Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.18/2894
Título: Fatores de Risco Cardiovascular na População Portuguesa - Região Norte
Autor: Bourbon, Mafalda
Alves, Catarina
Palavras-chave: Doenças Cardio e Cérebro-vasculares
Fatores de Risco Cardiovascular
Região Norte
Portugal
Data: Mai-2014
Resumo: INTRODUÇÃO As doenças do aparelho circulatório (DAC) são uma das principais causas de morte em Portugal. As DAC, na sua maioria, têm uma base aterosclerótica, envolvendo o cérebro, o coração e a circulação periférica, cujo processo de desenvolvimento é complexo e está associado a múltiplos fatores de risco (FR). Os FR, de acordo com a Carta Europeia para a Saúde do Coração podem ser divididos em modificáveis e não modificáveis, formando as seguintes quatro categorias: biológicos (pressão arterial, açúcar, lípidos, peso), associados aos estilos de vida (tabaco, dieta, álcool, sedentariedade) e outros fatores modificáveis (rendimentos, educação, condições de vida, condições de trabalho) e fixos (sexo, idade, etnia e genética). As DAC são igualmente uma das principais causas de hospitalização e incapacidade física e consequentemente de elevados custos em saúde. As doenças cardiovasculares na sua maioria, podem ser prevenidas mediante a adoção de estilos de vida saudáveis desde a infância/adolescência. Noutros casos predisposições genéticas resultam desde a nascença num maior risco. Desta forma o conhecimento da prevalência dos fatores de risco cardiovascular da população portuguesa, sejam de ordem social, clínica, bioquímica ou genética, revela-se de grande importância para a prevenção das doenças cardiovasculares e promoção da saúde no nosso País, permitindo também a identificação precoce de situações que requerem acompanhamento médico. OBJETIVOS Este será um estudo transversal, no âmbito da epidemiologia e da prevenção cardiovascular. O principal objetivo deste projeto é a determinação da prevalência dos principais fatores de risco cardiovascular na população portuguesa: fatores sociais ou comportamentais (ex: dieta inadequada, sedentarismo, tabagismo, consumo álcool), biológicos (ex: hipertensão, obesidade, dislipidemia, hiperglicemia/diabetes) e genéticos (ex: hipercolesterolemia familiar, dislipidemia familiar combinada, diabetes tipo MODY e risco trombogénico). Os dados obtidos irão também permitir a determinação de valores de referência para os principais fatores de risco bioquímicos, valores estes inexistentes para a nossa população mas de grande interesse para a definição de critérios de doença e saúde. MATERIAL E MÉTODOS 1. Amostragem Pretende-se uma amostra não estratificada, representativa da população portuguesa adulta residente em Portugal Continental, caracterizada por sexo e grupo etário (18 aos 34 anos; 35 aos 64 anos; >64 anos) que será obtida por amostragem por clusters ponderada pela dimensão proporcional da população da área de influência dos Agrupamentos de Centros de Saúde (ACES) – Regiões de Saúde. A amostra será constituída por 1685 indivíduos adultos (> 18 anos) tendo em consideração uma prevalência esperada de hipertensão arterial (o fator de risco mais prevalente na nossa população – 42,1% no geral) no sexo feminino de 12,4%, 41,1% e 78,7%, respetivamente nos grupos etários dos 18 aos 34 anos, dos 35 aos 64 anos e com mais de 64 anos, e no sexo masculino de 26,2%, 54,7% e 79%, relativamente aos mesmos grupos etários, um intervalo de confiança de 95% um erro amostral de 3%. 2. Entrevista, colheitas e exame físico As pessoas selecionadas serão contactadas, primeiro, por carta e posteriormente, os investigadores entrarão um contacto telefónico com cada utente selecionado, de forma a marcar a data da colheita de dados (colheita de sangue, exame físico e entrevista). A colheita de dados (colheita de sangue, exame físico e entrevista) será efetuada no INSA ou em laboratórios de análises clínicas / Centro de Saúde da área da residência dos participantes. Em cada posto de colheita a equipa será constituída por um enfermeiro (para o exame físico), um técnico de análises (para a colheita de sangue), um entrevistador e um coordenador de campo (um dos investigadores das equipa), que orientará os participantes nos exames que tenham de realizar e será responsável pelo envio das amostras ao laboratório. No final destas atividades será oferecido um saco com um pequeno lanche e material informativo sobre o estudo aos participantes. O consentimento informado será recolhido antes da colheita de sangue pela coordenadora de campo. A cada participante serão colhidos cerca de 15ml de sangue para extração de DNA e análises bioquímicas. O exame físico incluirá pesagem, medição da altura (com determinação do índice de massa corporal) e perímetro abdominal. Será também medida a tensão arterial na posição sentada, no braço direito e esquerdo após 5 minutos de repouso. As amostras biológicas serão enviadas para o INSA diariamente por uma empresa especializada. A entrevista, em suporte de papel, será realizada após a colheita de sangue. Serão recolhidos dados sobre educação, auto conhecimento sobre patologias relevantes e história familiar, custo da medicação e hábitos de vida. 3. Determinações bioquímicas As amostras devem chegar ao INSA até 24 horas após a colheita e entregues na Unidade Laboratorial Integrada, para a determinação dos parâmetros bioquímicos (colesterol total, LDL, HDL, triglicéridos, apolipoproteína B, apolipoproteína AI, lipoproteína (a), hemoglobina A1C e A2, transaminase, creatinina, glucose, insulina e péptido C). O doseamento das sdLDL que será realizado na Unidade de Investigação no Grupo de Investigação Cardiovascular. As amostras serão alíquotas após a chegada ao INSA e serão guardadas alíquotas de soro para a determinação posterior de outros parâmetros bioquímicos de relevância. Os resultados bioquímicos serão enviados ao médico assistente juntamente com uma carta a explicar o contexto do estudo. O participante também receberá uma carta a informar que os resultados bioquímicos já foram enviados para o médico assistente que o participante designou no consentimento informado para este efeito. 4. Estudos moleculares O DNA será extraído de todas as amostras enviadas e guardado a 4ºC e -20ºC. O DNA de participantes com critérios clínicos para o estudo de Hipercolesterolemia Familiar (Colesterol total>290mg/dl ou LDL> 190 mg/dl e historia familiar de doenças cardiovasculares prematuras e/ou de hipercolesterolemia) e Diabetes MODY (glucose > 130mg/dl, história familiar de diabetes em pelo menos 3 gerações, pelo menos um familiar ou o próprio com diabetes identificada antes dos 25 anos de idade e capacidade de controlo da doença sem insulina e sem cetose) serão estudados para os respectivos genes causadores da doença. As alterações associadas aos genes envolvidos no risco trombogénico serão também estudadas para todos os participantes. Os estudos genéticos serão realizados de modo a conhecer a prevalência destes fatores de risco na população portuguesa. Os estudos moleculares serão realizados por PCR, sequenciação direta e/ou dHPLC. O médico assistente dos participantes em quem seja diagnosticada geneticamente uma destas patologias será contactado por carta e será enviado um relatório com os resultados encontrados para posterior entrega ao participante pelo seu médico assistente. 5. Análise de dados Os dados de cada entrevista e os resultados do exame físico e bioquímico serão transferidos para uma base de dados, construída pela empresa Episystems, mas que pertence ao INSA, único titular dos dados. A chave de descodificação dos dados cedidos pela ACSS está ao cuidado da PI somente. Os dados serão analisados por métodos estatísticos pela empresa Episystem e esta análise será coordenada pela investigadora responsável. A prevalência dos vários fatores de risco cardiovasculares será determinada por sexo e grupos etários (18 aos 34 anos; 35 aos 64 anos;> 64 anos). Com os dados obtidos, será também determinado o SCORE de risco cardiovascular para cada participante e para a população em geral, recorrendo a softwares específicos para este efeito. RESULTADOS ESPERADOS De forma a compreender e atuar na prevenção das doenças cardiovasculares em Portugal, é necessário conhecer melhor a realidade da nossa população, pelo que são necessários estudos de Investigação nesta área. Este estudo irá contribuir para obter conhecimento científico que ajude à tomada de decisão em saúde pública, nomeadamente para melhor definir estratégias na área da prevenção cardiovascular.
URI: http://hdl.handle.net/10400.18/2894
Aparece nas colecções:DPSPDNT - Relatórios científicos e técnicos

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