Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.18/4691
Título: Infeções a Haemophilus influenzae: “Estado da arte” em Portugal, 2016
Autor: Bajanca-Lavado, P.
Palavras-chave: Haemophilus influenzae
Hib
H. influenzae não capsulado
Vacina Hib
Virulência
Infecções Respiratórias
Resistência aos Antibióticos
Data: 18-Jan-2016
Editora: Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP
Resumo: Haemophilus influenzae (H. influenzae) é um microrganismo Gram negativo cujo nicho ecológico é o trato respiratório humano. Para além de colonizar a nasofaringe de pessoas saudáveis, o H. influenzae é normalmente responsável, nas crianças, por infeções localizadas das mucosas, como é o caso da otite média, ou da conjuntivite, e por infeções invasivas graves como a meningite e a septicemia (Turk D, 1984; Tristram S, 2007). Os adultos estão sujeitos, maioritariamente a infeções invasivas e infeções respiratórias graves como a pneumonia (Rubach MP et al, 2011). A presença ou ausência de cápsula tem sido associada à maior ou menor virulência das estirpes. As estirpes responsáveis por infeções invasivas, normalmente possuem cápsula, ao contrário da maior parte das estirpes isoladas de outras infeções ou de pessoas saudáveis. Estas estirpes foram agrupadas em seis serotipos, designados de a-f Pittman M, 1931). As estirpes capsuladas, nomeadamente as de serotipo b (Hib) eram, até à introdução da vacina conjugada, responsáveis pela maior parte dos casos de infeção invasiva (Peltola H, 2000). A vacina para o Hib, licenciada em Portugal em 1994 e incluída no Programa Nacional de Vacinação (PNV) no ano 2000 para administração a crianças até aos 5 anos de idade, resultou na eliminação da quase totalidade das infeções invasivas por este serotipo, nas populações onde a vacinação foi implementada (Wenger P, 1998; Bajanca P et al., 2004; Bajanca-Lavado MP et al, 2014). Contudo, esta vacina não protege contra a infeção invasiva por estirpes não capsuladas (NC) ou de serotipos não b sendo, atualmente, as estirpes NC as responsáveis pela maior parte destas infeções (Ulanova M & Tsang R, 2009, Ladhani S et al., 2010). Apesar dos poucos estudos existentes na área da virulência, são sugeridas alterações a este nível, principalmente um aumento de virulência das estirpes NC e das não-b. No entanto, este aspeto ainda não está demonstrado, estando hoje a recorrer-se à sequenciação do genoma completo para melhor esclarecer este assunto. Desde 1989 que, primeiro no Laboratório de Resistência aos Antibióticos e, mais recentemente, no Laboratório de Referência de Haemophilus influenzae, do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, se têm realizado estudos em infeções por H. influenzae, nas várias vertentes, desde a vigilância epidemiológica, à referência e investigação. Até ao momento contamos com uma coleção de cerca de 13500 isolados clínicos. As estirpes têm sido isoladas de pacientes de qualquer idade e com todo o tipo de infeção, de vários Hospitais geograficamente distribuídos em Portugal. A infeção invasiva, por ser a mais grave é a que mais nos tem preocupado. Assim, colaboramos com a Sociedade Portuguesa de Pediatria, para que nos sejam enviadas as estirpes responsáveis por todos os casos de infeção invasiva nas crianças. No caso dos adultos, os Laboratórios Hospitalares, enviam-nos com regularidade a quase totalidade das estirpes isoladas de adultos, com o objetivo de esclarecer as alterações que se estão a verificar na epidemiologia da infeção. Os dados resultantes da caracterização de todas as estirpes invasivas são inseridos numa base de dados europeia (TESSy), num projeto que se dedica ao estudo da infeção bacteriana invasiva: EU-IBIS http://ecdc.europa.eu/en/healthtopics/vaccine-preventable-diseases/EU_IBD/Pages/index.aspx Os dados inseridos por todos os países Europeus, são analisados e publicados num relatório anual com o objetivo de caracterizar ao longo do tempo o estado da infeção invasiva a H. influenzae, em cada um dos países participantes. Os estudos de investigação, que decorrem no nosso Laboratório são realizados com as estirpes da nossa coleção e, nesta área, colaboramos com Laboratórios de Investigação a nível Nacional e Internacional. A metodologia utilizada para estudar este microrganismo é diversificada, utilizando-se desde técnicas fenotípicas para estudar a susceptibilidade aos antibióticos, até técnicas de biologia molecular, para estudar mecanismos de resistência, serotipo capsular, genes de virulência, entre outros. Para além destas, e com o objetivo de estudar a clonalidade da infeção e disseminação das estirpes, utilizamos ainda duas técnicas de tipagem molecular: Pulsed-Field-Gel-Electrophoresis (PFGE) (Campos J et al., 2004) e Multilocus Sequencing Type (MLST) (Meats E et al, 2003). De momento estamos a diversificar os nossos trabalhos de investigação, ao iniciar um projeto em adultos com doenças crónicas, como a Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica e ainda iniciar trabalhos na área da sequenciação do genoma completo. Nesta palestra pretende-se apresentar o estado da arte, à luz dos conhecimentos que resultam dos nossos trabalhos, tanto de vigilância epidemiológica, como de investigação, e que demonstram a alteração na epidemiologia da infeção a H. influenzae após a introdução da vacina, em Portugal (Bajanca P et al, 2004; Barbosa R et al, 2011; Calado R et al, 2011; Bajanca-Lavado MP et al, 2014; Marques JG et al, 2016) e comparar com os estudos realizados noutros países. Referências Bibliográficas: • Bajanca P et al., J Clin Microbiol 2004; 42:807-10. • Bajanca-Lavado et al., Eur J Clin Microbiol Infect Dis 2014; 33: 603-610. • Barbosa R et al., J Antimicrob Chemother 2011; 66:788-96. • Calado R et al., Diagn Microbiol Infect Dis 2011; 69:111-13. • Campos J et al., J Clin Microbiol 2004; 42:524-9. • Ladhani S, et al., Emerg Infect Dis 2010; 16:455-63. • Marques J, et al., Acta Pediatr Port 2016;47:21-9 • Meats E et al., J Clin Microbiol 2003; 41: 1623-1636. • Peltola H. Clin Microbiol Rev 2000; 13:302-17. • Pittman M. J Exp Med 1931; 53:471–92 • Rubach MP et al., Emerg Infect Dis 17:1645-1650 • Tristam S et al., Clin Microbiol Rev 2007; 20:368-89. • Turk D. J Med Microbiol; 1984; 18:1-16. • Ulanova M & Tsang R. Infect Genet Evol 2009; 9:594-605. • Wenger D. Pediatrr Infect Dis J 1998; 17 (Suppl.9):S132-36.
Peer review: no
URI: http://hdl.handle.net/10400.18/4691
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