (Paixão et al, 2009). O rastreio serológico pré-concecional para o CMV, aconselhado desde 2006 na circular normativa nº2/DSMIA, como componente básico dos cuidados pré-concecionais, vem acentuar a importância em conhecer, nas mulheres que pretendem engravidar o seu perfil imunitário para o CMV (Ministério da Saúde, 2006). Para mulheres gestantes, a fonte mais provável de infeção é o contacto com urina ou saliva de crianças. Nos casos em que se deteta a suscetibilidade às infeções causadas por este vírus, o clínico tem a possibilidade de elucidar as mulheres sobre os riscos associados à aquisição de infeção pelo CMV durante a gravidez e sugerir a adoção de medidas preventivas que reduzam a transmissão do vírus, diminuindo a possibilidade de ocorrência de infeção congénita e que passam sobretudo por alterações simples de comportamento. Ainda em fase de ensaios clínicos encontram-se algumas terapêuticas experimentais de imunização passiva e de administração de antivíricos a grávidas infetadas pelo CMV. Com o objetivo de diminuir a mortalidade e as sequelas da infeção pelo CMV, são utilizadas terapêuticas com compostos antivíricos, nomeadamente com o ganciclovir, nas crianças gravemente afetadas. A prevenção mais eficaz da infeção congénita pelo CMV requer a implementação de um esquema de vacinação. No entanto, enquanto se aguarda o desenvolvimento e disponibilização de uma vacina adequada, são necessárias medidas de prevenção e acompanhamento das grávidas. Continua a existir a necessidade em aumentar o conhecimento sobre o impacto em Saúde Pública da infeção congénita pelo CMV e a sua associação com os deficits nestas crianças, uma vez que o seu acompanhamento envolve enormes custos financeiros. Apesar de, tanto quanto é do nosso conhecimento, ainda não ter sido publicado nenhum estudo sobre os custos sociais do CMV em Portugal, a infeção congénita por este vírus já é reconhecida nos EUA e em vários países da Europa, como um condicionante social importante, devido aos elevados custos, quer associados ao tratamento e apoio às crianças com sequelas, quer ao absentismo profissional dos pais e ao acompanhamento das famílias afetadas.
Descrição: Oradora por convite
Arbitragem científica: no
URI: http://hdl.handle.net/10400.18/706
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