Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.18/4117
Título: Caraterísticas sociodemográficas dos fumadores em Portugal: análise comparativa dos Inquéritos Nacionais de Saúde (1987, 1995/1996, 1998/1999, 2005/2006 e 2014)
Autor: Leite, Andreia
Machado, Ausenda
Pinto, Sónia
Matias Dias, Carlos
Palavras-chave: Tabaco
Consumo de Tabaco
Características Sociodemográficas
Inquéritos Nacionais de Saúde
Determinantes da Saúde e da Doença
Saúde Pública
Portugal
Data: Dez-2017
Editora: Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge, IP.
Resumo: Introdução: O consumo de tabaco é um importante fator de risco para várias doenças. O conhecimento das caraterísticas dos fumadores e sua evolução é essencial para planear e monitorizar as estratégias de prevenção do consumo. O objetivo deste trabalho é caraterizar os principais fatores socioeconómicos associados ao consumo de tabaco e sua tendência temporal. Métodos: Foram analisados os dados dos Inquéritos Nacionais de Saúde (INS) disponíveis (1987, 1995/96, 1998/99, 2005/06 e 2014). Calcuram- se prevalências padronizadas para a idade e estratificadas para cada uma das 5 regiões do Continente, nível de escolaridade, estado civil, ocupação principal e grupo profissional. Para cada inquérito ajustou-se um modelo de regressão logística com as variáveis mencionadas, tendo sido ainda ajustado um modelo conjunto. As análises foram estratificadas por sexo. Resultados: Nos homens verificou-se diminuição na prevalência dos fumadores de 35,2% [Intervalo de Confiança a 95% (IC95%): 34,2- 36,2] em 1987 para 26,7 (IC95%: 25,2-28,3) em 2014. Desempregados (de 53,5% em 1987 para 41,6% em 2014), divorciados (de 60,1% em 1987 a 39,7% em 2014), residentes no Alentejo (de 46,8% em 1987 a 29,5% em 2014), trabalhadores não qualificados (TNQ) (de 35,2% em 2005 a 42,0% em 2014) apresentam as maiories prevalências, sem tendências. Desemprego e TNQ encontraram-se fortemente associados com o consumo de tabaco em todos os INS [Odds Ratio (OR): desemprego – 3,85 em 2005; 4,49 em 1995; TNQ – 2,79 em 2005; 2,74 em 1995], estando o estado civil e residência no Alentejo menos associados ao consumo (OR: divorciados - 2,12 em 2014; 2,50 em 1987; Alentejo - 1,23 em 2014; 2,35 em 1987). O grupo 25-34 anos foi o grupo mais fortemente associado ao consumo exceto nos dois últimos INS (OR: 5,63 em 1987; 6,51 em 1998). Nas mulheres verificou-se aumento da prevalência: 6,0% (IC95%: 5,6-6,4) em 1987 para 14,6 (IC95%: 13,6; 15,8) em 2014. Em todos os INS divorciadas (de 17,1% em 1987 a 26,9 em 2014) e em todos exceto o último INS as residentes em Lisboa e Vale do Tejo (9,2% em 1987 a 16,0% em 2005) apresentaram as maiores prevalências. Para o nível de escolaridade, verificou-se uma maior prevalência em mulheres com educação superior, de 1987 (23,3%) a 1998 (18,5%), alterando- se para o ensino secundário no último INS (19,0%). As desempregadas (OR: 2,76 em 2014; 3,74 em 1987) e divorciadas (OR: 2,54 em 2005; 3,31 em 1998) também apresentaram maior OR de consumo em todos os INS. A região de Lisboa e Vale do Tejo foi onde se registou maior possibilidade de consumo em todos os INS, exceto os de 1998 e 2014 (OR: 1,31-2,31). Para a idade, em 1987 o maior OR observou-se no grupo 15-24 anos (OR: 12,23), seguindo-se o grupo dos 25-34 nos INS de 1995 e 1998 (OR: 16,71 e 14,38, respetivamente) e o grupo dos 35-44 anos nos INS de 2005 e 2014 (OR: 12,84 e 4,91, respetivamente). Não foi identificado nenhum grupo de forma consistente ao nível de escolaridade ou grupo profissional. Conclusões: O consumo de tabaco em Portugal Continental apresenta diferentes tendências para homens e mulheres, com a prevalência a diminuir nos homens e a aumentar nas mulheres desde 1987. Nos homens a frequência mais elevada de consumo observa-se nos grupos socioeconómicos mais desfavorecidos verificando-se o oposto nas mulheres. Os grupos mais vulneráveis (desempregados, divorciados) revelaram tendências com consistência temporal e devem ser considerados no planeamento e na avaliação das estratégias de cessação. Para os restantes grupos, a monitorização deve ser continuada e mantida de modo a poder adaptar as estratégias de cessação tabágica.
Introduction: Tobacco consumption is an important risk factor for several diseases. As such, knowledge on smokers characteristics and its evolution is essential to plan and monitor strategies to prevent the consumption. The current work objective is to characterize the main socioeconomic factors associated to tobacco consumption and its main trends. Methods: Data from the National Health Surveys (NHS) available were analysed (1987, 1995/96, 1998/99, 2005/06 and 2014). Aged-standardised prevalences stratified for age, mainland region, educational level, marital status, main occupation, and professional group were calculated. Finally, a logistic regression model with the abovementioned variables was fitted, for each survey individually and for the pooled data. All analyses were stratified by sex. Results: Among men, we observed a decrease in smokers prevalence from 35.2% [95% Confidence Interval (95%CI): 34.2-36.2] in 1987 to 26,7 (IC95%: 25.2-28.3) in 2014. Unemployed (from 53.5% in 1987 to 41.6% in 2014), divorced (from 39.7 in 2014 to 60.1% in 1987), Alentejo residents (from 29.5 in 2014 to 46.8% in 1987), unskilled workers (UW) (from 35.2% in 2005 to 42.0% in 2014) had the highest prevalence, with no trends. Unemployment and UW were strongly associated with consumption in all NHS [Odds Ratio (OR): unemployment – 3.85 in 2005; 4.49 in 1995; UW – 2.79 in 2005; 2.74 in 1995]. Marital status and living in Alentejo were less associated with consumption (OR: divorced – 2.12 in 2014; 2.50 in 1987; Alentejo – 1.23 in 2014; 2.35 in 1987). 25-34 age group was strongly associated with consumption in all but the last two NHS (OR: 5.63 in 1987; 6.51 in 1998). Among women there was an increase in prevalence: 6.0% (95%CI: 5.6-6.4) in 1987 to 14.6 (95%CI: 13.6; 15.8) in 2014. In all NHS divorced (from 17.1% in 1987 to 26.9% in 2014) and in all but the last two NHS Lisbon and Tagus Valley residents (from 9.2 % in 1987 to 16.0% in 2005) showed the highest prevalences. Considering the educational level, there was a higher prevalence among those with high education from 1987 (23.3%) to 1998 (18.5%), and then among those with secondary education in the last NHS (19.0%). Unemployed (OR: 2.76 in 2005; 3.74 in 1987) and divorced (OR: 2.54 in 2005; 3.31 in 1998) also presented the highest OR of consumption in all NHS. Lisbon and Tagus Valley was the region with the highest odds of consumption on all but 1998 and 2014 NHS (OR: 1.31-2.31). Looking at age, the highest OR was observed in the 15-24 age group in 1987 (OR: 11.82), followed by 25-34 age group in 1995 and 1998 (OR: 16.71 and 14.38, respectively) and the 35-44 age group in 2005 and 2014 (OR: 12.84 and 4.91, respectively). No group was consistently identified for educational level or professional group. Conclusions: Tobacco consumption in Portugal has different trends in men and women: prevalence is decreasing among men, while among women prevalence is increased. Among men, higher frequencies of tobacco consumption were observed in more deprived socioeconomic groups while the opposite was observed among women. We have observed temporal consistence for more vulnerable individuals (unemployed, divorced), and these groups should be considered while planning and evaluating cessation strategies. For the remaining, monitoring should be continued and strategies adapted accordingly.
Descrição: Relatório revisto em agosto de 2018. Na revisão foi adicionada a palavra “diário(s)” junto de “fumadores/consumo de tabaco” para clarificar que se consideraram apenas os fumadores diários nas análises efetuadas. Foi clarificado que o período de referência do consumo de tabaco utilizado no Inquérito Nacional de Saúde de 2014 é a “situação típica”ao invés das “duas semanas anteriores à entrevista” que é o período de referência utilizado nos restantes inquéritos. Estas alterações foram exclusivamente de texto, não resultando em modificações nas análises efetuadas ou nos resultados apresentados no relatório.
URI: http://hdl.handle.net/10400.18/4117
ISBN: 978-989-8794-23-9
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